“Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão ou TALVEZ Jamais Morram?” Mostrando a desonestidade

Já perguntou para uma Testemunha de Jeová de hoje se ela conhece um discurso chamado: Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão? Pouquíssimas delas conhecem, ou já ouviram falar nesse discurso. Pois bem, o que eu pretendo fazer nesse artigo, não é tocar na questão do que foi ensinado nesse discurso, irei sim falar um pouco sobre o que os Estudantes Internacionais da Bíblia entendiam naquela época. Mas, a ênfase principal que irei abordar aqui é o que a Torre de Vigia fala nos dias de hoje sobre esse assunto! Recentemente uma leitora que não se identificou como Testemunha de Jeová me enviou um e-mail, criticando quanto a minha postura dos assuntos que já abordei aqui. Em sua crítica, ela disse que eu só focalizava o passado da organização, um passado que não mais voltará, ela também disse que devemos viver o presente e olhar o futuro. Bem, em parte eu concordo com essa leitora, o passado ficou lá pra trás, mas o que ela e muitos TJs que possuem esse mesmo conceito não percebem, é que a Organização quando vai falar do seu passado, ela distorce os fatos. Vou colocar aqui o exemplo do discurso Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, e veja que embora esse assunto seja do passado, a maneira como o Corpo Governante expõe esse assunto faz com que no mínimo eles não têm nenhum pouco de humildade, mesmo quando eles afirmam ter quando ajustam os conceitos que mostram ser falsos com o tempo!

 

Como a Torre de Vigia expõe aos seus fieis sobre o seu passado?

São muitos exemplos dos quais se encaixariam nesse aspecto, mas vamos falar somente do discurso Milhões. O que esse discurso realmente ensinava? O livro Testemunhas de Jeová: Proclamadores do Reino de Deus admite o seguinte:

 

Testemunhas de Jeová Proclamadores do Reino de Deus cap. 7, pág. 78

“Abrahão, Isaac e Jacob . . . e outros fiéis antigos”, dizia lá em 1920, em inglês, o folheto Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, “podemos esperar em 1925 a volta [dentre os mortos] desses homens . . . ressurgindo . . . à perfeição humana”. Não só se esperava a ressurreição dos homens fiéis da antiguidade em 1925, mas alguns esperavam que os cristãos ungidos recebessem sua recompensa celestial naquele ano.

Então notamos aqui que um dos assuntos principais que o discurso Milhões que posteriormente se transformou em folheto dizia que, em 1925 os patriarcas e fieis antigos voltariam à ressurreição, e que também os Estudantes da Bíblia esperavam sua recompensa celestial.

 

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Livro: Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão

Veja o que diz outra publicação:

Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976 diz na pág. 146:

“Veio e foi-se o ano de 1925. Os seguidores ungidos de Jesus ainda estavam na terra como classe. Os homens fiéis da antiguidade — Abraão, Davi e outros — não foram ressuscitados para se tornarem príncipes na terra. (Sal. 45:16) Assim como recorda Anna MacDonald: “1925 foi um ano triste para muitos irmãos. Alguns deles tropeçaram, suas esperanças foram despedaçadas. Tinham esperado ver alguns dos ‘antigos dignitários’ [homens da antiguidade, como Abraão] serem ressuscitados. “Ao invés de isso ser considerado uma ‘probabilidade’, leram que era uma ‘certeza’, e alguns se prepararam para seus próprios entes queridos, na expectativa de sua ressurreição.”

Uma probabilidade? Será mesmo? O que esse anuário pretende inculcar na mente das TJs é que os Estudantes da Bíblia não deveriam ler o assunto envolvendo 1925 como uma certeza absoluta, e sim uma possibilidade muito grande de ocorrer. Mas será que a culpa foi dos Estudantes da Bíblia?

As expectativas para 1925 que foram apresentadas no folheto Milhões e em outras publicações incluíam:

  • O fim da Cristandade
  • A transformação da terra num paraíso
  • A ressurreição dos mortos para viver na terra
  • O restabelecimento dos judeus na Palestina

Estes ensinos foram apresentados como sendo “de Deus” e 1925 foi proclamado como uma data “estabelecida definitivamente nas Escrituras”, conforme mostram os trechos que seguem extraídos de publicações lançadas às vésperas daquele ano:

 

“Então, baseados nas promessas encontradas nas palavras Divinas, chegamos á positiva e indiscutível conclusão de que, milhões que agora vivem jamais morrerão.”Folheto Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, pág. 122

 

“Esta cronologia não é de homem algum, mas de Deus… o acréscimo de mais provas a remove inteiramente do campo da possibilidade e coloca dentro do da certeza comprovada… a cronologia da verdade atual… não [é] de origem humana” Revista A Torre de Vigia de 15 de julho de 1922, pág. 217 (em inglês)

 

A data 1925 é ainda mais distintamente indicada pelas Escrituras, porque é fixada pela lei que Deus deu a Israel. Em vista da atual situação na Europa, alguém poderia se perguntar como é possível conter a explosão por muito mais tempo; e que mesmo antes de 1925 a grande crise chegará ao auge e provavelmente terá passado.” Revista A Torre de Vigia de 1º de setembro de 1922, pág. 262  (em inglês)

