Minha análise a um artigo da Sentinela

Recentemente no site oficial das Testemunhas de Jeová, a Torre de Vigia publicou online a edição da revista A Sentinela de estudo junho de 2016, um artigo intitulado: ‘’Não deixe os erros de outros afastar você de Jeová.’’ Recomendo você ler este artigo antes de prosseguir na leitura aqui, acesse: https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/a-sentinela-estudo-junho-2016/nao-deixe-erros-de-outros-afastar-voce-de-Jeova/

Leram o artigo? Muito bem! Agora vamos fazer alguns comentários referentes a essa matéria. Você por acaso sabe o porquê a Torre de Vigia publicou este artigo? Notamos que a grande preocupação da organização é a perda de seus membros. Ultimamente o número de TJs tem subido, mas tem caído bastante também. A Torre de Vigia escreveu este artigo para tentar creio eu, de alguma forma segurar membros que talvez se decepcione com sua autoridade eclesiástica, a saber, o Corpo Governante, ou até mesmo aqueles que se desentenda com alguns de seus irmãos de fé. Note que no primeiro parágrafo, eles admitem que não são perfeitos. Ora, sabemos que não! É errado nós querermos esperar perfeição dos outros, pois todos nós temos defeitos!

No segundo paragrafo, a organização tenta destacar a tal ‘’benção’’ que Jeová lhes dá, como o aumento de testemunhas no decorrer dos anos, em especial após 1914. E ainda coloca um texto bíblico para apoia-los nesse sentido. Nos parágrafos seguintes, é ressaltada a questão do amor e da neutralidade. Você sabe por que antes de abordar o tema principal, o Corpo Governante tenta a todo custo pôr qualidades positivas na organização? Para justamente fazer com que a mente daqueles que mesmo no intimo os questiona, possam assim refletir nas coisas boas que sua religião tem produzido.

É a partir do paragrafo 5 que começa a destacar o tema principal. Para começar, a organização chama atenção para as coisas que podem ocorrer dentro da congregação, como desentendimentos, alguma coisa que fulano falou que magoou alguém, e que as pessoas não devem abandonar a congregação por conta disso. Mas vamos refletir um pouco: que igreja esta desprovida dessas coisas? Se alguém conhecer uma igreja que nunca ocorre desentendimentos, me contate, por favor, pois gostaria muito de conhecer.

A partir daí a Organização começa a citar exemplos bíblicos de pessoas ou ocasiões que podem servir de lição nesse sentido. O primeiro exemplo citado foi o sumo sacerdote Eli, e que seus filhos eram maus e não seguia o exemplo do pai, de ser um devoto adorador de Jeová. E por Eli não corrigir seus filhos, Jeová castigou a família toda. O próximo exemplo é o de Davi. A maioria de nós conhecemos bem o que Davi fez, cometeu adultério, assassinou uma pessoa. O exemplo seguinte foi o do apostolo Pedro, que em certos momentos falava coisas que não devia, abandonou Jesus no momento de sua prisão, e ainda o negou três vezes. Em todos esses exemplos, a organização faz a seguinte pergunta:

‘’Você teria parado de servir a Jeová por causa disso?

Vai permitir que esses erros nos afetem a ponto de abandonar Jeová?’’

São tipos de perguntas que realmente fazem sentido. O erro dos outros não devem nos afetar, cada um é responsável pelo que faz, não é mesmo? Mas a questão não se limita apenas a isso, e esses exemplos não se enquadram nos motivos de muitas ex-Testemunhas de Jeová, como eu por exemplo, tivemos para sair da Organização.

