Exclusivismo Religioso. Até que ponto?

O que é o exclusivismo? É o espirito de exclusão, de intolerância para com algo ou alguém que não pertença ao próprio círculo de acordo com algum critério. (exclusivismo religioso)

Isso é bem comum nos dias de hoje. Pessoas se tornam intolerantes no que diz respeito ás crenças de outros. Tudo por que o ‘’intolerante exclusivista’’, põe na cabeça que só ele esta certo. No campo religioso, é possível destacarmos aspectos que identificam esse tipo de comportamento deplorável.

Obs: Embora este artigo se focalize na religião TJ, a reflexão apresentada aqui se aplica a qualquer religião que afirme ser a ‘’verdade’’, ou que procura manter os adeptos presos à sua hierarquia, com ameaças de que se deixar o grupo, perderá o favor de Deus. Então os argumentos usados nesta matéria são aplicáveis a qualquer grupo religioso!

Muitos membros da Organização Torre de Vigia se perguntam a respeito de pessoas que deixam de ser TJ:

‘’O que aconteceu com ele?’’

‘’Como pode ter a audácia de abandonar a única Organização de Deus?’’

‘’Por que abandonou Jeová e a verdade?’’

Em outras ocasiões, muitas TJs pensam as seguintes situações:

‘’Ele (Ex-TJ) com certeza cometeu fornicação! Estava pecando escondido, mas não pôde esconder o erro de Jeová e por isso foi desassociado. (Ou para continuar a pecar, se dissociou.)’’

‘’Esse aí nunca foi uma Testemunha de Jeová! Ele não conseguia se harmonizar aos padrões justos de Deus, e por isso o abandonou, é como diz a Bíblia: ‘saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos. ‘’

‘’Agora ele(a) caiu no mundo, e vai fazer tudo que é contrário aos princípios de Jeová: fornicar, beber, fumar, se poluir com o mundo de Satanás.’’

‘’Ele(a) saiu da organização. Agora não há outro lugar para ir a não ser ‘Babilônia, a Grande’! Satanás o cegou mesmo! Temos que tomar cuidado para não cairmos também, a Bíblia diz: quem pensa esta de pé acautele-se para que não caia!’’

‘’Pedro respondeu a Jesus: ‘’Para ‘’onde’’ iremos?’’ Se ele saiu da organização de Jeová, abandonando a verdade, pra onde ele irá agora? Não há outro lugar onde se pode obter vida eterna, além da Organização de Jeová!’’

Você já ouviu declarações assim? Você que é Testemunha de Jeová, já ouviu ou até mesmo disse coisas semelhantes a essas que citei acima? Eu não duvido disso! Eu mesmo já pensei e falei essas coisas quando eu era uma dedicada Testemunha de Jeová. E isso é comum notarmos dentro das congregações, quando ocorre uma expulsão de um membro ou dissociação. Mas o que você acha dessas declarações? Antes de tudo, é bom você conhecer como é o processo de doutrinação mental que a Torre de Vigia faz nos seus membros.

Quando nos tornamos TJs, nada foi automático. Tivemos todo um processo, às vezes longo, até optarmos pelo batismo. Foram meses, às vezes anos de estudo, para tomarmos conhecimento de todas aquelas doutrinas que nos foram passadas, para-nos “enquadrarmos” à conformidade exigida pela organização, a fim de sermos aceitos como “membros aprovados” dela. Dependendo da pessoa, muitas talvez não tenham passado por tantas mudanças, nem enfrentado rupturas e metamorfoses, se já foi criado como TJ, no meio de uma família já envolvida com a organização.

De qualquer maneira, a pessoa é condicionada a pensar como um membro daquela instituição, e que teve o seu modo de raciocínio canalizado pelo que se ensina na religião, segundo a prerrogativa que eles outorgaram a si próprios como “escravo fiel e discreto’’, ‘’a única religião verdadeira na terra.’’

Dessa forma, a Testemunha irá sempre raciocinar do modo como lhe foi ensinado. Se foi ensinado que somente lá tem declarações de vida eterna, ela acredita e age conforme aquilo que sabe.

A Sentinela 15 de Novembro de 1992 pp. 20-21 par. 12

‘’Sentir-nos-emos impelidos a servir a Jeová com lealdade junto com sua organização se nos lembrarmos de que não há outro lugar onde se possa obter a vida eterna. ‘’

Se foi ensinado que fora da Organização do escravo fiel, não alcançaremos o prêmio da vida eterna, a Testemunha sem dúvida irá agir de acordo com o conceito da religião.

A Sentinela 1 de Agosto de 1982 p. 27 par. 4

‘’A menos que estejamos em contato com este canal de comunicação [Escravo Fiel e Discreto] usado por Deus, não avançaremos na estrada da vida, não importa quanto leiamos a Bíblia. ‘’

Então não é de admirar que as testemunhas de Jeová pensem mal a respeito de quem deixa a religião, entretanto, o problema é que eles generalizam, colocando todos os desassociados e dissociados na mesma categoria. Sabemos que isso não é bem assim, e as Tjs dificilmente pensam que o motivo de muitas ex-TJs de ter saído da Organização foi por descobrir através de sinceras pesquisas, que existiam doutrinas erradas e que eram encaradas como verdade de Deus, pregando-as então para as pessoas, e diante disso, estavam agindo como hipócritas, por que pregava algo que no fundo via que estava errado.

Como isso acontece?

Quando nos deparamos com erros crassos, evidências de grandes equívocos doutrinais, o choque é muito grande! Não conseguimos “processar” tudo com rapidez, de uma hora para outra! A princípio, nossa mente tenta “desculpar” e “justificar” tudo, através de racionalização técnica. Mas chega um momento, se tivermos a coragem necessária para investigar até o fim, em que atingimos um ponto de “encruzilhada moral”.

A consciência, que é um dom de Deus, cobra de nós uma atitude, um posicionamento. Não podemos simplesmente ignorar nossa consciência. Engraçado que a própria organização ensina isso, mas ela mesma se isenta de análise, coloca-se num “pedestal” de santidade, em que qualquer questionamento ou discordância dela torna-se sinônimo de afronta a Jeová! É preciso ter muita coragem para dissociarmos estes conceitos que foram misturados propositalmente em nossas mentes: Organização Torre de Vigia e Jeová Deus NÃO SÃO SINÔNIMOS!