 

Nosso pensamento é que 1925 está estabelecido definitivamente nas Escrituras. Quanto a Noé, os cristãos agora têm muito mais sobre o que basear sua fé do que Noé tinha sobre o que basear a dele na vinda do dilúvio.” – Revista A Torre de Vigia de 1º de abril de 1923, pág. 106  (em inglês)

 

Não podemos ser censurados por apresentar, com base nas Escrituras, uma evidência que nos permite acreditar que um determinado evento ocorrerá em certo momento. Algumas vezes o Senhor permitiu que seu povo esperasse a coisa certa na hora errada, e mais frequentemente eles aguardaram coisas erradas na hora certa. Mas todos os inimigos da causa da verdade atual na terra esperam fervorosamente que os Estudantes da Bíblia não serão tão bem-sucedidos assim em 1925 em esperar a coisa certa na hora certa como o foram em 1914. Se eles forem, no entanto, serão os outros associados que terão o que explicar, não nós.” – Revista A Idade de Ouro de 13 de fevereiro de 1924, pág. 314 em inglês.

 

O ano de 1925 é uma data definitiva e claramente marcada nas Escrituras, ainda mais claramente do que a 1914.” – Revista A Torre de Vigia de 1924, pág. 211  (em inglês).

 

“A Bíblia e “A Bíblia em Pedra” [a Grande Pirâmide de Gizé] fornecem a data de 1914: para o início da grande mudança. A história prova que o processo de expulsão começou pontualmente na hora certa. A profecia indica que 1925-1926 verá a maior parte da expulsão concluída. Todos os estadistas do mundo estão temendo os próximos anos.” – Livro O Caminho Para o Paraíso (1924), pág. 171 em inglês.

 

“Quando você se dedicar a um estudo mais avançado da Bíblia, descobrirá que o ano de 1925 AD é marcado particularmente na profecia.”Livro O Caminho Para o Paraíso, pág. 220 em inglês.

 

Sem dúvida, muitos meninos e meninas que leem este livro viverão para ver Abraão, Isaque, Jacó, José, Daniel e aqueles outros homens fiéis do passado surgirem na glória de sua “melhor ressurreição”, perfeitos na mente e no corpo. Não levará muito tempo para que Cristo os nomeie para seus postos de honra e autoridade como seus representantes terrestres.” Livro O Caminho Para o Paraíso, pág. 226 em inglês.

 

Pode-se comparar a declaração do Anuário de 1976 com o que as publicações, citadas na amostra acima, realmente diziam sobre 1925. O que significam as frases “positiva e indiscutível conclusão”, “prova”, “evidência com base nas Escrituras”, “certeza comprovada”, “sem dúvida”, “distintamente indicada” / “estabelecido definitivamente” / “definitiva e claramente marcada” nas Escrituras? Que pessoa normal entenderia cada uma dessas frases como expressando nada mais que uma “probabilidade”?

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O erro grave cometido

A Torre de Vigia ensinava para seus membros na época que antecedia 1925, que nesse ano se cumpriria profecias, tais como a ressurreição dos patriarcas, o fim do sistema e o inicio do reinado de Cristo na terra, e dizia ainda que milhões dos que viviam naquela época jamais iriam morrer, conforme o título do discurso enfatizava claramente. Os membros da Organização fizeram uma campanha que ficou conhecida como ‘’campanha dos milhões’’, e divulgaram essa mensagem para todos os que puderam ouvir.

 

Testemunhas de Jeová Proclamadores do Reino de Deus, cap. 28 p. 632

No discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”, proferido por J. F. Rutherford em 21 de março de 1920 no Hippodrome, na cidade de Nova Iorque, dirigiu-se atenção ao ano de 1925 […] isso significaria que a humanidade havia entrado numa era em que a morte deixaria de ser dominadora, e milhões que então viviam podiam ter a esperança de nunca desaparecer da Terra por causa da morte. Que feliz perspectiva! Embora equivocada, eles ansiosamente partilharam-na com outros.

 

 

Esse foi o maior erro da Organização! Pregar mentiras! Embora para os fieis isso não fosse assim, perguntamos: quem foi que criou essas expectativas? Quem incentivou os Estudantes da Bíblia a pregarem essa mensagem, promovendo até mesmo uma grande campanha? Quem foi o responsável pela profecia a respeito de 1925? A luz do que já consideramos até aqui, sabemos muito bem que quem criou essa falsa esperança foi a Organização Torre de Vigia, e não os Estudantes da Bíblia individualmente. A Organização e sua liderança desconsideraram o que Jesus disse aos discípulos que perguntaram sobre quando seria estabelecido o seu Reino:

(Atos 1:6, 7) . . .Tendo-se eles então reunido, perguntavam-lhe: “Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?” 7 Disse-lhes ele: “Não vos cabe obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tem colocado sob a sua própria jurisdição. . .

