‘’Boas Novas’’ de hoje era as ‘’boas novas’’ pregadas no 1° século?

A organização Torre de Vigia considera que a pregação feita por seus mais de 8 milhões de membros cumpre a profecia de Jesus em Mateus 24:14:

‘’E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.’’

A organização Torre de Vigia acha que isso a qualifica, e apenas a ela, como a única religião verdadeira na face da terra, a única organização que possui a bênção divina. Mas, será que é assim mesmo? Será que ela detém, de fato, esta exclusividade? Será que as “boas novas” que ela prega são as legítimas boas novas, tal como eram pregadas lá no primeiro século? Estará mesmo conseguindo cumprir, até agora, as palavras de Jesus?

Que Boas Novas São Essas?

A organização Torre de Vigia se jacta de que as boas novas que ela prega são diferentes. Ela procura atribuir à pregação dela algo de especial, inédito e superior a tudo que até a época da Primeira Guerra Mundial se fizera. Explicando a própria pretensão neste respeito, ela diz em A Sentinela de 15 de maio de 1981, página 28, parágrafo 15:

‘’Os que zombam disso talvez queiram minimizar esta realização e enfatizar que os missionários da cristandade, nos séculos passados, chegaram a todos estes lugares antes de surgirem as testemunhas cristãs de Jeová. É verdade! Mas o testemunho do Reino dado pelas Testemunhas de Jeová desde 1914, é algo bem diferente do que os missionários da cristandade divulgaram, tanto antes como desde 1914.’’

E passa a esclarecer, na pagina 29 da mesma revista, as razões desta diferença, entre elas o fato de esta pregação “ocorrer dentro dos últimos dias”, “o estabelecimento do reino de Deus, como realidade, em 1914”, e “um notável derramamento do espírito de Deus, desde 1919, em cumprimento completo de Joel 2:28, 29”. Em resumo, ela crê que suas “boas novas” são a respeito de um reino que se estabeleceu nos céus, de modo invisível aos humanos, no ano de 1914. Afirma ainda, sem comprovação alguma, que a partir de 1919 ocorre o cumprimento completo de Joel 2:28, 29.

Quanto ao primeiro evento, trata-se de interpretação arbitrária dos “sete tempos” de Daniel 4:16, 32, de um sonho que de fato se cumpriu na pessoa do rei Nabucodonosor. Parte alguma da Bíblia diz que haveria um segundo e maior cumprimento nem que estes “sete tempos” eram os “tempos designados das nações” mencionados por Jesus em Lucas 21:24. (Sobre ‘’Os Tempos dos Gentios’’ leia este artigo ) Qualquer ligação entre essas duas passagens carece do principal: apoio das próprias Escrituras. Pela mesma razão, arbitrário e sem fundamento é também o cálculo que coloca o início dos Tempos dos Gentios em 607 AEC (suposta segunda aplicação da loucura de Nabucodonosor), o período de 2520 anos e seu suposto fim em 1914 (a cura do rei e sua volta ao poder).

O segundo evento (profecia de Joel 2:28, 29) também já teve seu cumprimento (no primeiro século), por ocasião de Pentecostes de 33 EC, conforme atestado pelo apóstolo Pedro quando explicava não ser embriaguez as consequências do derramamento do espírito santo em Atos 2:16, 17:

‘’Ao contrário, isto é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: “E nos últimos dias”, diz Deus, “derramarei do meu espírito…”’’

Adicionalmente, é interessante constatar que Pedro, aplicando as palavras de Joel, referiu-se àquele período como já fazendo parte dos “últimos dias”, que a Sociedade afirma só se terem iniciado em 1914, o que seria, segundo ela, mais um fator a conferir às “boas novas” dela uma condição “bem diferente.” (Para mais informações sobre os ‘’últimos dias’’ leia este artigo )

É exatamente com este argumento, como já vimos (Sentinela 15/5/81, página 28, parágrafo 15), que ela procura invalidar a pregação feita pelos missionários da cristandade antes do surgimento das Testemunhas, argumentando que a delas é “bem diferente” das que foram divulgadas “tanto antes como desde 1914.”

Portanto, as razões de as “boas novas” da Torre de Vigia, serem diferentes e serem “algo exclusivo” (Sentinela 15/5/81, página 28, parágrafo 16) não têm nenhuma base sólida nas Escrituras, dependem totalmente de uma interpretação exclusivista do Corpo Governante. Não é de admirar que ela considere sua pregação superior à das igrejas da cristandade por causa de tais motivos.

 As Mesmas do Primeiro Século?

Levando em conta o que acabamos de considerar, deve-se perguntar: Serão essas “boas novas” da Sociedade Torre de Vigia as mesmas boas novas que foram divulgadas pelo primitivo cristianismo, de quem ela se considera continuadora?