Infelizmente, muitas TJs agem de forma parcial quando presencia alguém discordando das doutrinas da religião, acha que fazendo isso, a pessoa esta a desafiar a Jeová. Mas, parando para pensar, quando alguém critica uma religião, é o mesmo que criticar a Deus? Se assim for, as TJs são experts em criticar outras religiões, classificando todas, com exceção deles de ‘’Babilônia, a Grande’’, o império mundial da religião falsa controlada por Satanás. Diante disso, estariam elas se opondo a Deus? Na mentalidade da Testemunha de Jeová, isso é improvável, mesmo por que eles estão se referindo a ‘’religião falsa’’, e que criticar a ‘’verdadeira’’ é o que caracterizaria uma afronta a Deus. Mas, vamos refletir um pouco: se criticar a religião verdadeira implica em desafiar o Todo-Poderoso, podemos dizer que Jesus e os Profetas, desafiaram a Jeová por criticar a religião judaica, que na época era de fato a única verdadeira e escolhida diretamente por Deus.

Eles eram pactuados com Deus. Tal designação é bíblica, muito diferente do que a Torre de Vigia aplica a si própria. Mesmo assim, Deus jamais colocou aquela “organização” como inquestionável e imaculada. A partir do momento em que ela se afastasse dos elementares princípios e da Lei que lhe fora dada, Ele a desaprovava. Quem eram os profetas, senão homens que justamente tinham a coragem de apontar os erros, de revelar a hipocrisia, de denunciar o engano? Por que foram eles perseguidos? Por que o próprio Jesus foi morto? Por acaso eles foram cúmplices com o erro? Sucumbiram a uma conformidade de grupo que lhes seria mais confortável? Por que estaria a Torre de Vigia, surgida 19 séculos mais tarde, isenta de qualquer análise ou discordância? Por que seus erros, mesmo os mais crassos e repugnantes, seriam relevados, desculpados e até justificados?

Veja o exemplo de Cristo Jesus, ao se confrontar com os líderes religiosos de seus dias, ele não deixava que os erros e tradições humanas que eram impostas as pessoas, ficasse ocultas dos seus irmãos de fé. Jesus com toda coragem e determinação expos a hipocrisia, digamos do Corpo Governante judaico, a saber, os Fariseus, os Escribas e Saduceus.

(Mateus 15:1-20). . .Chegaram-se então a Jesus alguns fariseus e escribas, de Jerusalém, dizendo: “Por que infringem os teus discípulos a tradição dos homens dos tempos anteriores? Por exemplo, não lavam as mãos quando estão para tomar uma refeição.’’ Em resposta, disse-lhes: “Por que é também que vós infringis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Por exemplo, Deus disse: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’; e: ‘Quem injuriar pai ou mãe, acabe na morte.’ Mas vós dizeis: ‘Quem disser ao seu pai ou à sua mãe: “Tudo o que eu tenho, que da minha parte te poderia ser de proveito, é uma dádiva dedicada a Deus”, este absolutamente não deve mais honrar a seu pai.’ E assim invalidastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição. Hipócritas! Isaías profetizou aptamente a vosso respeito, quando disse: ‘Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está muito longe de mim. É em vão que persistem em adorar-me, porque ensinam por doutrinas os mandados de homens.’” Com isso chamou mais perto a multidão, e disse-lhes: “Escutai e compreendei o sentido disso: Não o que entra pela boca é o que avilta o homem; mas o que sai da boca é o que avilta o homem.” Os discípulos aproximaram-se, então, e lhe disseram: “Sabes que os fariseus tropeçaram por ouvirem o que disseste? Em resposta, ele disse: “Toda planta que meu Pai celestial não tiver plantado será desarraigada. Deixai-os. Guias cegos é o que eles são. Se, pois um cego guiar outro cego, ambos cairão numa cova.” Respondendo, disse-lhe Pedro: “Esclarece-nos a ilustração.” A isso ele disse: “Estais vós também ainda sem entendimento? Não percebeis que tudo o que entra pela boca passa para os intestinos e é eliminado para o esgoto? No entanto, as coisas procedentes da boca saem do coração, e estas coisas aviltam o homem. Por exemplo, do coração vêm raciocínios iníquos, assassínios, adultérios, fornicações, ladroagens, falsos testemunhos, blasfêmias. “Estas são as coisas que aviltam o homem; mas tomar uma refeição sem lavar as mãos não é o que avilta o homem.” (Grifos acrescentados)

(Mateus 23:13-32) . . .“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois, vós mesmos não entrais, nem deixais entrar os que estão em caminho para entrar. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque percorreis o mar e a terra seca para fazer um prosélito, e, quando se torna tal, fazeis dele objeto para a Geena duas vezes mais do que vós mesmos. “Ai de vós, guias cegos, que dizeis: ‘Se alguém jurar pelo templo, isto não é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do templo, ele está sob obrigação.’ Tolos e cegos! O que, de fato, é maior, o ouro ou o templo que santifica o ouro? Também: ‘Se alguém jurar pelo altar, isso não é nada; mas, se alguém jurar pela dádiva nele, ele está sob obrigação.’ Cegos! O que, de fato, é maior, a dádiva ou o altar que santifica a dádiva? Portanto, quem jurar pelo altar, está jurando por ele e por todas as coisas sobre ele; e quem jurar pelo templo, está jurando por ele e por aquele que habita nele; e quem jurar pelo céu, está jurando pelo trono de Deus e por aquele que está sentado nele. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o décimo da hortelã, e do endro, e do cominho, mas desconsiderastes os assuntos mais importantes da Lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Estas eram as coisas obrigatórias a fazer, sem, contudo, desconsiderar as outras. Guias cegos, que coais o mosquito, mas engolis o camelo! “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais por fora o copo e o prato, mas por dentro estão cheios de saque e de intemperança. Fariseu cego, limpa primeiro por dentro o copo e o prato, para que também por fora se torne limpo. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque vos assemelhais a sepulcros caiados, que por fora, deveras, parecem belos, mas que por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda sorte de impureza. Do mesmo modo, vós também, deveras, pareceis por fora justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e do que é contra a lei.’’ (Grifos acrescentados)

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Fonte da imagem: Desperta!