 

 

A Torre de Vigia distorce o que realmente aconteceu naquela época

 

Se você tem o CD-ROM da Sociedade Torre de Vigia, pesquise nas publicações mais recentes sobre o discurso Milhões! Você irá encontrar distorções do que realmente aconteceu. Algumas vezes, a Torre de Vigia manipula o sentido da mensagem justamente para amenizar o erro cometido por eles! Veja só:

 

 

 

A Sentinela 1 de maio de 1980 p. 26 par. 14

Em 24 de fevereiro de 1918, no meio da Primeira Guerra Mundial, J. F. Rutherford, como presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.) proferiu um discurso público em Los Angeles, na Califórnia, E. U. A . Intitulava-se “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”. Após a Primeira Guerra Mundial, a matéria deste espantoso discurso foi publicada em forma de livro. Esta apresentação dava ênfase a que haveria na terra pessoas de disposição justa, que seriam poupadas com vida durante o vindouro dia da ira de Deus. Sobreviveriam para a nova ordem de Deus e teriam a oportunidade de nunca morrerem na terra transformada em paraíso.

 

Observe aqui a data, o local e o nome do discurso! Agora compare com essa Sentinela que foi publicada apenas 4 anos depois:

 

A Sentinela 1 de janeiro de 1984,  pp. 17-18 par. 3

Homens e mulheres deste século 20 foram alertados a esta esperança notável no domingo, 24 de fevereiro de 1918, em Los Angeles, Califórnia, EUA. Ali, pela primeira vez, o então presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) proferiu o discurso público intitulado: “O Mundo Terminou . . . Milhões Que Agora Vivem Talvez Jamais Morram.” Isto se deu no mesmo tempo em que a Primeira Guerra Mundial, que havia envolvido os Estados Unidos da América, estava chegando ao seu clímax.

 

Notaram? A data e o local são o mesmo, mas o título do discurso mudou. Eles colocaram o advérbio ‘’talvez’’, para por uma condição, uma probabilidade. Mas será que existia esse ‘’talvez’’ no discurso de Rutherford? Veja só uma Sentinela recente que tocou nesse assunto:

A Sentinela 15 de fevereiro de 2010  pp. 15-16 par. 8

Os seguidores ungidos de Cristo já fazem o convite desde 1918. Naquele ano, o discurso público “Milhões que agora vivem talvez jamais morram” apresentou a esperança de que muitos ganharão a vida eterna numa Terra paradisíaca depois da batalha do Armagedom.

 

Na página seguinte dessa mesma revista, encontramos no alto da página a seguinte foto:

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Observe que aqui está mostrando uma prova oficial da época. Observe o nome do discurso! Encontramos o anúncio do discurso de Rutherford:

‘’THE WORLD HAS ENDED: Millions Now Living Will Never Die’’

Tradução: ‘’O MUNDO ACABOU: Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão’’

 

Não existe a palavra ‘’talvez’’ nesse anúncio, justamente na mesma revista que no paragrafo 8 mostra o discurso de forma diferente! As TJs a quem foi dirigido esse artigo não sabem o que realmente dizia o discurso, e mais ainda, esse detalhe da foto passa despercebido a um leitor desatento. O ‘’talvez’’ inserido no discurso não passa de uma falácia que tem como objetivo enganar. Se eles não colocassem o ‘’talvez’’, as pessoas a quem estava sendo dirigido o artigo da Sentinela poderiam estranhar, por que eles já estavam em 2010 (Ano em que essa Sentinela foi publicada), e as pessoas que viveram antes de 1918 (ano que o paragrafo chama atenção) já morreram, eu sei que ainda existem algumas vivas hoje, mas não são milhões.

A Organização Torre de Vigia prefere esconder aquilo que foi um dos seus maiores fracassos! Não admitem aos seus membros atualmente para não manchar o nome da Organização, e não perder a confiança dos adeptos no seu ‘’belo’’ escravo fiel e discreto. Eu pergunto: isso é humildade? É verdade que eles não pregam mais essa mensagem do discurso Milhões atualmente, mas por que distorcer os fatos quando vai tocar nesse assunto hoje? Não é mais bonito para alguém que se diz representar o Soberano Universal falar do imenso fracasso que aconteceu naquela época? E o que dizer da competência do escravo fiel e discreto das Testemunhas de Jeová, que diz alimentar seus domésticos com alimento de qualidade? Ao observarmos a qualidade desse alimento desde a sua suposta inspeção em 1919, iremos notar facilmente alimento estragado, que criou expectativas erradas para muitas pessoas que após o fracasso, muitas perderam a fé até no Criador, como se ele realmente fosse responsável pelos erros de homens orgulhosos! Lamentável!

Então, em resposta a leitora que suscitou a pergunta sobre falar do passado da organização, é justamente isso! A organização esconde o passado, não fala a verdade completa dele. Só fala aquilo que lhe é favorável, que não a coloca em posição comprometedora, para que assim as pessoas achem que essa Organização só tem coisa boa, que é a única aprovada por Jeová, que é humilde em corrigir os erros. Mas como vimos e provamos através das próprias publicações da Torre de Vigia, é que ela manipula e distorce os fatos, essa é que é a dura realidade! Acredite quem quiser!