Nos parágrafos seguintes, a organização enfatiza a questão desses erros de servos no passado, inculcando na mente das Tjs, que isso não nos deve motivar a abandonar o barco. Mas é interessante o seguinte: Você percebeu que os exemplos citados nos parágrafos 6, 7, 8 e 10, os erros de tais pessoas foram erros pessoais, individual? Nada dos exemplos citados mostra erro em questão de doutrinas. Mesmo por que os ensinamentos, as verdades bíblicas nunca passaram por mudança, a menos que a própria Bíblia relate isso. Por exemplo, vamos pegar a era cristã primitiva, o evangelho ou as boas novas divulgadas pelos apóstolos, passaram por alguma mudança? É evidente que não. Talvez algum TJ cite Atos 1:6 ou outros textos que mostre algum discípulo com expectativas erradas, mas nenhum discípulo pregou tal expectativa. Eles apenas fizeram perguntas e não pregando a outros sobre tais conceitos errados!

O que a organização quer realmente chamar a atenção, é que ninguém deve abandona-la por conta dos erros da sua liderança, o Corpo Governante, muito embora eles não citem isso diretamente. Sabemos, porém, que tanto os membros do Corpo Governante, como nós cometemos erros. Mas erramos em base pessoal! E é nisso que os exemplos citados no artigo se encaixam. Mas note que nos parágrafos 11 e 12 o artigo chama a atenção das testemunhas para exaltar a organização, dizendo que a organização é a única que recebe orientação divina, que os une para pregar no mundo inteiro, e diz ainda que não se deve culpar a Jeová ou a organização pelos erros de seus servos. Dando assim um combustível mental na cabeça das testemunhas, para não rebaixar em hipótese alguma a Organização, é tanto também que em nenhum momento são citados os erros cometidos pela mesma.

Os erros da liderança da Organização que na maioria das vezes tem resultado na perda de membros, não são erros de base pessoal, e sim erros na estrutura doutrinal da religião. Sim, por que tudo, praticamente tudo que o Corpo Governante publica por meio de literaturas, tais como a Sentinela ou Despertai, é encarado como a verdade divina. É tanto que as Testemunhas de Jeová acreditam que essas publicações são providas pelo verdadeiro Deus.

Quem pesquisa assuntos relacionados às Testemunhas de Jeová, sabe que no decorrer de sua história a organização tem falhado em inúmeras doutrinas, tem mudado centenas de ensinos, tudo isso por que tal doutrina anterior estava errada. Esses erros não se encaixam de forma alguma nos exemplos que o artigo da Sentinela citou, mesmo por que nenhum dos personagens citados no artigo ensinou algo que posteriormente mudou. Então você pode perceber que citando tais comparações, (parágrafos 6, 7, 8 e 10) e após isso a organização faz uma exaltação de si mesma, (parágrafos 11 e 12) mostra que o intuito desse artigo é amenizar os erros que a Organização comete em termos de doutrinas! Perceberam que lavagem cerebral eficiente?! Isso pode facilmente convencer pessoas desatentas á verdadeira realidade por detrás da Torre de Vigia.

No paragrafo 13, a organização volta ao aspecto de antes: desentendimentos entre irmãos de fé e ofensas por parte dos mesmos. Todavia, a Sentinela faz a seguinte exortação:

‘’Pior ainda seria deixar os erros de outros enfraquecer nossa fé e nos levar a abandonar a organização de Jeová. Se isso acontecesse, nós perderíamos o privilégio de fazer a vontade de Deus e a esperança de viver no novo mundo.’’ (O grifo é meu)

Note que eles têm que chamar novamente a atenção para a organização, e ainda faz uma ameaça para aqueles que decidam sair: perder o favor de Deus e a vida eterna! No paragrafo 14, destaca que as TJs precisam da Organização para entrar no novo mundo, e que as falhas de outros não nos deve impedir de alcançar essa benção. Como eu já disse antes, os erros em base pessoal de fato se encaixa nisso, mas erros em termos de doutrinas são aí que entra o problema!

