Autoridade Centralizada através de um Corpo Governante?

Vieram os sumos sacerdotes e os escribas com os anciãos. Eles lhe disseram: “Dize-nos em virtude de que autoridade fazes isso, ou quem é aquele que te deu esta autoridade?” – Lucas 20:1, 2, Tradução Ecumênica.

 

Autoridade era a questão que estava no centro do conflito entre Jesus Cristo e os líderes religiosos de seus dias. Eles achavam que a autoridade centralizava-se neles próprios, estendendo-se para aqueles a quem eles delegassem. Viam Jesus como ameaça à sua estrutura de autoridade. Viam-no como um intruso, um sedicioso religioso, que minava a posição deles perante o povo. Os ensinos dele eram heréticos e perigosos porque ele não se ajustava às normas estabelecidas pelos anciãos, às interpretações elaboradas pelos instrutores para a comunidade do povo pactuado de Deus. Desde então, a mesma questão surgiu vez após vez ao longo dos séculos. Incrivelmente, pessoas que antes tinham corajosamente resistido à “tirania da autoridade” foram depois, muitas vezes, seduzidas pelo apelo ao que parece “prático” do ponto de vista humano, ou pela oportunidade que isso oferece de dominar os outros. Quando isto ocorre, a verdade é substituída por raciocínios ilusórios e plausibilidade. A consciência cede à conveniência. A integridade é substituída pelo pragmatismo e pela ideia de que o fim justifica os meios.

 

Durante os anos 1975 e 1976, a organização das Testemunhas de Jeová passou por um período turbulento, que levou à completa reestruturação da cúpula da administração central da organização. O controle monárquico da sociedade civil pelo presidente foi substituído pelo controle por um colegiado, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová (Veja Crise de Consciência, capítulo 4). Que existiu autoridade na congregação cristã eu não questiono, pois as Escrituras usam claramente o termo. Mas que tipo de autoridade, para realizar o quê, e com que limites? Textos ficam vindo à mente:

Mas vocês não devem ser chamados “rabis”; um só é o Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos… Tampouco vocês devem ser chamados “chefes”, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo. Como sabeis, os chefes das nações as mantêm sob seu poder, e os grandes, sob seu domínio. Não deve ser assim entre vós. Pelo contrário, se alguém quer ser grande entre vós, seja vosso servo (Mateus 23:8, 10, NVI – Mateus 20:25, 26, TEB).

 

Quanto mais penso, mais convencido fico de que nada que alterasse esse relacionamento de irmãos poderia ser genuinamente cristão. Qualquer título ou posição oficial que, por si, ponha alguns num nível espiritual diferente dos outros, ou de algum modo infrinja o direito exclusivo do Filho de Deus como único Mestre e Instrutor dos seus seguidores, deve ser, creio, um desvio do espírito do cristianismo. Que dizer das designações encontradas nas Escrituras Cristãs, tais como “pastor”, “instrutor”, “profeta”, “ancião” e outras? Parece evidente que todas estas efetivamente descreviam, não cargos ou posições oficiais numa estrutura de autoridade, mas serviços a serem prestados à comunidade dos irmãos ou qualidades e habilitações pessoais a serem usadas em benefício dos outros.

 

A autorização que tais pessoas tinham para prestar esses serviços não fazia deles cabeças espirituais sobre seus irmãos, pois “a cabeça de todo homem é o Cristo”, e ninguém mais (1 Coríntios 11:3; confira 1 Coríntios 12:4-11, 27-31). Esses serviços, qualidades e habilidades tinham como alvo ajudar as pessoas a “crescer” como cristãos maduros, não as fazer permanecer como crianças espirituais e mentais, constantemente dependentes de outros que pensem por eles, tomem decisões por eles, levando-os assim a serem facilmente conduzidos de um ensino mutável para outro (Confira Efésios 4:11-16; 1 Coríntios 3:1-3; Hebreus 5:12-14). Tinham de ser como crianças em sua relação com Deus e Cristo, não com os homens. O objetivo de se associarem em congregações era promover seu crescimento como pessoas maduras, homens e mulheres “plenamente desenvolvidos”, que não precisam e nem reconhecem nenhuma liderança espiritual a não ser a de Cristo (Mateus 18:3; 23:9; 1 Coríntios 14:20; 16:13; Efésios 4:14).