Agradecimentos por certas partes do artigo ao site Mentes Bereanas no link: http://www.mentesbereanas.org/milhoesqueagoravivem.html

 

 

Questão do Sangue

Conhecendo um pouco desse dogma fortemente imposto às TJs

 

sangue

 

A organização ensina que a transfusão de sangue é o mesmo que comer sangue, porque se assemelha à alimentação intravenosa. De acordo com isso a Torre de Vigia proíbe transfusões de sangue para os seus seguidores. Uma Testemunha de Jeová que aceite transfusão de sangue é sem dúvida intimada para comparecer perante uma Comissão Judicativa para ser julgada, a portas fechadas, pela violação “da lei de Deus”. A punição, se a pessoa for considerada culpada, é a “desassociação”, por meio da qual o indivíduo é evitado pela própria família e amigos, que são proibidos até mesmo de cumprimentar o ofensor.

 

As Testemunhas de Jeová são muito radicais neste assunto. Elas preferem morrer a aceitar uma transfusão para repor o sangue perdido em uma operação ou acidente. E fazem o mesmo com respeito a seus filhos menores. A maioria das testemunhas carrega uma plaqueta em suas bolsas ou no pulso, afirmando a sua recusa em receber sangue e instruindo o pessoal médico de emergência a não administrar uma transfusão de sangue se a testemunha de Jeová estiver inconsciente. Esta plaqueta é um documento legal, assinado pela Testemunha de Jeová!

 

As Testemunhas de Jeová reconhecem que a sua é a única religião que se posiciona contra a transfusão de sangue, embora não ocorra a elas que este fato é, em si mesmo, a demonstração que a sua doutrina não se baseia realmente na Bíblia. Ninguém mais, que tenta seguir a Bíblia como um guia para sua vida, proíbe a transfusão de sangue – e mesmo a Torre de Vigia não havia promulgado esta doutrina até 1945.

 

Exemplos de proibições médicas no passado

 

A maioria das Testemunhas de Jeová ignora que a sua liderança, no passado, introduziu outras proibições médicas, mudando de ideia mais tarde. Em 1967, por exemplo, eles proibiram o transplante de órgãos. Os seguidores deveriam preferir a cegueira a aceitar um transplante de córnea, ou morrer a se submeter a um transplante de rim. Mas, depois, em 1980, os líderes reverteram este ensinamento permitindo os transplantes novamente. Para vocês verem o tipo de luz que segundo a Torre de Vigia, ela clareia mais e mais. No ano de 1949, os editores da revista Consolação (atualmente Despertai!) pareciam demonstrar bom senso, dando o devido crédito àquilo que chamavam de ‘maravilhas da cirurgia’, a saber, os transplantes de órgãos. A edição de 22 de Dezembro, em uma matéria intitulada “Poupe partes de seu corpo”, dizia:

 

“…Transplantes de órgãos [são] maravilhas da cirurgia moderna.”

 

De modo semelhante, uma matéria publicada cerca de 13 anos depois, em A Sentinela de 1 de Fevereiro de 1962, pág. 96, concluía:

 

“Há alguma coisa na Bíblia contra se doar os olhos (após a morte) para serem transplantados numa pessoa viva? A questão de se colocar o corpo ou parte do corpo à disposição dos homens da ciência ou dos médicos, após a morte, para experiências científicas ou para transplantação em outros, não é vista com bons olhos por certos grupos religiosos. Entretanto, não parece haver nenhum princípio ou lei bíblica envolvida. É, portanto, algo que cada pessoa deve decidir por si mesma.”

 

Após alguns anos, a Torre de Vigia passou a proibir as Testemunhas de Jeová de realizarem um transplante:

 

“Será que há alguma objeção bíblica a que se doe o corpo para uso na pesquisa médica ou que se aceitem órgãos para transplante de tal fonte?… Aqueles que se submetem a tais operações vivem às custas da carne de outro humano. Isso é canibalesco…Jeová não deu permissão para os humanos tentarem perpetuar suas vidas por receberem canibalescamente em seus corpos a carne humana, quer mastigada quer na forma de órgãos inteiros ou partes do corpo, retirados de outros.”

A Sentinela de 1/6/1968, pág. 349,350

 

Nada menos que 13 anos se passariam antes que a Sociedade Torre de Vigia, finalmente, revisse seu grave equívoco, na edição de 1 de Setembro de 1980 de A Sentinela, pág. 31:

 

“Deve a congregação tomar ação quando um cristão batizado aceita o transplante dum órgão humano, tal como a córnea ou um rim? No que se refere ao transplante de tecido ou osso humano para outro, é um caso de decisão conscienciosa de cada uma das Testemunhas de Jeová…É um assunto para decisão pessoal.”

 

 

Pergunte-se o leitor, o que aconteceu às Testemunhas de Jeová – ou a seus filhos pequenos – quando, neste lapso de tempo (1967 – 1980), uma cirurgia de transplante foi indicada como única alternativa para salvar uma vida? Caso o adepto decidisse seguir à risca as instruções de sua ‘mãe espiritual’, o que aconteceria? Apenas imagine quantas pessoas devem ter morrido por seguir esta regra absurda entre os anos de 1967 a 1980. O que teria motivado esta atitude insana? Assemelha-se isso a homicídio? As respostas não parecem difíceis.