Pense um pouco: Como você se sentiria se alguém lhe dissesse que em tal ano, ganharemos uma recompensa inestimável. Mas quando chega o tão aguardado momento, não acontece o esperado, ou pior, antes disso, essa expectativa é mudada pela pessoa que te encheu com esperanças? Com certeza se sentiria decepcionado! Como cristão, eu acredito sim que as promessas de Deus irão se cumprir um dia, e que nossas esperanças não devem sumir, por conta de expectativas falhas, tem até o ditado popular que diz: ‘’a esperança é a última que morre’’. Entretanto, a decepção com algumas coisas na organização não acabam simplesmente por aí, muitas pessoas gastaram tempo e esforço promovendo expectativas que depois se mostraram falhos. E acima de tudo, as pessoas que promoviam acreditavam que Jeová era a fonte de tudo aquilo. Por isso o entusiasmo de muitas testemunhas de Jeová com relação ao fim do mundo declarado pela organização, e supostamente com direção divina, era muito grande! Eu admiro a fé dessas pessoas, contudo, essas pessoas foram enganadas. Mas o apelo que a Organização Torre de Vigia tem feito para com essas pessoas, é deveras absurdo! Eles dizem para não abandonarem a religião por que se assim o fizer, pode perder a vida eterna, que Jeová, apesar dos erros, continua os refinando, os abençoando somente ali naquele ambiente.

É justamente por isso, que a Torre de Vigia recorre desesperadamente a exemplos bíblicos de pessoas no passado, para amenizar os erros cometidos pela mesma. Mas analisando atentamente, e de maneira justa, observamos que tais paralelos não procedem, por que os exemplos bíblicos não foram os mesmos que a organização cometeu. E acredito que um dos motivos de falar sobre magoas, desentendimentos na congregação, é para dar uma suavizada na mente das pessoas que irão ler e estudar tal artigo. Mas, a intensão maior do Corpo Governante é fazer com que as TJs não saiam da Organização por conta de erros, não apenas erros dos irmãos de fé, mas também as falhas de doutrinas cometidas pelo autointitulado ‘’escravo fiel e discreto’’.

Não obstante, o que me incomoda é essa insistência da Torre de Vigia em fazer as Testemunhas de Jeová acreditarem que fora da organização, não se pode ter o favor de Deus. Como se Deus se limitasse apenas aos muros da Torre de Vigia. Ora, a Bíblia deixa bem claro que todos podemos nos achegar ao Criador se assim desejarmos, mesmo se fossemos pessoas que não tem muito conhecimento bíblico. Yahweh mora no coração de cada um, desde que essa pessoa seja alguém que se esforça em ser limpo, e faz aquilo que o agrada. Jesus Cristo nunca disse que precisamos de religião para ganhar a vida, e sim que precisamos crer nele e no seu sacrifício em favor de todos nós. Note: Todos nós! E não apenas um grupo pequeno, pois ele olha para nós individualmente. Então pense nisso!

Por Ex-Testemunha de Jeová

 

Quem é o escravo fiel e discreto?

Vamos fazer uma consideração sobre quem é o ‘escravo fiel e discreto’ mencionado por Jesus em Mateus 24:45-47. Vamos ver também como a organização torre de vigia prega atualmente que esse escravo fiel é uma classe geograficamente localizada e que existe desde 1919, ano em que supostamente Jesus escolheu a organização Torre de Vigia para lhe representar, e que inclui não todos os cristãos, mas apenas alguns homens que residem nos prédios da Watchtower. Iremos analisar á luz das Escrituras sobre o quem é realmente esse escravo!

Entendimento antigo da Torre de Vigia: Charles T. Russell Como o “Escravo Fiel e Discreto”

A organização Torre de Vigia admite hoje que muitos Estudantes da Bíblia ou “Russelitas”, como eram chamados muitas vezes, foram culpados de promover o que equivalia a uma “adoração de criaturas” por seu pastor. Esta adoração era uma consequência natural do que lhes tinha sido ensinado a respeito dele. Ele chegou a ser identificado com o “escravo” ou “servo” fiel de Mateus 24:45-47. A. H. Macmillan disse em seu livro:

“Sempre que outros lhe perguntavam: “Quem é o servo fiel e prudente?”, o irmão Russell costumava responder: “Alguns dizem que sou eu; enquanto outros dizem que é a Sociedade.” Ambas as declarações são verdadeiras; pois o irmão Russell era, de fato, a Sociedade (no sentido mais absoluto), por ele determinar as diretrizes e o rumo da Sociedade. Algumas vezes ele buscava conselho de outras pessoas ligadas à Sociedade, ouvia suas sugestões, e então decidia de acordo com seu melhor julgamento do que ele acreditava que o Senhor queria que ele fizesse.” – A Fé em Marcha, págs. 126, 127 (Grifos acrescentados)