Bem, ela mesma reconhece que as dela são “diferentes”. Em A Sentinela de 1o de novembro de 1981, página 17 paragrafo 3 ela destaca:

‘’Compare a pessoa sincera à espécie de pregação do evangelho do Reino feita pelos sistemas religiosos da cristandade, durante todos os séculos, com a feita pelas Testemunhas de Jeová desde o fim da Primeira Guerra Mundial em 1918. Não são iguais. A das Testemunhas de Jeová é realmente “evangelho”, ou “boas novas”, sobre o reino celestial de Deus, estabelecido pela entronização de seu Filho, Jesus Cristo, na fim dos Tempos dos Gentios em 1914.’’

 

Ela conclui, assim, que o “evangelho” dela é o verdadeiro evangelho porque fala do “reino celestial de Deus, estabelecido pela entronização de seu Filho, Jesus Cristo, no fim dos tempos dos Gentios em 1914″. Ou seja, este fato específico faz com que a pregação das Testemunhas seja realmente “boas novas”, segundo o “entendimento” da Sociedade Torre de Vigia.

Todavia, Gálatas 1: 8, 9 adverte:

‘’No entanto, mesmo que nós ou um anjo do céu vos declarássemos como boas novas algo além daquilo que vos declaramos como boas novas, seja amaldiçoado. Como já dissemos, também digo agora novamente: Quem quer que vos esteja declarando como boas novas algo além daquilo que aceitastes, seja amaldiçoado.’’

Portanto, a Bíblia é bem enfática em mostrar que quem declarasse como boas novas algo além daquilo que os cristãos primitivos já tivessem aceitado, deveria ser amaldiçoado. Note bem, poderia até haver muito de correto nestas boas novas, mas se contivessem “algo além” isto seria motivo para maldição. Não se trata de algo de pouca importância ou consequência.

Torna-se, neste ponto, bem evidente que a Torre de Vigia, segundo suas próprias publicações, acrescentou à sua versão das “boas novas” algo que não foi declarado no primeiro século, e que também não aparece nas Escrituras!

As verdadeiras boas novas ou evangelho da Bíblia não chamam a atenção para 1914, ou para qualquer outra data, ou tentam convencer pessoas sobre acontecimentos “invisíveis” ocorridos nos céus, sem para isso apresentar uma firme e inquestionável base nas Escrituras.

De que tratam elas?

A expressão “evangelho” ou “boas novas” ocorre mais de cem vezes nas Escrituras Gregas. E o que elas destacam? Apenas oito vezes ela surge como “boas novas do reino”. Em todos os outros casos a expressão surge como “boas novas acerca do Cristo”, ou termos similares, que mostram que o assunto está ligado a ele, Cristo, sua pessoa, e não primariamente a um governo.

E mesmo quando fala em “boas novas do reino”, este reino está totalmente conectado e inteiramente relacionado ao próprio Cristo; ele, Jesus, é o centro das boas novas! Tanto isto é verdade que ele disse o registrado em Lucas 17:21:

‘’Eis que o reino de Deus está no vosso meio.’’

E o que quis Ele dizer com isto? Nada menos que o próprio Jesus (que naquele momento estava entre eles) é que é o centro, a essência deste reino de Deus! As boas novas tratam do próprio Cristo, seu sacrifício em resgate da humanidade, a reconciliação com Deus, a ressurreição e a vida eterna. É como Paulo declarou em 1 Coríntios 2:2:

‘’Pois decidi não saber coisa alguma entre vós, exceto Jesus Cristo, e este pregado numa estaca.’’

Estas é que são as boas novas, as mesmas que foram pregadas pelas primitivas congregações cristãs, dirigidas pelo próprio Cristo, segundo sua promessa de estar com seus seguidores “todos os dias até a terminação do sistema de coisas” (Mat. 28:20), durante todos os séculos de Pentecostes até agora. A Palavra de Deus não dá apoio ao ensino do Corpo Governante de que as verdadeiras boas novas só começaram a ser pregadas nos últimos 100 anos, muito menos em conexão com as datas de 1914 e 1919.

Se Paulo estivesse ainda hoje na terra certamente poderia aplicar às “boas novas” da Sociedade Torre de Vigia as mesmas palavras que ele escreveu em Gálatas 1:6:

‘’Estou admirado de que estais sendo removidos tão depressa Daquele que vos chamou com a benignidade imerecida de Cristo, para outra sorte de boas novas.’’

Se a condição de ‘única religião da terra aprovada por Deus’ depende da sorte de “boas novas” patrocinada pela Sociedade Torre de Vigia e seu Corpo Governante, tal afirmação passa a ser altamente questionável. Aprovará Deus uma pregação de “boas novas” que foram acrescentadas de “algo além” do que foi declarado pelos apóstolos? (Gálatas 6:1) Reflitam!

Artigo originalmente publicado neste link: www.testemunha.com.br/conteudo.asp?cod=6

 

São as Testemunhas de Jeová fundamentalistas?