 

Além disso, entre a década de 20 até a década de 50, as testemunhas de Jeová recusaram aceitar as vacinações para si mesmas e para seus filhos porque a organização ensinava que: “A vacinação é uma violação direta da aliança eterna estabelecida por Deus…” (The Golden Age, 04/ 02/31, p.293). Veja outras citações:

 

“A vacinação é uma violação direta do pacto eterno que Deus fez com Noé após o dilúvio. Muito provavelmente existe alguma conexão entre a violação do sangue humano [vacinas] e a difusão de demonismo…e imoralidade sexual.”

A Idade de Ouro de 4/2/1931, pág. 293 (em inglês)

“Pessoas ponderadas prefeririam ter varíola em vez de serem vacinadas, porque as vacinas propagam as sementes da sífilis, cancros, eczema, erisipelas, scrofula, tuberculose, até a lepra e muitas outras doenças nojentas. Portanto, a prática da vacinação é um crime, um ultraje, e um engano.”

A Idade de Ouro de 1/5/1929, pág. 502 (em inglês)

“A vacinação nunca preveniu qualquer coisa e nunca prevenirá, é a prática mais bárbara que há… Usem seus direitos como cidadãos Americanos para abolir para sempre a prática demoníaca das vacinas.”

A Idade de Ouro de 12/10/1921, pág. 17 (em inglês)

 

Embora as testemunhas de Jeová tentem citar as Escrituras para apoiar a sua posição contra a transfusão de sangue, a razão real desta posição é a obediência cega à Sociedade Torre de Vigia. Se a organização suspender esta proibição amanhã, as Testemunhas de Jeová aceitarão livremente as transfusões, da mesma forma que fizeram vista grossa quando foi liberada a vacinação em 1952 e permitido o transplante de órgão em 1980. Ainda assim perguntamos: Será que o Espirito Santo de Deus realmente dirige essa Organização?

 

 

Textos usados para supostamente proibir transfusões de sangue

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Gênesis 9:4

Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis (Imprensa Bíblica Braseira).

 

Levítico 7:26,27

E não deveis comer nenhum sangue em qualquer dos lugares em que morardes, quer seja de ave, quer de animal. Toda alma que comer qualquer sangue, esta alma terá de ser decepada do seu povo (Tradução do Novo Mundo).

 

Este texto é frequentemente citado para apoiar a proibição da Torre de Vigia a transfusões de sangue. Embora o versículo proíba especificamente os israelitas de comer sangue de ave ou de animal, as Testemunhas de Jeová ampliam o seu significado para incluir a ministração médica de sangue humano para salvar a vida – um sentido, obviamente, não imaginado por Moisés quando registrou as palavras de Deus. Levítico discorre por muito tempo sobre as ordenanças divinas quanto ao sacrifício de animais pelos sacerdotes judeus, e o sangue era parte importante nestes sacrifícios como um prenúncio do precioso sangue do nosso Salvador, o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo.

 

Qualquer tentativa de ler estes versos como uma legislação profética sobre os prós e contras dos procedimentos médicos modernos ignora totalmente o contexto da passagem. Quando discutir Levítico 7:26,27 com uma Testemunha de Jeová, você pode abordar o fato de que os judeus ortodoxos de hoje, que ainda observam com muito escrúpulo as regras sobre a preparação de alimentos de acordo com as leis judaicas e sobre carne com sangue e como matar os animais que servirão de alimento, não têm nenhuma objeção à transfusão de sangue.

 

Portanto, o texto hebraico original não dá o menor indício da interpretação que a Torre de Vigia lhe atribui. Se a Testemunha de Jeová ainda insistir que deve recusar a transfusão de sangue com base em Levítico 7:26,27, o próximo passo seria mostrar-lhe Levítico 3:17 que diz “… não deveis comer nenhuma gordura nem sangue algum “ (Tradução do Novo Mundo). Peça à Testemunha de Jeová para lhe explicar por que os líderes da Torre de Vigia ordenam que ela recuse transfusão de sangue, mas permitem que coma gordura. Não estariam simplesmente tirando as palavras do contexto das leis sobre a dieta dos judeus?

 

Atos 15:28,29

Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: 29 de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós!”

 

As Testemunhas de Jeová usam este versículo, juntamente com regulamentos dietéticos do Antigo Testamento, para sustentar a proibição de sua organização contra transfusão de sangue. Elas veem a passagem acima como uma lei de Deus, estendendo a proibição dietética judaica sobre as congregações cristãs futuras. Mas a igreja primitiva tratava esta carta apostólica como uma determinação permanente? Obviamente, a idolatria é permanentemente proibida, mas e a respeito dos outros preceitos mencionados na carta? E a respeito de se oferecer carne aos ídolos? Paulo discutiu este assunto demoradamente em sua Primeira Carta aos Coríntios, indicando que “um ídolo nada é” e que “não somos piores se não comermos, nem melhores se comermos”. Ele argumenta contra comer tal carne, quando isto se torne um obstáculo para os novos crentes que apenas recentemente abandonaram a adoração idólatra. (Veja 1 Cor. 8:1-13.)