 

O apóstolo, escrevendo a Timóteo, descreveu a comunidade cristã em termos de uma relação familiar. (1 Timóteo 5:1, 2) Os irmãos que eram anciãos na idade e na experiência cristã podiam corretamente servir de modo similar ao do irmão mais velho da família. Para ilustrar, na ausência do chefe da família, seus filhos mais velhos podiam encarregar-se de fazer a família cumprir as instruções deixadas por ele, incentivá-la a obedecer aos desejos e instruções dados. Mas esses filhos mais velhos jamais poderiam agir como se fossem o chefe da família, o dono da casa, como se eles próprios tivessem o direito de estabelecer regras de conduta para a família além das já estabelecidas pelo chefe. Tampouco poderiam legitimamente esperar ou exigir a deferência e a submissão que pertenciam a ele, o chefe. Assim seria na família ou casa cristã, que tem a Cristo como Cabeça e Amo, com as instruções que ele mesmo deu, quer pessoalmente, quer através dos apóstolos que escolheu (1 Coríntios 11:3; Efésios 4:15, 16).

 

O Corpo Governante fundamenta sua autoridade no ensino de que o próprio Cristo tinha instituído esta estrutura centralizada de autoridade. Conforme declara A Sentinela de 15 de março de 1990 (páginas 11 e 12):

 

Embora a família de Deus seja composta coletivamente de todos os cristãos ungidos, há abundante evidência de que Cristo escolheu um pequeno número de homens dentre a classe-escravo para servir como corpo governante visível.

 

O artigo prossegue afirmando que de início os doze apóstolos formavam este “corpo governante” e que:

 

No mais tardar por volta do ano 49 EC, o corpo governante fora ampliado para incluir, não só os apóstolos remanescentes, mas também vários outros anciãos de Jerusalém. (Atos 15:2)… Cristo, o Cabeça ativo da congregação, usou este corpo governante ampliado para resolver o importante assunto doutrinal quanto a cristãos não judeus serem ou não circuncidados e se submeterem à Lei de Moisés.

 

No todo a afirmação é que depois que a congregação cristã ultrapassou os limites de Jerusalém e da Judéia, esse corpo governante atuou organizado como centro de autoridade, exercendo sua direção a partir de Jerusalém sobre todas as congregações do primeiro século. Não existe na história bíblica nem na religiosa algo que apoie tal afirmação. A “abundante evidência” a que se refere A Sentinela simplesmente não existe. Das declarações diretas e vigorosas de Paulo em sua carta aos Gálatas, ficou claro que ele não considerava Jerusalém como o centro administrativo divinamente designado sobre toda a atividade congregacional da terra. Se este “corpo governante” designado por Cristo tivesse existido, Paulo teria, após sua conversão, certamente entrado em contato com ele de imediato, submissamente buscando sua orientação e direção, especialmente tendo em vista a pesada responsabilidade que Cristo lhe conferira de ser “apóstolo para os gentios” (Atos 9:15; Romanos 11:13).

 

Se este “corpo governante” tivesse existido, Paulo certamente se teria preocupado em coordenar sua obra com a de seus membros. Deixar de harmonizar sua obra com o “corpo governante” designado por Cristo e submeter-se à direção dele teria sido uma séria “falta de respeito pela ordem Teocrática”. Cristo, porém, absolutamente nada disse a Paulo (Saulo) sobre ir a Jerusalém. Em vez de mandá-lo de volta a Jerusalém, de onde Paulo acabara de vir, Cristo o enviou a Damasco. Ele deu as instruções que tinha para Paulo por meio de um morador de Damasco chamado Ananias, que obviamente não era membro de um “corpo governante” sediado em Jerusalém (Atos 9:1-17; 22:5-16). Logo no início de sua carta aos Gálatas, o próprio Paulo esforçou-se em deixar claro que seu apostolado e sua orientação espiritual não vinham de homens ou por meio deles, incluindo especificamente os apóstolos em Jerusalém (Gálatas 1:1, 10, 11). Ressaltou o fato de que, após sua conversão, não recorreu a nenhuma sede mundial de autoridade humana, dizendo:

 

Não entrei imediatamente em conferência com carne e sangue. Tampouco subi a Jerusalém, aos que eram apóstolos antes de mim, mas parti para a Arábia e voltei novamente a Damasco [na Síria] (Gálatas 1:16, 17).