Notaram a maneira como Jesus criticou os líderes da ‘’única religião verdadeira’’ da época? Se criticar a religião verdadeira é uma afronta a Deus, o que dizer então de Jesus? O que dizer dos profetas antes dele? Logo, criticar a Torre de Vigia quando encontramos motivos para isso, não é errado! Se a reação das TJs em relação a isso é negativa, pois elas se recusam a analisar se tais críticas têm ou não fundamento, significa então que a TJ vive no engano.

A Sentinela 15 de Julho de 2003 p. 22

‘’Um indício de que nos tornamos vítimas do auto-engano é se ficamos irados quando nossas crenças são questionadas. Em vez de ficarmos irados, é sábio manter a mente aberta e escutar com atenção o que outros dizem — mesmo quando temos certeza de que a nossa opinião está certa.’’

Comentários referentes às expressões citadas no inicio

Lembra-se das citações que fiz no inicio? As possíveis reações das testemunhas de Jeová para com as pessoas que deixam a organização? Pois bem, vamos entender o porquê de cada frase, como a mente TJ é condicionada a pensar assim. Ok?

Pensamento 1: ‘’O que aconteceu com ele?’’

Essa pergunta era feita com mais frequência durante os 6 anos e meio em que estive associado a Torre de Vigia, então o que pude presenciar foi principalmente a curiosidade! Nossos queridos irmãos TJs, martelam muito a cabeça para saber o motivo da desassociação ou dissociação de um irmão de fé. No entanto, eles não podem perguntar diretamente para a pessoa, já que após o anuncio dado na congregação, os laços de amizade se rompem. O que infelizmente deixa a pessoa na curiosidade. Sei de casos de irmãos perguntarem os motivos para tal acontecimento a anciãos, parentes e até mesmo de ‘’mundanos’’ que são de certa forma achegados com o ex-membro. Tenho certeza de que se o Corpo Governante mudasse hoje o tratamento dado a quem sai ou é expulso, muitas TJs iriam com certeza contatar tal pessoa, sem nenhum medo ou culpa, para se certificar do que aconteceu realmente, já que os resultados de comissões judicativas são mantidos em segredo, e sobre as cartas de dissociação que não são lidas perante a congregação, a curiosidade dos membros TJs de saberem o motivo da dissociação, é principalmente por que o ex-membro não precisou passar por comissão nenhuma, nada melhor do que a própria pessoa explicar os motivos que levaram a deixar a Organização, mas infelizmente não é isso que ocorre!

Pensamento 2: ‘’Como pode ter a audácia de abandonar a única Organização de Deus?’’

Esse pensamento se origina através da doutrinação mental que uma Testemunha de Jeová recebe. Todos sabem que durante o ‘’estudo bíblico’’ dado por uma TJ, o estudante é aos poucos condicionado a encarar a organização como sendo de Deus, e que Ele esta por trás de tudo aquilo que aprende. Toda testemunha de Jeová tem a mente treinada para isso. E se alguém decide deixar a religião, não importa o motivo, o que vem muitas vezes na mente da TJ é isso. Então você que não conhece a religião TJ, não se surpreenda quando eles vierem a falar isso, por mais absurda que seja, é uma reação normal quando levamos em consideração o que se passa na mente deles.

Pensamento 3: ‘’Por que abandonou Jeová e a verdade?’’

Já esse, é basicamente originado do mesmo do pensamento 2, comentado antes. No entanto, aqui notamos aonde o grau de fanatismo gerado por uma lavagem cerebral leva uma pessoa a confundir coisas totalmente diferentes. Como já analisamos antes, as TJs consideram a Organização como sinônimo de Jeová. Já aqui vemos outro aspecto semelhante, só que dessa vez a Organização está também sendo sinônimo da verdade, ou seja, a Organização é a verdade. Entretanto, conforme podemos ver neste artigo: https://seguindoaspegadasdaverdade.worpress.com/2016/04/22/com-quem-esta-a-verdade/ , notamos a diferença disso, que a verdade não é a organização Torre de Vigia e sim a palavra de Deus mediante Jesus Cristo. (João 14:6; 17:17)

Pensamento 4: ‘’Ele (Ex-TJ) com certeza cometeu fornicação! Estava pecando escondido, mas não pôde esconder o erro de Jeová e por isso foi desassociado. (Ou para continuar a pecar, se dissociou.)’’

Esse tipo de raciocínio é muitas vezes usado pelas Testemunhas de Jeová, por que ela acha que todos os ex-membros são pecadores impenitentes, ou que por orgulho prefere viver no pecado e rejeitar a tal ‘’disciplina de Jeová’’, porém mais uma vez, isso é uma maneira de generalizar os fatos. Por trás desse pensamento pejorativo, esta o exclusivismo. Para as Testemunhas de Jeová, somente eles são puros e limpos perante Deus, e que os de fora da Organização, especialmente os que saem de lá, são sujos, impuros e indignos da aprovação divina, para quem nunca foi TJ, até há esperança de que algum deles se tornem Tjs, os ‘’semelhantes a ovelhas’’ conforme eles caracterizam essas pessoas, todavia um desassociado ou dissociado, está em uma posição muito pior. Isso na cabeça das Testemunhas de Jeová é claro!