 

Mas, geralmente, os cristãos são livres para comer “de tudo quanto se vende no mercado, nada perguntando por causa da consciência” e para comer “de tudo o que puser diante de vós” na casa de incrédulos (I Cor. 10:25-27). Desse modo, a parte da carta de Atos 15 que se refere a carnes oferecidas aos ídolos não deve ter sido vista como uma determinação permanente. Não existem fundamentos, então, para se afirmar que a declaração acerca do sangue tem força hoje também. Mas, mesmo que tenha, as Escrituras estão referindo-se a dieta alimentar, e não a transfusão de sangue. Tomar uma regulamentação dietética e estendê-la ao ponto de negar um processo médico para se salvar a vida de um homem à morte é fazer como os judeus fariseus que ficaram furiosos quando Jesus curou um homem no sábado (Luc.6:6-11). Imagine os anciãos das Testemunhas de Jeová interrogando um paciente em um hospital e desassociando-o posteriormente porque aceitara uma transfusão de sangue. Nós facilmente poderíamos imaginar os fariseus fazendo a mesma coisa – mas agiria Jesus dessa forma?

 

Frações de sangue

Começando no final dos anos 40, a organização declarou inicialmente a proibição absoluta de aceitar sangue sob qualquer forma, quer total quer em frações. Então, com o passar dos anos, ela acrescentou novas normas, que entravam cada vez mais nos aspectos técnicos da questão.

 

As mais recentes regras referentes às frações do sangue são as apresentadas na Sentinela de 15 de junho de 2000, págs. 29-31 e 15 de junho de 2004, págs. 14-24, 29-31, e no livro Mantenha-se no Amor de Deus, págs. 215-218. Estas regras abordam uma nova definição do que pode ser permitido em relação aos componentes do sangue. Alega-se agora que quatro “componentes primários” – glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas e plasma – são proibidos, mas as “frações” derivadas de todos os quatro “componentes primários” são permitidas. O quadro que segue apresenta basicamente a posição atual da organização acerca do uso do sangue:

 

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Esta posição, especificando elementos do sangue “Inaceitáveis” (parte superior) e elementos classificados sob “O Cristão Deve Decidir” (parte inferior), é esboçada na revista A Sentinela de 15 de junho de 2004 e no livro Mantenha-se no Amor de Deus.

 

Isto quer dizer que as partes do sangue liberadas em artigos anteriores podem agora ser apresentadas como meras “frações” do plasma. A façanha óbvia é que as partes do sangue anteriormente aprovadas (globulinas, albumina, fator de coagulação VIII, etc.) podem ser reduzidas em significância, em comparação com os glóbulos brancos e vermelhos e as plaquetas. Assim, a inconsistência da posição anterior em fazer uma distinção arbitrária entre os vários componentes do sangue é agora removida para as Testemunhas que confiam submissamente. A Sociedade tinha dificuldade em lidar com essa inconsistência quando era desafiada. A solução para seu dilema necessariamente tinha de envolver novos componentes, tais como “fragmentos” de glóbulos brancos e vermelhos e plaquetas, mencionados especificamente. Essa tolerância, agora expressa claramente, teria estado fora de cogitação antes. Já que um glóbulo vermelho do sangue refinado na forma de hemoglobina liberada de sua membrana está bem a caminho – PolyHeme, Hemospan e Hemopure, para citar alguns dos produtos prometidos – a nova posição da Sociedade pode ter consequências de longo alcance para as Testemunhas.

 

Logo elas poderão receber o que, para todos os fins práticos, constitui glóbulos vermelhos do sangue. Com exceção da recente liberação para diversos novos componentes, o entendimento de “componentes primários” versus “frações” não tinha feito qualquer diferença quando os componentes do sangue anteriormente permitidos foram liberados gradualmente. Só agora isso é usado como uma racionalização. Em vez disso, muitas outras explicações tinham sido dadas, uma das quais era claramente inválida e algumas das quais, se levadas à sua conclusão lógica, eliminariam todas as objeções ao uso clínico do sangue.

 

A referência a “Lucas 6:1-5” na Sentinela de 1º de dezembro de 1978, página 31, era particularmente desastrosa. O texto refere-se a Davi e seus homens, que comeram pães proibidos – não algumas frações permitidas deles, mas pães inteiros! Se isso pudesse ser convertido em algum componente sanguíneo, certamente poderia legitimar o uso de todos os componentes e até de sangue integral. Como mostra o relato bíblico sobre Davi e seus homens, a necessidade, e não a quantidade era o fator determinante na época. [Que a Torre de Vigia ainda considera válido o argumento da Sentinela de 1º de dezembro de 1978 é evidente pelo fato de que ainda faz referência a ele em 2004 (veja a seção “Perguntas dos Leitores” na Sentinela de 15 de junho de 2004, pág. 30).]