 

Foi só três anos depois que Paulo fez uma viagem a Jerusalém. E ele afirma especificamente que nessa época viu apenas Pedro e o discípulo Tiago, mas não viu nenhum outro apóstolo durante os quinze dias que ali passou. Ele não estava, portanto, num “curso de anciãos na sede mundial”, recebendo instruções em algum tipo de sessão diária dirigida por um “corpo governante”. Temos uma ideia da seriedade com que ele encarava este assunto quando disse: “eis que não estou mentindo à vista de Deus” (Gálatas 1:18-20). Depois, Paulo estabeleceu base em Antioquia, não em Jerusalém. Realizou jornadas missionárias e quem o enviou foi à congregação de Antioquia, não a de Jerusalém. Embora estivesse relativamente próximo de Jerusalém (Antioquia fica na região costeira da Síria), passou-se longo período de tempo antes que Paulo tivesse motivo ou ocasião para voltar àquela cidade. Como ele diz:

 

“Daí, quatorze anos depois, subi novamente a Jerusalém, com Barnabé, tomando também comigo a Tito. Mas, subi em resultado de uma revelação” (Gálatas 2:1, 2).

 

Pela descrição dada, isto pode ter sido na época do concílio sobre a circuncisão e a observância da lei, registrado em Atos, capítulo 15. Paulo afirma ter ido então a Jerusalém apenas “em resultado de uma revelação”. Isto mostra que os cristãos não olhavam costumeira e rotineiramente para Jerusalém como a sede da autoridade centralizada para todas as congregações cristãs, o lugar onde se resolviam as questões de toda e qualquer espécie. Foi preciso uma revelação divina para que Paulo fizesse esta viagem especial até lá. O relato de Atos, capítulo 15, mostra por que Jerusalém era o lugar lógico onde tratar deste assunto específico. Em ponto algum, o relato indica que Jerusalém era sede de algo como um corpo administrativo internacional. Ao invés, foi primariamente por ter sido a própria Jerusalém a fonte do desconcertante problema que Paulo e Barnabé tinham encontrado em Antioquia, onde serviam. Tudo estava relativamente calmo em Antioquia até que “homens de Jerusalém” desceram e causaram problemas, insistindo que os cristãos gentios deviam ser circuncidados e guardar a Lei (Atos 15: 1, 2, 5, 24).

 

A congregação cristã tivera início em Jerusalém. A Judéia, com sua capital Jerusalém, era onde a firme adesão à guarda da lei prevalecia mais intensamente entre as pessoas que professavam o cristianismo. Essa atitude ainda perdurou por anos após a realização deste concílio especial (Gálatas 2:11-14; Atos 21:15, 18-21). Os causadores do problema em Antioquia eram homens estabelecidos em Jerusalém. Estes fatores fizeram de Jerusalém o local natural para o debate e a solução desse problema específico. A presença dos apóstolos divinamente escolhidos era obviamente um fator de peso. Todavia, essa circunstância desapareceria à medida que os apóstolos morressem sem deixar sucessores, ninguém com dons e autoridade apostólicos. De modo que a situação em meados do primeiro século envolvia fatores que não eram de natureza permanente ou contínua, e assim eles simplesmente não são aplicáveis à nossa época. Além disso, resta o fato de que mesmo quando os apóstolos estavam vivos, e em Jerusalém, o apóstolo Paulo claramente não via esse corpo apostólico em Jerusalém como um “corpo governante” no sentido de um centro administrativo internacional, a “sede de uma organização”. Bem, agora eu pergunto, será que o corpo dos apóstolos e outros anciãos da congregação de Jerusalém convocaram Paulo e Barnabé para dizer-lhes: “Olhem aqui! Soubemos que vocês dois partiram em viagem missionária e a terminaram sem aparecer aqui em Jerusalém para nos prestar relatório. Sabem quem somos nós? Nós somos o Conselho de Jerusalém. Não reconhecem a chefia do Senhor Jesus Cristo? Se não aparecerem aqui depressa, vamos tomar uma ação disciplinar contra vocês!” É isto o que diz o relato? Bem, se eles tivessem agido dessa maneira com relação a Paulo e Barnabé, ambos enviados pelo espírito santo, então este conselho dos apóstolos em Jerusalém e outros anciãos da congregação judaica ter-se-ia colocado acima da chefia do Senhor Jesus Cristo.