Pensamento 5: ‘’Esse aí nunca foi uma Testemunha de Jeová! Ele não conseguia se harmonizar aos padrões justos de Deus, e por isso o abandonou, é como diz a Bíblia: ‘saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos. ‘’

Em alguns casos de pessoas que preferem viver no pecado, isso é um fato! No entanto, não são todos os que saem para viver no pecado. A frase ‘’não conseguia se harmonizar aos padrões justos de Deus’’, pode muito bem ter outro sentido na mentalidade de uma TJ. Por exemplo, muitos ex-TJs que através de sinceras pesquisas concluíram que o Corpo Governante e a Organização Torre de Vigia, não são orientados e dirigidos pelo Espírito Santo de Jeová. De modo que não se viam mais obrigados a obedecerem cegamente ou concordarem com suas doutrinas particulares divulgados pelo Corpo Governante. Essa ação tomada por muitas ex-Testemunhas de Jeová são mal vistas por seus até então companheiros de crença. Para uma Testemunha de Jeová, alguém que discordar de algum ponto do Corpo Governante ou da Organização, já é considerado um ‘’apostata’’, ‘’filho do Diabo’’, ou outros termos depreciativos. Para eles isso é equivalente a desafiar Jeová, conforme vimos acima. Então, quando se diz: ‘’Não se harmonizaram aos padrões justos de Deus’’. Isso é encarado, quando alguém prefere viver como pecador impenitente, o que é óbvio, mas também se referem sempre assim, quando alguém não mais concorda com as normas, diretrizes, políticas e doutrinas particulares da Torre de Vigia. Então esse pensamento, nada mais é do que o puro exclusivismo religioso. Uma forma de exaltar a religião como mais superior do que as demais. Isso claro é negado pela Torre de Vigia, conforme certo leitor da Despertai! escreveu para a sede e obteve uma resposta, observe:

Despertai! Junho de 2008 pág. 29

O que o futuro reserva para o cristianismo? (Fevereiro de 2007) Boa parte do que vocês dizem está de acordo com a Palavra de Deus, e eu concordo com vocês. Mas há duas coisas em sua revista que me incomodam. Uma delas é que vocês rebaixam as igrejas cristãs, e a outra é o modo como parecem se enaltecer em relação a outras religiões. Seria maravilhoso se todos estivéssemos de acordo e fôssemos da mesma religião, mas não é assim. Não considero nenhuma igreja ou denominação melhor do que outra.

  1. S., Estados Unidos

“Despertai!” responde: As Testemunhas de Jeová não são contra as pessoas de outras religiões, nem se consideram melhores do que outros. Reconhecemos que “todos pecaram e não atingem a glória de Deus”. (Romanos 3:23) Com isso em mente, damos de nós mesmos e de nossos recursos, dedicando bastante tempo a visitar as pessoas para levar verdades bíblicas, incluindo a maravilhosa esperança contida na Bíblia. No entanto, assim como Jesus e seus discípulos expunham com coragem a hipocrisia e a falsidade religiosa, as Testemunhas de Jeová fazem o mesmo.

Notaram como o leitor percebia certo grau de exclusivismo? E isso você pode encontrar em diversos artigos da Sentinela e Despertai, contudo, a resposta que foi dada ao leitor da revista, mostra um grau descarado de hipocrisia. É só observar as partes grifadas, e compare com aqueles que através da internet mostra a falsidade e a hipocrisia da Torre de Vigia, e por conta disso, essas pessoas são consideradas como gente da pior espécie. (Para um assunto mais detalhado sobre isso leia o artigo https://seguindoaspegadasdaverdade.wordpress.com/2015/10/07/a-hipocrisia-de-uma-religiao/

Pensamento 6: ‘’Agora ele(a) caiu no mundo, e vai fazer tudo que é contrário aos princípios de Jeová: fornicar, beber, fumar, se poluir com o mundo de Satanás.’’

Para uma pessoa que não preza uma vida cristã digna, é claro que vai fazer o que bem entender de acordo com seus desejos carnais. É verdade que muitos dos que se afastam ou são expulsos da congregação das TJs, caem no erro e passam a fazer o que é realmente contrário aos princípios da Bíblia. Mas novamente é importante frisar que não são todos. Muitos que deixam a organização conseguem levar uma vida cristã correta e digna, mesmo que ele(a) não esteja associado a nenhuma instituição religiosa. Você quer saber o segredo disso? O que leva alguém a cair no pecado, após este ter saído ou ter sido expulso daquela corporação, é por que essa pessoa é dependente da religião, para se equilibrar na vida, é preciso alguém para lhe orientar. Não me admira ver, não só ex-TJs, mas ex-adventistas, ex-evangelicos, e assim por diante, cair nos erros do mundo, tal como imoralidade sexual. Já a pessoa que não depende de religião e consegue se equilibrar na vida, pode sim levar uma vida satisfatória. Nós dependemos apenas de nós mesmos, se precisamos de orientação de alguém para fazer alguma coisa, procure. Mas não espere depender desse alguém a vida toda, você precisa construir seu próprio futuro. É dessa forma que muitos que saem de instituições religiosas não caem nos pecados crassos, a menos que dê brecha pra isso.

Pensamento 7 e 8: ‘’Ele(a) saiu da organização. Agora não há outro lugar para ir a não ser ‘Babilônia, a Grande’! Satanás o cegou mesmo! Temos que tomar cuidado para não cairmos também, a Bíblia diz: quem pensa esta de pé acautele-se para que não caia! Pedro respondeu a Jesus: ‘’Para ‘’onde’’ iremos?’’ Se ele saiu da organização de Jeová, abandonando a verdade, pra onde ele irá agora? Não há outro lugar onde se pode obter vida eterna, além da Organização de Jeová!’’

Para uma testemunha de Jeová pensar dessa forma, é por que ela já foi orientada a agir conforme o que lê nas publicações. A Sentinela 15 de Novembro de 1992 pp. 20-21 par. 12, citada no inicio deste artigo é um exemplo disso. Agora, existem 2 detalhes distorcidos nesse tipo de pensamento. O primeiro deles é o que já vimos antes, Jeová não é a organização Torre de Vigia! O segundo é que o raciocínio distorce o texto de João 6:68:

‘’Simão Pedro respondeu-lhe: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna;’’

Não é para ‘’onde’’, e sim para ‘’quem’’ iremos, diz o texto. Essa é uma das manipulações da Torre de Vigia, na tentativa de se exaltar perante os outros. Então não adianta negar que não se consideram superiores a outras religiões. Esse é um exemplo muito claro disso! Para mais informações sobre João 6:68, leia o artigo: https://seguindoaspegadasdaverdade.wordpress.com/2015/10/16/joao-668-para-quem-iremos-ou-para-onde-iremos-qual-e-o-correto/

Conclusão

Então amigos, espero que este artigo o tenha ajudado a refletir sobre assuntos importantes, tal como ficar de olho nas religiões exclusivistas, não generalizar as coisas, antes de saber os fatos. Todos nós, independente de que religião pertencemos, precisamos saber diferenciar as coisas, quando se trata da verdade ou até mesmo de Deus, no caso aqui, consideramos que não é sensato atribuirmos a nossa religião como a única que Deus aprova, isso significa em exaltar a religião e não a Deus.