 

A nova posição desde 2000 é arbitrária e está em desarmonia com os fatos. Por um lado, alega-se que a Bíblia proíbe receber os “componentes primários”, mas as “frações” deles são permitidas, já que a Bíblia “não fornece detalhes” (A Sentinela de 15 de junho de 2000, pág. 30; 15 de junho de 2004, pág. 30). Porém, já que a Bíblia não fala de “componentes primários” mais do que fala sobre “frações”, este argumento é falso. Na verdade, seria mais lógico permitir até os chamados “componentes primários” e erguer a linha divisória para a posição entre eles e o sangue integral. Por outro lado, uma razão constantemente apontada quando se proíbe o uso clínico do sangue é alegar que o único uso aprovado do sangue era para a expiação no altar. Alega-se que o sangue pertence a Deus. Mas isso é convenientemente esquecido quando se declara que o uso das “frações” do sangue é permitido! Mas seria difícil aceitar qualquer uso secular de algo que pertence exclusivamente a Deus, porque isso seria o mesmo que usar propriedade roubada! Um carro roubado é um carro roubado e o roubo não seria mais tolerável se o carro for separado em “componentes primários”, a saber, o motor, a carroceria e a transmissão, e daí separado de novo em “frações” tais como carburador, pistões, capô, portas e eixo de direção. Só no caso de o carro não ser roubado é que alguém teria o direito de usá-lo ou vender suas peças. E se o carro não é roubado, todas as partes, tanto as grandes como as pequenas, podem ser devidamente separadas e usadas à vontade.

 

Assim, se as “frações” do sangue podem ser permitidas, certamente os “componentes primários” e até o sangue integral pode também! Ademais a classificação que a Torre de Vigia faz dos “componentes primários” não parece estar de acordo com o que diz a ciência médica moderna. Isso não é de admirar, pois a albumina, o Fator VIII e IX, etc. são componentes completos e funcionais, como os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Todos estes componentes são transportados no plasma. O fato de alguns componentes (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) poderem ser separados do plasma por centrifugação e outros componentes só poderem ser separados por métodos diferentes não faz com que os primeiros sejam “frações” do sangue mais do que os demais. Os glóbulos vermelhos e as proteínas da albumina não são comparáveis a “tios” e “sobrinhos” e são, em vez disso, “irmãos”! Seria necessário fracionar uma proteína de albumina para corresponder a uma fração de um glóbulo vermelho. Não admira que uma autoridade em medicina tal como o livro Práticas Modernas de Armazenagem de Sangue e Transfusões (em inglês – 4ª edição, Filadélfia, EUA, 1999) inclui a albumina, a imunoglobulina, bem como os fatores VIII e IX entre os “componentes maiores” do sangue e não faz qualquer menção da classificação específica feita agora pela Sociedade. (págs. 237-240, 246-248 em inglês). Similarmente, o manual sueco Blodsjukdomar Handbok I Hematologi (Manual de Hematologia e Doenças do Sangue), Gösta Garthon & Bengt Lundh, 1999, inclui a albumina e os fatores de coagulação entre “alguns dos componentes importantes no sangue”, novamente sem usar a classificação feita pela Sociedade. (pág. 422 em sueco)

 

A explicação dada pela Sociedade acerca disso é claramente insustentável. Não há margem para distinção entre os componentes do sangue, fazendo com que alguns sejam permissíveis e outros não. Mas isso não é tudo. Tanto a Sentinela de 15 de junho de 2000 como a de 15 de junho de 2004 alega que “frações” do sangue, tais como as imunoglobulinas “passam do sangue da gestante para o sistema sanguíneo, separado, do feto” e que “alguns cristãos podem concluir que visto que frações de sangue podem passar para outra pessoa neste ambiente natural, eles poderiam aceitar uma fração de sangue derivada de plasma ou de glóbulos sanguíneos.” (págs. 30 e 31). O problema aqui é que não são apenas as “frações”, segundo a definição da Sociedade, que passam “para outra pessoa neste ambiente natural”, mas “componentes primários”, segundo sua definição, passam também! Assim, a obra Práticas Modernas de Armazenagem de Sangue e Transfusões, de Denise M. Harmening, citada acima, diz na pág. 423 (em inglês):

 

“A hemorragia transplacentária de glóbulos vermelhos do feto para dentro da circulação materna ocorre em até 7 por cento das mulheres durante a gestação.”

 

Assim, os glóbulos vermelhos do sangue podem “passar para outra pessoa” naturalmente. Isto tornaria os glóbulos vermelhos tão aceitáveis quanto as imunoglobulinas. Mais uma vez a posição da Sociedade é demonstravelmente insustentável. O que dizer das “frações” de glóbulos vermelhos que poderão estar logo disponíveis e para as quais a Sociedade agora deu permissão? Essa “fração” é nada mais que um glóbulo vermelho refinado, sendo que a hemoglobina transportadora de oxigênio vital está liberada da membrana onde estava antes. Glóbulos vermelhos… podem ser apropriadamente comparados com pequenas membranas, preenchidas com a molécula de hemoglobina oxigenada …É a hemoglobina que dá ao sangue sua cor vermelha. A hemoglobina constitui 95% das proteínas dos eritrócitos e cerca de 34% de seu peso. O restante das proteínas é composto principalmente de enzimas que participam na renovação de energia nas células.

 

Se os novos produtos forem o PolyHeme ou o Hemospan, a parte principal será a hemoglobina extraída dos glóbulos vermelhos do sangue humano. Se o Hemopure for disponibilizado, ele será baseado em hemoglobina do sangue bovino. Será um bom produto que, diferente dos glóbulos vermelhos armazenados, poderá durar muito tempo e estará isento de contaminação. Ele será capaz de transportar oxigênio satisfatoriamente, diferente do Dextran e outros chamados substitutos usados para expandir o volume do sangue. Mas ele É SANGUE! Um glóbulo vermelho do sangue ainda é sangue, da mesma forma que uma laranja descascada ainda é uma laranja. Com a casca ou sem ela, uma laranja ainda continua sendo uma laranja. Se fosse inventado um método de remover os segmentos de uma laranja e arranjar os segmentos em grupos de quatro sem a casca, o produto ainda seria uma laranja, e ninguém diria que é outra coisa.