Que Russell era encarado dessa maneira foi reconhecido no livro As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino:

 “O conceito geralmente mantido de que o Pastor Russell era o “servo fiel e sábio” de Mateus 24:45-47 causou considerável dificuldade durante alguns anos. A insistência de que Russell tinha sido “aquele servo” levou muitos a considerar Russell num nível que equivalia realmente a uma adoração de criatura. Eles acreditavam que toda a verdade que Deus tinha de revelar a seu povo tinha sido revelada a Russell, e agora nada mais poderia ser acrescentado porque ‘aquele servo’ estava morto.” As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino, 1959, pág. 69 (Grifos acrescentados).

É importante lembrar aqui que essa atitude em relação a Russell não era só uma opinião que umas poucas pessoas fanáticas haviam formado por si mesmas; isso tinha sido ensinado oficialmente pela Torre de Vigia, como a seguinte citação torna claro:

“Houve alguma resistência por parte daqueles que não eram progressivos e que não tinham uma visão do trabalho que estava por vir. Alguns insistiam em viver no passado, no tempo do Pastor Russell, quando os irmãos em geral o encaravam como o único canal de esclarecimento bíblico. Foi publicado e aceito até 1927, que ele era ‘aquele servo’ de Mateus 24:45.” As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino, página 95 (Grifos acrescentados).

Note-se a declaração de que tinha sido ‘aceito e publicado’ que Russell era ‘aquele servo’ de Mateus 24:45 até 1927 – onze anos depois da morte dele! Mas, havia mais. Ele foi também identificado com o “homem com o tinteiro de secretário” de Ezequiel capítulo 9 e como o “sétimo mensageiro” de Revelação (Apocalipse) 1:20. Neste último versículo mencionado, o glorificado Jesus Cristo é retratado como tendo sete estrelas em sua mão direita o que representava sete “anjos” ou “mensageiros”. Russell era encarado como sendo uma dessas estrelas, a sétima. Argumentou-se que as sete estrelas representavam sete períodos ou épocas durante a era do Evangelho. Em cada um destes períodos, Deus providenciou um mensageiro especial para a igreja terrestre. Russell veio a ser conhecido como o “sétimo mensageiro”. O artigo principal em A Torre de Vigia de Sião de 1º de novembro de 1917, publicado um ano depois da morte de Russell foi intitulado “Um Tributo ao Sétimo Mensageiro”. O artigo disse na página 324:

“O grande drama da era do Evangelho começa com o Apóstolo Paulo como o principal mensageiro, ou anjo da igreja. Ele termina com o Pastor Russell como o sétimo, e último mensageiro da igreja militante. As outras cinco épocas da igreja do Senhor produziram mensageiros nesta ordem: João, Ário, Waldo, Wycliffe e Lutero. Cada um por sua vez forneceu a mensagem que deveria ser entendida durante a época que ele representava. Os dois mensageiros mais proeminentes, porém, são o primeiro e o último: São Paulo e o Pastor Russell.”

Ou seja, segundo esta declaração em A Torre de Vigia de Sião, o Pastor Russell foi mais proeminente até do que o apóstolo João, que recebeu a Revelação, a quem a revista reconhece como um dos doze apóstolos originais de Cristo.

É evidente que este conceito sobre Russell e seus escritos contradiz completamente o que se supunha ser o caráter do chamado “escravo fiel e discreto”. No entanto, este conceito sobre ele foi ensinado pela Torre de Vigia e seus porta-vozes ao longo de quase quarenta anos. O conceito é rejeitado pelas Testemunhas de Jeová de hoje, mas foi considerado como a “Verdade” por muito tempo, e se qualquer Estudante da Bíblia questionasse isso, dizia-se que ele estava em “escuridão espiritual” e essa pessoa era considerada como não tendo a “atitude correta” para com o “canal de Deus”. E ainda se pede às pessoas de hoje que acreditem que Deus estava por trás de tudo isso.