‘’E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. ‘’ (Mateus 23:12)

Agradeço ao meu grande amigo e irmão em Cristo, Paulo Sávio, que permitiu que eu usasse alguns de seus argumentos que o mesmo enviou por e-mail, e que foram utilizados neste artigo.

Com Quem Está a Verdade?

As Testemunhas de Jeová acreditam que somente elas são detentoras da verdade. Muitas delas, até mesmo dizem: ‘eu nasci na verdade’, ‘conheci a verdade’, ‘minha família esta na verdade’. Se alguma Testemunha optar por sair da Organização, o jargão usado para tal pessoa na maioria das vezes é: ‘Ele(a) abandonou a verdade.’

Observando esse modo das Testemunhas de Jeová de se expressar em relação à ‘’verdade’’, podemos notar facilmente que para eles, a ‘verdade’ é a sua religião, fora dela não existe verdade! Fica mais claro ainda quando notamos das publicações da Torre de Vigia, confira:

 A Sentinela 15/7/2012  p. 10 par. 12;

A Sentinela 1/8/2012 pág. 28;

A Sentinela 1/8/2003 pág. 15-17, paragrafo 19;

A Sentinela 15/7/2002 pág.15-25;

Brochura: Caminho Para a Vida Parte 7;

Ao contrário do verdadeiro conceito bíblico para com a ‘’verdade’’, as Testemunhas de Jeová se apoderaram desse posto, afirmando que ‘’eles são a verdade’’, ‘’a única religião verdadeira’’.

Todavia, o que a Bíblia realmente diz é que a verdade não é uma religião, seja ela qual for, e sim que a verdade é a Palavra de Deus mediante Jesus Cristo.

“… a Lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” (João 1:17)

“Em verdade, em verdade [eu, Jesus] vos digo que o que ouve a minha palavra e crê aquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entra em juízo, pelo contrário já passou da morte para a vida.” (João 5:24)

“Disse, pois, Jesus aos judeus que o haviam crido: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31, 32)

“Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão; mas agora procurais tirar-me a vida, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; isto Abraão não fez.” (João 8:39, 40)

“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6)

“Santifica-os na verdade; a tua palavra [a de Deus] é a verdade.” (João 17:17)

“Eu [Jesus] para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz.” (João 18:37)

“Mas vós não aprendestes assim a Cristo; se é que o ouvistes e fostes instruídos nele, como está a verdade em Jesus.” (Efésios 4:20, 21)

“Pois só há um Deus e só há um mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem, que se deu a si mesmo em resgate por todos – testemunho que se deve dar em seus tempos; para o que eu fui constituído pregador e apóstolo (digo a verdade, não minto), mestre dos gentios na fé e na verdade.” (1 Timóteo 2:5-7)

Cabe a você escolher qual verdade irá seguir!

Por Ex-Testemunha de Jeová

 

Quem é o escravo fiel e discreto?

Vamos fazer uma consideração sobre quem é o ‘escravo fiel e discreto’ mencionado por Jesus em Mateus 24:45-47. Vamos ver também como a organização torre de vigia prega atualmente que esse escravo fiel é uma classe geograficamente localizada e que existe desde 1919, ano em que supostamente Jesus escolheu a organização Torre de Vigia para lhe representar, e que inclui não todos os cristãos, mas apenas alguns homens que residem nos prédios da Watchtower. Iremos analisar á luz das Escrituras sobre o quem é realmente esse escravo!

Entendimento antigo da Torre de Vigia: Charles T. Russell Como o “Escravo Fiel e Discreto”

A organização Torre de Vigia admite hoje que muitos Estudantes da Bíblia ou “Russelitas”, como eram chamados muitas vezes, foram culpados de promover o que equivalia a uma “adoração de criaturas” por seu pastor. Esta adoração era uma consequência natural do que lhes tinha sido ensinado a respeito dele. Ele chegou a ser identificado com o “escravo” ou “servo” fiel de Mateus 24:45-47. A. H. Macmillan disse em seu livro:

“Sempre que outros lhe perguntavam: “Quem é o servo fiel e prudente?”, o irmão Russell costumava responder: “Alguns dizem que sou eu; enquanto outros dizem que é a Sociedade.” Ambas as declarações são verdadeiras; pois o irmão Russell era, de fato, a Sociedade (no sentido mais absoluto), por ele determinar as diretrizes e o rumo da Sociedade. Algumas vezes ele buscava conselho de outras pessoas ligadas à Sociedade, ouvia suas sugestões, e então decidia de acordo com seu melhor julgamento do que ele acreditava que o Senhor queria que ele fizesse.” – A Fé em Marcha, págs. 126, 127 (Grifos acrescentados)

Que Russell era encarado dessa maneira foi reconhecido no livro As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino:

 “O conceito geralmente mantido de que o Pastor Russell era o “servo fiel e sábio” de Mateus 24:45-47 causou considerável dificuldade durante alguns anos. A insistência de que Russell tinha sido “aquele servo” levou muitos a considerar Russell num nível que equivalia realmente a uma adoração de criatura. Eles acreditavam que toda a verdade que Deus tinha de revelar a seu povo tinha sido revelada a Russell, e agora nada mais poderia ser acrescentado porque ‘aquele servo’ estava morto.” As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino, 1959, pág. 69 (Grifos acrescentados).

É importante lembrar aqui que essa atitude em relação a Russell não era só uma opinião que umas poucas pessoas fanáticas haviam formado por si mesmas; isso tinha sido ensinado oficialmente pela Torre de Vigia, como a seguinte citação torna claro:

“Houve alguma resistência por parte daqueles que não eram progressivos e que não tinham uma visão do trabalho que estava por vir. Alguns insistiam em viver no passado, no tempo do Pastor Russell, quando os irmãos em geral o encaravam como o único canal de esclarecimento bíblico. Foi publicado e aceito até 1927, que ele era ‘aquele servo’ de Mateus 24:45.” As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino, página 95 (Grifos acrescentados).