 

As expressões “conselho de Jerusalém” ou “corpo apostólico” são, na realidade, muito mais exatas que a expressão “corpo governante” para descrever aquilo que efetivamente existiu e ocorreu em Jerusalém. O registro, de fato, indica que não foi um pequeno grupo de homens com autoridade administrativa especial que se reuniu em sessão secreta para tomar uma decisão. Antes, o registro indica uma assembleia de considerável tamanho dos anciãos de Jerusalém, com a congregação inteira eventualmente expressando sua aprovação com respeito, no mínimo, a certos pontos da decisão tomada. As circunstâncias ali nem de longe recordam o arranjo atualmente em vigor dentro da organização das Testemunhas de Jeová e de seu Corpo Governante com sede em Brooklyn. A Sentinela de 15 de março de 1990 manipula de modo gritante a evidência para ajustá-la à tese que defende. Na página 10 ela exibe uma gravura do suposto “corpo governante do primeiro século” com apenas dezenove ou vinte homens presentes. Fala também (na página 12) que Cristo acrescentou “vários outros anciãos de Jerusalém” ao corpo governante. Mas o relato de Atos capítulo 15 indica que os anciãos em sua totalidade estavam presentes ao concílio realizado, e não apenas “vários deles”, pois menciona consistentemente os “apóstolos e os anciãos” sem limitar seu número. Umas 3.000 pessoas tinham sido batizadas em Pentecostes, e não muito depois disso apresenta-se o número de crentes como “cerca de cinco mil”. (Atos 2:41; 4:4) Isso foi evidentemente no ano 33 a.D. Quão razoável é acreditar que 16 anos mais tarde, em 49 a.D., houvesse apenas um pequeno punhado de anciãos em Jerusalém? Certamente o seu número teria lotado a sala retratada na gravura de A Sentinela. Isso, porém, não se harmonizaria ao conceito de um “pequeno número de homens” formando um corpo governante, tal como os que agora formam o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, sediado em Brooklyn.

 

Fica claro que o evento único e isolado do concílio de Jerusalém (registrado em Atos, capítulo 15) não é prova da existência de um corpo governante com autoridade abrangente sobre os cristãos do mundo todo. A congregação de Antioquia agiu sem consultar Jerusalém ou obter sua aprovação. Analisando a posição daquela época, parece claro que se tivesse existido um “corpo governante” como corpo administrativo central da congregação primitiva, devia então haver alguma evidência disso além daquela única reunião em Jerusalém. Em parte alguma das Escrituras vemos isto.

 

Em nenhum dos escritos de Paulo, Pedro, João, Lucas, Judas ou Tiago vê-se algum indício de que homens em Jerusalém, ou qualquer corpo centralizado de homens exercessem supervisão e controle sobre o que se passava nos muitos outros lugares onde havia cristãos. Nada que indique que as atividades de Paulo, Barnabé, Pedro ou quaisquer outros fossem exercidas sob controle e supervisão de um “corpo governante”. Quando os judeus se rebelaram contra o domínio imperial romano e Jerusalém foi destruída em 70 a.D., onde, daí em diante, passou a funcionar o suposto “corpo governante” cristão? Mais uma vez, seria razoável que houvesse pelo menos algum indício disto, se este era mesmo um arranjo de Deus, se este corpo administrativo centralizado era o instrumento divino de Cristo Jesus para dirigir sua congregação em toda a terra.

 

Os únicos escritos bíblicos subsequentes à queda de Jerusalém são evidentemente os do apóstolo João. Ele aparentemente escreveu todos por volta do final do século, décadas, portanto, após a destruição de Jerusalém. Nenhuma de suas cartas dá o menor indício de um corpo administrativo central funcionando entre os cristãos de seus dias. No livro de Revelação, suas visões mostram Cristo Jesus enviando mensagens a sete congregações da Ásia Menor. Em nenhuma destas mensagens há indício de que estas congregações estavam sob algum controle exterior senão o do próprio Cristo. Não há sinal de que Ele as dirigisse por meio de um “corpo governante” terrestre visível. Os escritos dos primitivos autores cristãos do segundo e terceiro séculos estão disponíveis para consulta, mas estes também nada revelam que indique a existência de uma administração central que supervisionasse as numerosas congregações cristãs. A história desse período revela algo bem diferente. Mostra que a base desta autoridade centralizada foi fruto de um desenvolvimento pós-apostólico e pós-bíblico. Por um processo gradual que levou séculos, isto veio a resultar num tipo de controle centralizado mediante uma liderança organizacional visível, que se ajusta ao conceito da Torre de Vigia sobre um “corpo governante”.