 

Da mesma forma, glóbulos vermelhos refinados, hemoglobina liberada e preparada, permanecerão sendo sangue. De modo que afirmar que tomar glóbulos vermelhos é um pecado, e aceitar hemoglobina refinada não é pecado, é uma hipocrisia farisaica completa. Percebendo que esta conclusão é difícil de evitar, a Sentinela de 15 de junho de 2004, pág. 24, declarou:

 

“Além disso, alguns produtos derivados de um dos quatro componentes primários podem desempenhar uma função tão similar à do componente primário e ter a mesma capacidade de sustentar a vida, que a maioria dos cristãos os consideraria objetáveis.”

 

Assim, considera-se uma questão de consciência aceitar produtos feitos de glóbulos vermelhos, embora se diga que “a maioria” das Testemunhas de Jeová consideraria que eles são objetáveis. Uma Testemunha que aceite tais produtos derivados de glóbulos vermelhos é considerada como estando em boa posição. Por outro lado, uma Testemunha que aceite glóbulos vermelhos não processados – mesmo no caso de só estes estarem disponíveis – será considerada uma pecadora e terá problemas com seus anciãos locais. Com certeza a credibilidade da Torre de Vigia agora é zero. Atualmente por ela permitir frações de sangue, que por sinal, no passado foi proibido e foi liberado várias vezes, mostra que ela aos poucos vai liberando o sangue, pois há muitas famílias morrendo por causa dessa doutrina assassina!

 

VAI E VOLTA NAS PROIBIÇÕES DE FRAÇÕES DE SANGUE

 

1954 – A edição de 8 de Agosto de Despertai!, pág. 24 (em inglês), condena – pela primeira vez – o uso de “frações” do sangue, tais como a gamaglobulina:

“…a proteína sanguínea ou ‘fração’ conhecida como gamaglobulina para uma injeção…aqueles interessados no aspecto bíblico notarão que o fato de ser ela obtida do sangue integral coloca-a na mesma categoria das transfusões de sangue”

 

1956 – A Sociedade Torre de Vigia confirma o banimento às “frações” sanguíneas, novamente em Despertai!, edição de 8 de Setembro, pág. 20 (em inglês):

“Enquanto este médico defende o uso de certas ‘frações’ sanguíneas, particularmente albumina, tal uso está sob proibição bíblica.

 

1958 – Subitamente, a organização volta atrás e afirma que o uso de ‘frações’ do sangue e as transfusões não estão na mesma categoria. A Sentinela de 15 de Setembro, pág. 575 (em inglês), diz:

“Devemos considerar a injeção de soro… e frações do sangue como a gamaglobulina na corrente sanguínea… como o mesmo que ingerir sangue ou tomar transfusões de sangue ou plasma? Não, não parece necessário que os ponhamos na mesma categoria, embora o tenhamos feito algum tempo atrás.”

 

“É errado suster a vida mediante infusões de sangue, plasma, glóbulos vermelhos ou várias frações de sangue? Sim! …Quer seja sangue integral quer fração do sangue, … quer seja administrado por transfusão ou por injeção, a lei divina se aplica… [Deus] requer respeito pela santidade do sangue ”

A Sentinela 15/3/1962, pág. 174 (em português)

1964 – A organização muda novamente e considera “questão de consciência” o uso de ‘frações’ sanguíneas (A Sentinela de 15/11, em inglês):

“…Assim, deixamos para a consciência de cada indivíduo determinar se deve se submeter a uma inoculação com soro contendo frações de sangue com o propósito de produzir anticorpos para combater doenças…”

 

“Certos fatores plasmáticos de coagulação acham-se agora em amplo uso… os que recebem tal tratamento enfrentam outro perigo mortífero… quase 40% dos 113 hemofílicos apresentaram casos de hepatite… todos receberam sangue integral, plasma ou derivados sanguíneos que continham os fatores. Naturalmente, os cristãos não utilizam este tratamento potencialmente perigoso, acatando a ordem bíblica de ‘abster-se de sangue’.”

Despertai! de 22/10/1975, pág. 29 (em português)

“…Que dizer se aceitarem injeções de soro para combater doenças tais como… difteria, tétano, hepatite por vírus, hidrofobia, hemofilia e incompatibilidade de RH? Isto parece cair numa zona de questões limítrofes… alguns cristãos acham que aceitar uma pequena quantidade de derivado de sangue para tal fim não é… desrespeito pela lei de Deus… adotamos atitude de que esta questão precisa ser resolvida por cada pessoa, por decisão pessoal.

A Sentinela de 15/10/1974, pág. 640 (em português)

 

 

 

Créditos por certas partes da matéria:

 

Livro: As Testemunhas de Jeová refutadas versículo por versículo, páginas 27, 28, 80 e 81.

 

Livro: Em busca da liberdade Cristã, páginas 338-343.