Note-se a declaração de que tinha sido ‘aceito e publicado’ que Russell era ‘aquele servo’ de Mateus 24:45 até 1927 – onze anos depois da morte dele! Mas, havia mais. Ele foi também identificado com o “homem com o tinteiro de secretário” de Ezequiel capítulo 9 e como o “sétimo mensageiro” de Revelação (Apocalipse) 1:20. Neste último versículo mencionado, o glorificado Jesus Cristo é retratado como tendo sete estrelas em sua mão direita o que representava sete “anjos” ou “mensageiros”. Russell era encarado como sendo uma dessas estrelas, a sétima. Argumentou-se que as sete estrelas representavam sete períodos ou épocas durante a era do Evangelho. Em cada um destes períodos, Deus providenciou um mensageiro especial para a igreja terrestre. Russell veio a ser conhecido como o “sétimo mensageiro”. O artigo principal em A Torre de Vigia de Sião de 1º de novembro de 1917, publicado um ano depois da morte de Russell foi intitulado “Um Tributo ao Sétimo Mensageiro”. O artigo disse na página 324:

“O grande drama da era do Evangelho começa com o Apóstolo Paulo como o principal mensageiro, ou anjo da igreja. Ele termina com o Pastor Russell como o sétimo, e último mensageiro da igreja militante. As outras cinco épocas da igreja do Senhor produziram mensageiros nesta ordem: João, Ário, Waldo, Wycliffe e Lutero. Cada um por sua vez forneceu a mensagem que deveria ser entendida durante a época que ele representava. Os dois mensageiros mais proeminentes, porém, são o primeiro e o último: São Paulo e o Pastor Russell.”

Ou seja, segundo esta declaração em A Torre de Vigia de Sião, o Pastor Russell foi mais proeminente até do que o apóstolo João, que recebeu a Revelação, a quem a revista reconhece como um dos doze apóstolos originais de Cristo.

É evidente que este conceito sobre Russell e seus escritos contradiz completamente o que se supunha ser o caráter do chamado “escravo fiel e discreto”. No entanto, este conceito sobre ele foi ensinado pela Torre de Vigia e seus porta-vozes ao longo de quase quarenta anos. O conceito é rejeitado pelas Testemunhas de Jeová de hoje, mas foi considerado como a “Verdade” por muito tempo, e se qualquer Estudante da Bíblia questionasse isso, dizia-se que ele estava em “escuridão espiritual” e essa pessoa era considerada como não tendo a “atitude correta” para com o “canal de Deus”. E ainda se pede às pessoas de hoje que acreditem que Deus estava por trás de tudo isso.

Após a morte de Russell, a organização Torre de Vigia entrou em completa desordem. O “servo fiel e prudente” de Deus se fora. O ‘sétimo e último mensageiro’ para a igreja estava morto. Deve-se notar, também, que dois anos antes, em 1914, o há muito aguardado fim do mundo não havia se concretizado. Muitos Estudantes da Bíblia se afastaram da organização em resultado disso. E, como se não bastasse, uma acirrada luta pelo poder ocorreu na sede da Torre de Vigia. Certos membros da diretoria se opuseram a Rutherford como presidente. A tensão entre o Juiz e os diretores chegou ao auge em 17 de julho de 1917, quando Rutherford lançou para a família de Betel um “sétimo volume” intitulado O Mistério Consumado. Houve um acalorado debate que durou cinco horas, no qual os diretores contestaram se era apropriado a Sociedade produzir outro volume para ser acrescentado aos seis volumes já existentes, escritos pelo Pastor Russell. Rutherford tinha mandado produzir este livro sem consultar o corpo de diretores e eles estavam lívidos. Por fim, eles e os que compartilhavam dos conceitos deles deixaram a organização.

Afirma-se às Testemunhas de Jeová de hoje que esses homens que se opuseram a Rutherford eram iníquos e egocêntricos, sendo “escravos maus”. Do ponto de vista dos Estudantes da Bíblia em 1917, porém, o “servo fiel e prudente” de Mateus 24 estava morto. O “sétimo mensageiro”, o último mensageiro da igreja se fora. Assim, como eles poderiam ser acusados de reagir como reagiram às ações de Rutherford quando da publicação de O Mistério Consumado, uma ação que pareceu extremamente presunçosa para eles? Como poderia algum homem acrescentar alguma coisa à mensagem que já tinha sido transmitida pelo “sétimo mensageiro”? A ira daqueles Estudantes da Bíblia foi gerada por sua lealdade ao “servo fiel e prudente” de Cristo, Charles Taze Russell, uma lealdade muito parecida com aquela que as Testemunhas de Jeová têm hoje para com sua corporação legal, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Aqueles homens estavam só reagindo à situação de uma maneira coerente com suas convicções. Agirem de outra maneira naquelas circunstâncias teria sido incoerente e, do ponto de vista deles, infiel. Dizer o que as Testemunhas de Jeová dizem hoje, a saber, que aqueles homens foram removidos para “purificar a organização” não faz sentido. Ou Russell tinha sido usado conforme fora ensinado a eles, ou não. Ou ele era o verdadeiro canal ou era uma fraude. Eles acreditavam que ele não era uma fraude, e sim que ele realmente tinha sido o servo escolhido de Deus. Por isso, eles optaram por deixar a sede da Torre de Vigia no Betel de Brooklyn (Nova Iorque), em vez de aceitarem a oferta de Rutherford de nomeá-los como “peregrinos” viajantes, uma posição que corresponde aproximadamente à dos “superintendentes viajantes” das Testemunhas de Jeová de hoje.