Após a morte de Russell, a organização Torre de Vigia entrou em completa desordem. O “servo fiel e prudente” de Deus se fora. O ‘sétimo e último mensageiro’ para a igreja estava morto. Deve-se notar, também, que dois anos antes, em 1914, o há muito aguardado fim do mundo não havia se concretizado. Muitos Estudantes da Bíblia se afastaram da organização em resultado disso. E, como se não bastasse, uma acirrada luta pelo poder ocorreu na sede da Torre de Vigia. Certos membros da diretoria se opuseram a Rutherford como presidente. A tensão entre o Juiz e os diretores chegou ao auge em 17 de julho de 1917, quando Rutherford lançou para a família de Betel um “sétimo volume” intitulado O Mistério Consumado. Houve um acalorado debate que durou cinco horas, no qual os diretores contestaram se era apropriado a Sociedade produzir outro volume para ser acrescentado aos seis volumes já existentes, escritos pelo Pastor Russell. Rutherford tinha mandado produzir este livro sem consultar o corpo de diretores e eles estavam lívidos. Por fim, eles e os que compartilhavam dos conceitos deles deixaram a organização.

Afirma-se às Testemunhas de Jeová de hoje que esses homens que se opuseram a Rutherford eram iníquos e egocêntricos, sendo “escravos maus”. Do ponto de vista dos Estudantes da Bíblia em 1917, porém, o “servo fiel e prudente” de Mateus 24 estava morto. O “sétimo mensageiro”, o último mensageiro da igreja se fora. Assim, como eles poderiam ser acusados de reagir como reagiram às ações de Rutherford quando da publicação de O Mistério Consumado, uma ação que pareceu extremamente presunçosa para eles? Como poderia algum homem acrescentar alguma coisa à mensagem que já tinha sido transmitida pelo “sétimo mensageiro”? A ira daqueles Estudantes da Bíblia foi gerada por sua lealdade ao “servo fiel e prudente” de Cristo, Charles Taze Russell, uma lealdade muito parecida com aquela que as Testemunhas de Jeová têm hoje para com sua corporação legal, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Aqueles homens estavam só reagindo à situação de uma maneira coerente com suas convicções. Agirem de outra maneira naquelas circunstâncias teria sido incoerente e, do ponto de vista deles, infiel. Dizer o que as Testemunhas de Jeová dizem hoje, a saber, que aqueles homens foram removidos para “purificar a organização” não faz sentido. Ou Russell tinha sido usado conforme fora ensinado a eles, ou não. Ou ele era o verdadeiro canal ou era uma fraude. Eles acreditavam que ele não era uma fraude, e sim que ele realmente tinha sido o servo escolhido de Deus. Por isso, eles optaram por deixar a sede da Torre de Vigia no Betel de Brooklyn (Nova Iorque), em vez de aceitarem a oferta de Rutherford de nomeá-los como “peregrinos” viajantes, uma posição que corresponde aproximadamente à dos “superintendentes viajantes” das Testemunhas de Jeová de hoje.

Entendimento antigo da Torre de Vigia: Surgimento do ‘escravo fiel’ em 33EC,

Esse estilo de apresentação das matérias como um “conjunto de verdades baseadas na Bíblia” tende a intimidar bastante aqueles dentre as Testemunhas de Jeová que começam a ter sérias dúvidas ou mesmo questionamentos sobre os ensinos da Torre de Vigia. Se eles forem críticos em qualquer grau, a liderança os descreverá como tendo uma “má atitude”. Por meio de sua literatura e de seus porta-vozes, a liderança afirma constantemente que os dirigentes são representantes de seu “escravo fiel e discreto”, que é o “canal” de comunicação de Deus com seu povo. Assim, cada pronunciamento que aparece nas publicações da Torre de Vigia é tido como vindo indiretamente do próprio Deus. Por isso, é apropriado examinar a base da alegação de que os que dirigem a Torre de Vigia representam o chamado “escravo fiel e discreto”. O texto usado como base para esta afirmação encontra-se em Mateus 24:45-47:

“Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes o seu alimento no tempo apropriado? Feliz aquele escravo, se o seu amo, ao chegar, o achar fazendo assim! Deveras, eu vos digo: Ele o designará sobre todos os seus bens.’’ (Tradução do Novo Mundo)

A revista A Sentinela de 1º de setembro de 1981 apresenta a interpretação oficial da Torre de Vigia destas palavras de Jesus:

As Testemunhas de Jeová creem que esta parábola se refere à única congregação verdadeira dos seguidores ungidos de Jesus Cristo. A partir de Pentecostes de 33 E.C. e continuando durante os 19 séculos desde então, esta congregação semelhante a um escravo tem alimentado espiritualmente os seus membros, fazendo isso com fidelidade e discrição. A identidade deste “escravo” tornou-se clara especialmente por ocasião do retorno ou da presença de Cristo. O “escravo” é identificável pela sua vigilância e pelo fato de que provê fiel e discretamente alimento espiritual conforme é necessitado por todos na congregação cristã. De fato, este “escravo”, ou a congregação ungida com o espírito, é o instrumento aprovado que representa o reino de Deus na terra no “tempo do fim”. (Dan. 12:4) As Testemunhas de Jeová entendem que o “escravo” é composto por todos os cristãos ungidos como grupo na terra em qualquer tempo determinado durante os 19 séculos desde Pentecostes. Por conseguinte, os “domésticos” são esses seguidores de Cristo como indivíduos. — A Sentinela de 1º de setembro de 1981, página 24.

Então, de acordo com esse ensino, este “escravo” composto teve existência contínua e ininterrupta desde o seu início em 33 EC até o presente momento. Que sempre haveria cristãos genuínos da terra, desde o primeiro século até o fim do mundo é mostrado claramente na parábola ou ilustração de Jesus sobre o trigo e o joio, encontrada em Mateus 13. O trigo – representando os verdadeiros filhos de Deus – foi semeado num campo que é o mundo. O joio – os cristãos de imitação ou falsos – foram semeados depois pelo Diabo. Jesus explicou que estas duas plantações cresceriam juntas até o fim do mundo e, em seguida, no “período de colheita”, os anjos separariam o joio do trigo. O joio seria ajuntado em maços e queimado, o trigo, por sua vez, seria colhido e armazenado. Os cristãos de imitação começaram a se fazer presentes logo depois que a congregação cristã veio a existir. Porém, segundo o ensino da Torre de Vigia, eles nunca conseguiram controlar a classe do “escravo fiel e discreto” – o trigo, que é a verdadeira congregação de Deus na terra.

Ao tratar desse assunto no número de 15 de agosto de 1975, A Sentinela disse:

Notamos que Jesus não disse que o “escravo fiel e discreto” se tornaria desleal. Mas, quanto aos membros individuais desta classe do “escravo”, Jesus apenas indicou a possibilidade de nem todos permanecerem leais, assim como um dos doze, Judas, depois dum começo correto, passou a ser mau… Cristo não permitiria que quaisquer desleais exercessem domínio sobre sua congregação ou a desfizessem, parando a obra que ela faz. Antes, ao fazer uma inspeção, Cristo ‘cortaria abaixo’ a tais, decepando tais pessoas da classe do “escravo fiel e discreto”. — A Sentinela de 15 de agosto de 1975, página 494

Outra revista A Sentinela disse:

Embora o “joio” dominasse o cenário religioso do mundo durante séculos, um pouco do “trigo” estava ativo, e providenciava-se alimento espiritual para os “domésticos”. — A Sentinela de 1º de setembro de 1981, página 26

Deve-se ter em mente que, segundo a interpretação da Torre de Vigia, o trigo significava o “escravo fiel e discreto” existindo continuamente como um grupo — a congregação cristã — todos os fiéis cristãos ungidos pelo espírito na Terra em qualquer momento ao longo da Era Cristã, e não os cristãos dispersos pelo mundo.