Já viu alguma denominação religiosa prever o ‘’fim do mundo’’ para certa data? Ora, nos nossos dias existem muitas religiões que fazem ou já fizeram isso. Conforme, já destaquei neste artigo , nenhuma dessas previsões se cumpriram por que simplesmente a Bíblia Sagrada não nos dar condições de determinar em que data virá o fim. (Mateus 24:36; Atos 1:7)

Com respeito às religiões que previram o fim do mundo, a Torre de Vigia classificam tais religiões como sendo fundamentalistas:

 A Sentinela 1 de abril de 1997 p. 4

’Religiões fundamentalistas muitas vezes procuram tirar da Bíblia o que ela simplesmente não contém: o dia e a hora exatos do fim deste mundo. ‘’

Nesta citação, podemos ver o que o Corpo Governante diz a respeito dessas religiões, a Organização aqui tenta posar como uma religião não fundamentalista. Será isso mesmo? É ai que vem a hipocrisia, as TJs já previram várias datas para o fim, vejamos duas delas:

Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, página 112

’Nesta data a parte terrestre do Reino será reconhecido. O Apostolo S . Paulo, no capitulo onze aos Hebreus, cita os nomes de muitos homens fieis que morreram antes da crucificação do Senhor e antes de iniciar a seleção da igreja. Estes nunca terão parte na classe celestial; eles não têm esperanças celestiais. Mas Deus tem reservado coisas boas para eles. Eles ressuscitarão homens perfeitos e serão príncipes e governadores da terra, de acordo com a Sua promessa. (1—“salmos, 14 :16 ; Isaías, 32 :1 ; S. Matheus, 8 :11) . Portanto, podemos seguramente esperar que 1.925 marcará a volta ás condições de perfeição humana, de Abrahão, Isaac, Jacob e os antigos profetas fieis, especialmente esses mencionados pelo Apostolo no capitulo onze de Hebreus.

 

A Sentinela 1 de janeiro de 1989 p. 12 par. 8

Quão emocionante deve ter sido para Paulo e Barnabé — embarcar para a sua primeira designação no estrangeiro! O apóstolo Paulo servia de ponta de lança na atividade missionária cristã. Ele também lançava o alicerce para uma obra que seria terminada em nosso século 20.

O que será isso? Equívocos? Talvez seja o que os defensores das TJs possam argumentar, citando diversas publicações das quais afirmam que as Tjs não têm o dom da profecia. E não tem mesmo! Alguns defensores das TJs argumentam que em momento algum, nem no passado nem no presente, alguma Testemunha de Jeová afirmou ter revelação divina, e que suas expectativas frustradas jamais foram dito que Deus os guiou nisso. Até mesmo a Organização publicou:

Despertai! 22 de março de 1993 p. 4

As Testemunhas de Jeová, devido ao seu anseio pela segunda vinda de Jesus, sugeriram datas que se mostraram incorretas. Por isso, há quem as chame de falsos profetas. No entanto, nunca nesses casos presumiram que suas predições eram feitas ‘no nome de Jeová’. Nunca disseram: ‘Estas são as palavras de Jeová.’ The Watchtower (A Sentinela), publicação oficial das Testemunhas de Jeová, já disse: “Não temos o dom da profecia.” (Janeiro de 1883, página 425) “Nem desejamos que os nossos escritos sejam reverenciados ou considerados infalíveis.” (15 de dezembro de 1896, página 306) A Sentinela disse também que terem alguns o espírito de Jeová “não significa que os que servem agora como testemunhas de Jeová são inspirados. Não significa que os escritos nesta revista A Sentinela são inspirados e infalíveis e sem erros”. (Setembro de 1947, página 135) “A Sentinela não se diz inspirada em suas pronunciações nem é dogmática.” (15 de agosto de 1950, página 263) “Os irmãos que preparam essas publicações não são infalíveis. Seus escritos não são inspirados assim como eram os de Paulo e dos outros escritores bíblicos. (2 Tim. 3:16) E assim, às vezes, tornou-se necessário corrigir conceitos, conforme o entendimento se tornou mais claro. (Pro. 4:18)”

Vamos ser justos, as TJs estão certas em afirmar que seus escritos não são inspirados, nem infalíveis. Mas a questão não se limita somente a isso. Por exemplo, nesta citação da Despertai!:

 ‘’nunca nesses casos presumiram que suas predições eram feitas ‘no nome de Jeová’. Nunca disseram: ‘Estas são as palavras de Jeová.’’’

Será que a Torre de Vigia esta falando a verdade nessas palavras? Vejamos algumas citações:

 “Então, baseados nas promessas encontradas nas palavras Divinas, chegamos á positiva e indiscutível conclusão de que, milhões que agora vivem jamais morrerão.”Folheto Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, pág. 122

“Esta cronologia não é de homem algum, mas de Deus… o acréscimo de mais provas a remove inteiramente do campo da possibilidade e coloca dentro do da certeza comprovada… a cronologia da verdade atual… não [é] de origem humana” Revista A Torre de Vigia de 15 de julho de 1922, pág. 217 (em inglês)

Será que eles não afirmaram que Jeová era a fonte de suas expectativas? Deixarei que você mesmo tire essa conclusão em base do que vimos até aqui.