 

Esta matéria foi retirada das páginas 384-389 do livro: ‘’Tudo o que você sempre quis saber sobre as testemunhas de Jeová mas tinha medo de perguntar’’

As Transfusões de Sangue Violam o Ensino da Bíblia?

O leitor rapidamente se aperceberá da importância com que as Testemunhas de Jeová tentam promover o seu conceito de que as transfusões são “alimentar-se de sangue” quando se olha para as citações avançadas como apoio Bíblico. As quatro citações principais são as seguintes:

Gên. 9:3,4 – “Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.”
Lev. 17:10 – “Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que comer algum sangue, contra ele me voltarei e o eliminarei do seu povo.”
1 Sam. 14:31-35 – “Não pequeis contra o SENHOR, comendo com sangue.”
Atos 15:20-29 – “Que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados.”

Será que alguém realmente acredita que Deus estava falando de um procedimento que só surgiu no século XX? Note que todas as citações se referem a comer animais com sangue ou beber sangue de animais, como os pagãos tinham a inclinação de fazer. Não existe qualquer referência a sangue humano.

No código sacrificial da Lei de Moisés, Deus deu um significado para o sangue de animais (Lev. 17:10-11). O sangue deveria ser eliminado quer por aspersão ou derramado. Com isto Deus estava ensinando a necessidade de uma vida ser dada para “expiação pelos pecados”. O sangue primariamente apontava para Jesus Cristo que daria a sua vida pelos pecados da humanidade (Heb. 9:11-15). Deus também estabeleceu uma lei sobre a gordura dos animais, porque a gordura tinha um significado religioso também – “gordura nenhuma nem sangue jamais comereis” (Lev. 3:17).

Porque as Testemunhas não têm igualmente leis restringindo o consumo de gordura? Claramente este uso indiscriminado de uma passagem da lei sacrificial de Israel para apoiar a sua posição mostra uma inconsistência flagrante como também uma aplicação errada de “comer sangue”. Os judeus têm tentado obedecer à letra a Lei de Moisés se tratando de “comida” (carne completamente sem sangue). No entanto vemos que a maioria das Testemunhas de Jeová não têm problemas em comprar carne no talho/açougue, onde a carne muita dela pode não estar devidamente drenada de sangue como requeria a lei, e isto porque eles aplicam maioritariamente essas leis ao sangue humano devido às transfusões.

A LEI DE DEUS DADA A NOÉ

Em Génesis 9:3-4 nós encontramos a citação onde as Testemunhas baseiam a sua teoria:

“Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento… carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis”.

No seu livro Blood, Medicine and the Law of God(Sangue, Medicina e a Lei de Deus) eles fazem o seguinte comentário:

“A lei que Deus deu a Noé tornou ilegal o consumo de sangue, ou seja o seu uso como alimento ou para sustentar a vida. Já que isso é errado no caso de sangue de animais, é ainda mais repreensível no caso de sangue humano”.

“Esta lei não se originou na Lei de Moisés, só foi repetida e enfatizada lá. A proibição de sangue não era somente uma lei sobre a dieta dos judeus – é aplicável a toda a humanidade que é descendente de Noé” (p. 6-7).

Isto levanta duas questões que necessitam resposta:

1. O fato de que a lei estava em força antes da Lei de Moisés torna-a compulsória para todos os descendentes de Noé?

Resposta: Não! A circuncisão também foi dada antes da Lei de Moisés e não estava vigente sobre as outras nações. Uma situação semelhante existia na distinção entre carne pura e impura praticada por Noé. De fato quando surgiu a questão do que os judeus deveriam fazer com um animal que não tinha sido sangrado, Deus disse:

“Não comereis nenhum animal que morreu por si [daí, com sangue]. Podereis dá-lo ao estrangeiro que está dentro da tua cidade, para que o coma, ou vendê-lo ao estranho” (Deut. 14:21)
Com isto notamos que a proibição dada a Noé estava limitada a Israel. Isto era assim devido à necessidade de respeitar o sangue em relação ao seu código sacrificial.