Entendimento antigo da Torre de Vigia: Surgimento do ‘escravo fiel’ em 33EC,

Esse estilo de apresentação das matérias como um “conjunto de verdades baseadas na Bíblia” tende a intimidar bastante aqueles dentre as Testemunhas de Jeová que começam a ter sérias dúvidas ou mesmo questionamentos sobre os ensinos da Torre de Vigia. Se eles forem críticos em qualquer grau, a liderança os descreverá como tendo uma “má atitude”. Por meio de sua literatura e de seus porta-vozes, a liderança afirma constantemente que os dirigentes são representantes de seu “escravo fiel e discreto”, que é o “canal” de comunicação de Deus com seu povo. Assim, cada pronunciamento que aparece nas publicações da Torre de Vigia é tido como vindo indiretamente do próprio Deus. Por isso, é apropriado examinar a base da alegação de que os que dirigem a Torre de Vigia representam o chamado “escravo fiel e discreto”. O texto usado como base para esta afirmação encontra-se em Mateus 24:45-47:

“Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes o seu alimento no tempo apropriado? Feliz aquele escravo, se o seu amo, ao chegar, o achar fazendo assim! Deveras, eu vos digo: Ele o designará sobre todos os seus bens.’’ (Tradução do Novo Mundo)

A revista A Sentinela de 1º de setembro de 1981 apresenta a interpretação oficial da Torre de Vigia destas palavras de Jesus:

As Testemunhas de Jeová creem que esta parábola se refere à única congregação verdadeira dos seguidores ungidos de Jesus Cristo. A partir de Pentecostes de 33 E.C. e continuando durante os 19 séculos desde então, esta congregação semelhante a um escravo tem alimentado espiritualmente os seus membros, fazendo isso com fidelidade e discrição. A identidade deste “escravo” tornou-se clara especialmente por ocasião do retorno ou da presença de Cristo. O “escravo” é identificável pela sua vigilância e pelo fato de que provê fiel e discretamente alimento espiritual conforme é necessitado por todos na congregação cristã. De fato, este “escravo”, ou a congregação ungida com o espírito, é o instrumento aprovado que representa o reino de Deus na terra no “tempo do fim”. (Dan. 12:4) As Testemunhas de Jeová entendem que o “escravo” é composto por todos os cristãos ungidos como grupo na terra em qualquer tempo determinado durante os 19 séculos desde Pentecostes. Por conseguinte, os “domésticos” são esses seguidores de Cristo como indivíduos. — A Sentinela de 1º de setembro de 1981, página 24.

Então, de acordo com esse ensino, este “escravo” composto teve existência contínua e ininterrupta desde o seu início em 33 EC até o presente momento. Que sempre haveria cristãos genuínos da terra, desde o primeiro século até o fim do mundo é mostrado claramente na parábola ou ilustração de Jesus sobre o trigo e o joio, encontrada em Mateus 13. O trigo – representando os verdadeiros filhos de Deus – foi semeado num campo que é o mundo. O joio – os cristãos de imitação ou falsos – foram semeados depois pelo Diabo. Jesus explicou que estas duas plantações cresceriam juntas até o fim do mundo e, em seguida, no “período de colheita”, os anjos separariam o joio do trigo. O joio seria ajuntado em maços e queimado, o trigo, por sua vez, seria colhido e armazenado. Os cristãos de imitação começaram a se fazer presentes logo depois que a congregação cristã veio a existir. Porém, segundo o ensino da Torre de Vigia, eles nunca conseguiram controlar a classe do “escravo fiel e discreto” – o trigo, que é a verdadeira congregação de Deus na terra.

Ao tratar desse assunto no número de 15 de agosto de 1975, A Sentinela disse:

Notamos que Jesus não disse que o “escravo fiel e discreto” se tornaria desleal. Mas, quanto aos membros individuais desta classe do “escravo”, Jesus apenas indicou a possibilidade de nem todos permanecerem leais, assim como um dos doze, Judas, depois dum começo correto, passou a ser mau… Cristo não permitiria que quaisquer desleais exercessem domínio sobre sua congregação ou a desfizessem, parando a obra que ela faz. Antes, ao fazer uma inspeção, Cristo ‘cortaria abaixo’ a tais, decepando tais pessoas da classe do “escravo fiel e discreto”. — A Sentinela de 15 de agosto de 1975, página 494

Outra revista A Sentinela disse:

Embora o “joio” dominasse o cenário religioso do mundo durante séculos, um pouco do “trigo” estava ativo, e providenciava-se alimento espiritual para os “domésticos”. — A Sentinela de 1º de setembro de 1981, página 26

Deve-se ter em mente que, segundo a interpretação da Torre de Vigia, o trigo significava o “escravo fiel e discreto” existindo continuamente como um grupo — a congregação cristã — todos os fiéis cristãos ungidos pelo espírito na Terra em qualquer momento ao longo da Era Cristã, e não os cristãos dispersos pelo mundo.

O entendimento atual da Organização

Notamos até aqui que a Torre de Vigia teve que fazer diversas mudanças no ensino sobre o ‘’escravo fiel e discreto’’. Atualmente, o Corpo Governante TJ não ensina mais que o escravo era Russel, nem que o ‘’escravo’’ é composto por todos os ungidos, o que é ensinado atualmente é que o ‘’escravo fiel e discreto’’, se limita apenas aos membros do Corpo Governante.

A Sentinela 15 de julho de 2013 p. 22 par. 10

Quem, então, é o escravo fiel e discreto? Em harmonia com o padrão de Jesus de alimentar muitos pelas mãos de poucos, esse escravo se compõe de um pequeno grupo de irmãos ungidos diretamente envolvidos na preparação e distribuição de alimento espiritual durante a presença de Cristo. No decorrer dos últimos dias, os irmãos ungidos que compõem o escravo fiel têm servido juntos na sede mundial. Em décadas recentes, esse escravo tem sido composto do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

Identificando o ‘escravo fiel’ à luz das Escrituras

Observe que Jesus fala sobre a ilustração de estar vigilantes como donos da casa a todos os seus discípulos. (Mateus 24:43-44) Disto concluímos que o escravo era naquele momento os próprios discípulos que atuavam como os donos ou encarregados da casa, de modo que os versos 45-46, mostra que aqueles que depois deles, estivessem conduzindo esta mesma obra, que naquele momento estava sendo conduzida por eles, deveriam estar atentos atuando como escravos fieis e sendo discretos (sábios), não agindo de forma opressiva contra outros dentre seus cooperadores.