O entendimento atual da Organização

Notamos até aqui que a Torre de Vigia teve que fazer diversas mudanças no ensino sobre o ‘’escravo fiel e discreto’’. Atualmente, o Corpo Governante TJ não ensina mais que o escravo era Russel, nem que o ‘’escravo’’ é composto por todos os ungidos, o que é ensinado atualmente é que o ‘’escravo fiel e discreto’’, se limita apenas aos membros do Corpo Governante.

A Sentinela 15 de julho de 2013 p. 22 par. 10

Quem, então, é o escravo fiel e discreto? Em harmonia com o padrão de Jesus de alimentar muitos pelas mãos de poucos, esse escravo se compõe de um pequeno grupo de irmãos ungidos diretamente envolvidos na preparação e distribuição de alimento espiritual durante a presença de Cristo. No decorrer dos últimos dias, os irmãos ungidos que compõem o escravo fiel têm servido juntos na sede mundial. Em décadas recentes, esse escravo tem sido composto do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

Identificando o ‘escravo fiel’ à luz das Escrituras

Observe que Jesus fala sobre a ilustração de estar vigilantes como donos da casa a todos os seus discípulos. (Mateus 24:43-44) Disto concluímos que o escravo era naquele momento os próprios discípulos que atuavam como os donos ou encarregados da casa, de modo que os versos 45-46, mostra que aqueles que depois deles, estivessem conduzindo esta mesma obra, que naquele momento estava sendo conduzida por eles, deveriam estar atentos atuando como escravos fieis e sendo discretos (sábios), não agindo de forma opressiva contra outros dentre seus cooperadores.

 O escravo fiel e discreto já existia no primeiro século, e não se tratava de um corpo de homens sediados em Jerusalém, fornecendo alimento, não, pois o apóstolo Paulo mencionou que já existia um escravo fiel atuando em seus dias, observe:

“Avalie-nos o homem como sendo subordinados de Cristo e mordomos dos segredos sagrados de Deus. Além disso, neste caso, o que se procura nos mordomos é que o homem seja achado fiel (1 Coríntios 4:1-2)

Paulo declara abertamente que um escravo fiel estava já atuando em seus dias, e que sua função era ministração da palavra de Deus, a qual é o alimento para os cristãos. E isso TODOS os cristãos fazem. (Veja Mateus 4:4) Note também que Paulo usa o plural e singular para mencionar que os mordomos devem ser achados como homem fiel. Por exemplo, ao se dirigir aos judeus, Yahweh disse:

“Vós sois as minhas testemunhas”, é a pronunciação de Jeová, “sim, meu servo a quem escolhi” (Isaías 43:10)

Observe que as Testemunhas (coletivo) era seu servo (singular). Note novamente acima as palavras de Paulo onde ele declara que havia um escravo em seus dias, ele menciona da seguinte forma: “Avalie-nos”, “mordomos” e depois diz que o que se procura no mordomo, é que O HOMEM seja achado fiel.  Ora, Paulo esta dizendo que eles atuavam como um escravo fiel e que quaisquer pessoas poderiam fazer esta avaliação.

“Pois sabeis que é de Jeová que recebereis a devida recompensa da herança. Trabalhai como escravos para o Amo, Cristo.” (Colossenses 3:24)

Ademais, ninguém pode negar que o alimento espiritual ministrado pelos primeiros cristãos era algo fornecido num tempo apropriado, visto que era eminente o fim de um sistema no qual os cristãos poderiam ser afetados caso não tivessem sido avisados. Se o escravo fiel não tivesse existido desde o primeiro século, as palavras de Jesus não teria sentido conforme lemos em Lucas 19:11-14:

“Enquanto escutavam estas coisas, contou em adição uma ilustração, porque estava perto de Jerusalém e eles estavam imaginando que o reino de Deus ia apresentar-se instantaneamente. Ele disse, portanto: “Certo homem de nobre estirpe viajou para um país distante, para assegurar-se poder régio e voltar. Chamando dez escravos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: ‘Fazei negócios até eu voltar.’ Mas os seus cidadãos o odiavam e enviaram um corpo de embaixadores após ele, para dizer: ‘Não queremos que este [homem] se torne rei sobre nós.”
Sabemos que na ilustração, Jesus é o homem nobre e o país distante é o céu para o qual Jesus vai até que deva retornar para assumir seu domínio sobre toda a Terra. Os dez escravos evidentemente significa que todos os que aceitaram a Cristo no primeiro século e depois, pois o número 10 muitas vezes significa totalidade. Fazer negócios só pode ser entendido como aumentar os bens do amo, e fazer isso seriam fieis, e equivaleria a cuidar de seus bens, os quais sabemos ser as pessoas as quais devem ser ministradas. Isso é o alimento no tempo apropriado o qual seria ministrado e resultaria num aumento dos bens do amo.

 A pergunta: “Quem é realmente o escravo fiel e discreto?” não era uma pergunta que seria feita no século 20, mas sim uma resposta a pergunta de Pedro que consta em Lucas 12:41.

 “Pedro disse então: “Senhor, dizes esta ilustração a nós ou também a todos?”

Jesus diz: “Mas, o que eu vos digo, digo a todos: Mantende-vos vigilantes” (Marcos 13:37)

Será que Jesus estava aqui falando apenas de uma classe que viria a existir em 1919?

Sobre este mesmo grupo ele disse:

“Os vossos lombos estejam cingidos e as vossas lâmpadas acesas; e vós mesmos sede como homens que esperam pelo seu amo, ao voltar ele do casamento, para que, ao chegar e bater, possam imediatamente abrir-lhe(Lucas 12:35-36)

Óbvio que Jesus falava igualmente dos cristãos do primeiro século, observe como se segue em Lucas 12:37.

“Felizes são aqueles escravos, cujo amo, ao chegar, os achar vigiando!”

Observe em seguida o que Jesus diz em Lucas 12:40.

Vós também, mantende-vos prontos, porque o Filho do homem vem numa hora que não achais provável.”

No texto de Lucas 12:42 Jesus então pergunta quem é o escravo fiel e discreto a quem ele designaria sobre seus domésticos no tempo apropriado? Ora, estes só poderiam ser os cristãos que receberiam a designação mais tardar em pentecostes de 33 EC, com a criação de uma nova nação espiritual.  Estes passariam a alimentar um mundo em fome espiritual, as pessoas viriam até os cristãos para serem alimentados e assim se tornariam servos do amo e compreenderiam que Deus esta com eles. Este escravo estaria atuando como o homem designado de José o qual fora para o Egito. Ele seria o distribuidor de alimento numa época em que as pessoas estariam fome espiritual. (Gênesis 43:1-2; 43:16-17; 47:18-26; Zacarias 8:23)

Portanto, as Escrituras são bem claras em relacionar as palavras de Cristo Jesus com todos os cristãos que se mostrarem fiéis, vigilantes, e que alimentam seus irmãos com as palavras da verdade contida no verdadeiro evangelho que Jesus lhes ordenou que pregassem. O ‘escravo fiel e discreto’ pode ser qualquer um, se será fiel e discreto dependerá de você, por outro lado se não acatar os alertas de Cristo quanto á vigilância, será como o ‘escravo mau’. Nada na Bíblia indica que esse escravo seja apenas um pequeno grupo de homens que só iriam surgir 19 séculos depois. O incentivo aqui para o amigo leitor é: ‘’Certificai-vos de todas as coisas, e apegai-vos ao que é excelente.’’ (1 Tes. 5:21) Fazer isso não custa nada, aliás nos ajuda a termos melhor entendimento das coisas e não cair no engano!

Algumas partes do artigo foram transcritas do indispensável site Mentes Bereanas, deixo aqui os créditos e agradecimentos!

Você também poderá ler toda a matéria do site em que alguns elementos foram usados neste artigo, acesse: http://www.mentesbereanas.org/autoridadeespiritual.html#_ftn2