2. A Lei está em vigor hoje para os crentes?

Resposta: Temos certeza que até as Testemunhas concordam que a Lei de Moisés e a lei da circuncisão não estão em vigor para os crentes de hoje. Porque eles persistem em um elemento da Lei relativa ao sangue?

“Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência” (Paulo em 1 Coríntios 10:25).

Isto claramente mostra que com o cumprimento da Lei de Moisés em Cristo Jesus o código sacrificial que lhe estava associado não era mais necessário. Para qualquer Testemunha se agarrar às antigas leis em face de tão claro testemunho é negar as palavras de Paulo. Se os Cristãos podem comer qualquer carne (até com sangue) eles podem aceitar transfusões de sangue com igual liberdade de consciência.

ATOS 15:20-28

A outra citação restante que é usada pelas Testemunhas e que precisa ser comentada é esta:

“Pareceu bem ao espírito santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados…”.
O comentário da Torre de Vigia é o seguinte:

“Isto é um mandamento para se abster do sangue, que não era somente uma restrição relativa à dieta, mas um requerimento moral importante.” (Jehovah’s Witnesses and the Question of Blood(As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue), p.12).

A confusão surge da palavra “essenciais”. Isto afinal eram mandamentos ou recomendações? Que estas restrições sobre dieta não eram assunto de salvação se torna óbvio quando consideramos as palavras de Paulo nas seguintes passagens:

Carne oferecida a ídolos:

“No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus” (1 Cor. 8:4).

“Não é a comida que nos recomendará a deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos” (1 Cor. 8:8).

Sangue e carne de animais sufocados:

“Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência” (Paulo em 1 Coríntios 10:25).

Claramente Paulo ensinou que os crentes não eram aferrados pela “carne oferecida a ídolos” ou por essa carne com sangue. A razão para a recomendação em Atos 15:28 era a natureza sensível da relação entre judeus e gentios que foram unidos pelo Evangelho de Cristo. Os judeus trouxeram com eles os seus hábitos e tradições alimentares e ficavam ofendidos com o hábito dos gentios de comerem qualquer carne, mesmo com sangue.

Assim como era errado aos judeus exigir aos gentios que guardassem a Lei de Moisés (Atos 15:5 – comparar com o versículo 24) assim também era errado que os gentios causarem escândalo aos seus irmãos judaicos ao comerem carne com sangue na sua presença, sem respeito pelos seus hábitos antigos. Paulo escreveu assim sobre este tema:

“E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo” (1 Cor. 8:13).

“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (1 Cor. 10:23).

Isto coloca em perspectiva a passagem em Atos 15:28. Não era um mandamento para todos ou para sempre, era meramente uma recomendação para que os gentios convertidos a Cristo se refreassem de causar ofensa desnecessária. Note a razão que acompanhou a recomendação:

“Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam” (Atos 15:21).

Era necessário exercitar discrição para evitar ofender os irmãos judeus. Nos nossos tempos não temos esse problema e a “necessidade” não mais se aplica. Era uma recomendação para aquela época em especial quando os judeus e gentios juntos aceitaram Jesus.

Você notará que o argumento é sobre assuntos de alimentação – não transfusões de sangue!

Em todas as leis dadas por Deus a Israel havia sabedoria benéfica. A distinção entre carnes impuras e puras, circuncisão, abluções e o tratamento de leprosos ilustram que as leis de Deus foram feitas para a boa saúde da nação (em um tempo em que a higiene era deficiente). As leis de Deus são sempre benéficas e sugerir que Deus daria uma lei que fizessem com que as pessoas morressem quando existem métodos para ajudá-las é negar a Sua sabedoria e a consistências das Suas leis.

Não somente as Testemunhas de Jeová deturpam os fatos médicos do caso como também impiedosamente aplicam para fim indevido as Escrituras para apoiarem a sua doutrina preconcebida.

 

Esta matéria foi transcrita deste site, os créditos por sua autoria pertencem a ele: http://boasnovasreinodeus.blogs.sapo.pt/21411.html