 O escravo fiel e discreto já existia no primeiro século, e não se tratava de um corpo de homens sediados em Jerusalém, fornecendo alimento, não, pois o apóstolo Paulo mencionou que já existia um escravo fiel atuando em seus dias, observe:

“Avalie-nos o homem como sendo subordinados de Cristo e mordomos dos segredos sagrados de Deus. Além disso, neste caso, o que se procura nos mordomos é que o homem seja achado fiel (1 Coríntios 4:1-2)

Paulo declara abertamente que um escravo fiel estava já atuando em seus dias, e que sua função era ministração da palavra de Deus, a qual é o alimento para os cristãos. E isso TODOS os cristãos fazem. (Veja Mateus 4:4) Note também que Paulo usa o plural e singular para mencionar que os mordomos devem ser achados como homem fiel. Por exemplo, ao se dirigir aos judeus, Yahweh disse:

“Vós sois as minhas testemunhas”, é a pronunciação de Jeová, “sim, meu servo a quem escolhi” (Isaías 43:10)

Observe que as Testemunhas (coletivo) era seu servo (singular). Note novamente acima as palavras de Paulo onde ele declara que havia um escravo em seus dias, ele menciona da seguinte forma: “Avalie-nos”, “mordomos” e depois diz que o que se procura no mordomo, é que O HOMEM seja achado fiel.  Ora, Paulo esta dizendo que eles atuavam como um escravo fiel e que quaisquer pessoas poderiam fazer esta avaliação.

“Pois sabeis que é de Jeová que recebereis a devida recompensa da herança. Trabalhai como escravos para o Amo, Cristo.” (Colossenses 3:24)

Ademais, ninguém pode negar que o alimento espiritual ministrado pelos primeiros cristãos era algo fornecido num tempo apropriado, visto que era eminente o fim de um sistema no qual os cristãos poderiam ser afetados caso não tivessem sido avisados. Se o escravo fiel não tivesse existido desde o primeiro século, as palavras de Jesus não teria sentido conforme lemos em Lucas 19:11-14:

“Enquanto escutavam estas coisas, contou em adição uma ilustração, porque estava perto de Jerusalém e eles estavam imaginando que o reino de Deus ia apresentar-se instantaneamente. Ele disse, portanto: “Certo homem de nobre estirpe viajou para um país distante, para assegurar-se poder régio e voltar. Chamando dez escravos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: ‘Fazei negócios até eu voltar.’ Mas os seus cidadãos o odiavam e enviaram um corpo de embaixadores após ele, para dizer: ‘Não queremos que este [homem] se torne rei sobre nós.”
Sabemos que na ilustração, Jesus é o homem nobre e o país distante é o céu para o qual Jesus vai até que deva retornar para assumir seu domínio sobre toda a Terra. Os dez escravos evidentemente significa que todos os que aceitaram a Cristo no primeiro século e depois, pois o número 10 muitas vezes significa totalidade. Fazer negócios só pode ser entendido como aumentar os bens do amo, e fazer isso seriam fieis, e equivaleria a cuidar de seus bens, os quais sabemos ser as pessoas as quais devem ser ministradas. Isso é o alimento no tempo apropriado o qual seria ministrado e resultaria num aumento dos bens do amo.

 A pergunta: “Quem é realmente o escravo fiel e discreto?” não era uma pergunta que seria feita no século 20, mas sim uma resposta a pergunta de Pedro que consta em Lucas 12:41.

 “Pedro disse então: “Senhor, dizes esta ilustração a nós ou também a todos?”

Jesus diz: “Mas, o que eu vos digo, digo a todos: Mantende-vos vigilantes” (Marcos 13:37)

Será que Jesus estava aqui falando apenas de uma classe que viria a existir em 1919?

Sobre este mesmo grupo ele disse:

“Os vossos lombos estejam cingidos e as vossas lâmpadas acesas; e vós mesmos sede como homens que esperam pelo seu amo, ao voltar ele do casamento, para que, ao chegar e bater, possam imediatamente abrir-lhe(Lucas 12:35-36)

Óbvio que Jesus falava igualmente dos cristãos do primeiro século, observe como se segue em Lucas 12:37.

“Felizes são aqueles escravos, cujo amo, ao chegar, os achar vigiando!”

Observe em seguida o que Jesus diz em Lucas 12:40.

Vós também, mantende-vos prontos, porque o Filho do homem vem numa hora que não achais provável.”

No texto de Lucas 12:42 Jesus então pergunta quem é o escravo fiel e discreto a quem ele designaria sobre seus domésticos no tempo apropriado? Ora, estes só poderiam ser os cristãos que receberiam a designação mais tardar em pentecostes de 33 EC, com a criação de uma nova nação espiritual.  Estes passariam a alimentar um mundo em fome espiritual, as pessoas viriam até os cristãos para serem alimentados e assim se tornariam servos do amo e compreenderiam que Deus esta com eles. Este escravo estaria atuando como o homem designado de José o qual fora para o Egito. Ele seria o distribuidor de alimento numa época em que as pessoas estariam fome espiritual. (Gênesis 43:1-2; 43:16-17; 47:18-26; Zacarias 8:23)

Portanto, as Escrituras são bem claras em relacionar as palavras de Cristo Jesus com todos os cristãos que se mostrarem fiéis, vigilantes, e que alimentam seus irmãos com as palavras da verdade contida no verdadeiro evangelho que Jesus lhes ordenou que pregassem. O ‘escravo fiel e discreto’ pode ser qualquer um, se será fiel e discreto dependerá de você, por outro lado se não acatar os alertas de Cristo quanto á vigilância, será como o ‘escravo mau’. Nada na Bíblia indica que esse escravo seja apenas um pequeno grupo de homens que só iriam surgir 19 séculos depois. O incentivo aqui para o amigo leitor é: ‘’Certificai-vos de todas as coisas, e apegai-vos ao que é excelente.’’ (1 Tes. 5:21) Fazer isso não custa nada, aliás nos ajuda a termos melhor entendimento das coisas e não cair no engano!

Algumas partes do artigo foram transcritas do indispensável site Mentes Bereanas, deixo aqui os créditos e agradecimentos!

Você também poderá ler toda a matéria do site em que alguns elementos foram usados neste artigo, acesse: http://www.mentesbereanas.org/autoridadeespiritual.html#_ftn2