A farsa da data de 607 a.C. e 1914 a.D.

PORQUE 1914 A.D. É IMPORTANTE PARA AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ.

A data de 1914 A.D. tem representado um papel dominante na escatologia das Testemunhas de Jeová desde seu começo em 1879 com os escritos de Charles Taze Russell, fundador da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Por mais de 100 anos, as Testemunhas de Jeová têm ensinado que o ano de 1914 marca a conclusão de um tempo profético a que chamam “Tempo dos Gentios” ou “tempo designado das nações” que alegam, começou com a queda de Jerusalém em 607/606 a.C.

Antes de 1914, as Testemunhas de Jeová (ou estudantes internacionais da Bíblia conforme eram conhecidos na época) proclamaram que o fim desse período culminaria com a destruição de todos os governos terrestres na “Batalha do Armagedom.” (Veja The Time is At Hand, Studies in the Scriptures, (O Tempo de Deus está Próximo, Estudo das Escrituras), vol. 2, 1886, 1911 edição, pág. 101 edição em inglês).

Com o rompimento da Primeira Guerra Mundial em 1914, parecia-lhes que tais declarações proféticas proferidas pela Torre de Vigia, estavam de fato tendo o seu cumprimento e que o novo sistema de coisas debaixo do reinado milenar de Cristo estava já ao virar da esquina. Proclamando tais declarações, as Testemunhas de Jeová saíram para as ruas, instando com prospetivos conversos a juntarem-se à organização Torre de Vigia, de forma a evitarem a destruição eminente que proclamavam, iria ocorrer perto dessa data.

Quando Cristo falhou em aparecer em 1914 e a Primeira Guerra falhou em abolir os governos terrestres,

Joseph F. Rutherford, sucessor de Charles Taze Russell, adotou uma grande mudança no modo como as Testemunhas de Jeová viam 1914. Este ano de 1914, não mais era destacado como sendo a conclusão do profético “tempo do fim’’”. (Veja Thy Kingdom Come, Studies in the Scriptures (Venha O Teu Reino, Estudo das Escrituras) volume 3, 1891, 1914ed, pág. 23; Zion’s Watch Tower, (Torre de Vigia de Sião) 15 de Julho 15, 1894, pág. 226-231 [Watchtower Reprints, p. 1677] edição em inglês) Mas antes, como é visto em nossos dias, o “principio” deste período. Esta grande mudança na doutrina cronológica da Torre de Vigia relativo a 1914, tem permitido às Testemunhas de Jeová continuar a promover esta data falsa como o tempo para Cristo iniciar um “invisível” reino nos céus. Eles afirmam de que este período de tempo irá chegar ao clímax, com o fim do governo humano na Batalha do Armagedom.

COMO 1914 É CALCULADO

 

As Testemunhas de Jeová calculam o período de tempo de 2.520 anos entre 607 a.C. a 1914 A.D. por pegar numa simples profecia de Daniel, capítulo quatro, que se aplica especificamente aos sete anos (“sete tempos”) que o Rei Nabucodonosor de Babilónia iria se tornar um exilado do seu reino, aplicando-a erradamente a Jerusalém, que eles afirmam representar “o governo de Deus.” Eles assim afirmam que Jerusalém foi “pisada” em 607/606 a.C. por Babilónia e que os “sete tempos” referem-se a sete anos proféticos de 360 dias cada, correspondendo a um dia por um ano.

Assim, 7 anos X 360 dias = 2.520 dias X um dia por um ano = 2.520 anos. Assim, eles afirmam que para 2.520 anos, de 607/606 a.C. a 1914 A.D., as nações pisaram o reino de Deus até 1914, altura em que “os tempos designados das nações” terminaram e Jesus Cristo foi entronizado como o Rei Celestial de Deus.” (Veja o livro O que a Bíblia realmente Ensina?, pág. 217)

SE 1914 ESTÁ ERRADO, SÃO AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ FALSOS PROFETAS?

 

Absolutamente fundamental para a predição de 1914, concernente ao alegado reinado invisível de Cristo nos céus, é a afirmação de que 607 a.C. marca a data para a destruição de Jerusalém por Babilónia. Contudo, todos os historiadores seculares discordam da data apontada pela Torre de Vigia, por declarar que a queda de Jerusalém não ocorreu senão 20 anos mais tarde em 587 a.C.

Deste modo, se a data da Torre de Vigia para a queda de Jerusalém em 607/606 a.C. é incorreta, as suas predições sobre 1914 caem por terra de acordo com a condenação de Jesus dos falsos profetas em Mateus 24. Não é apenas a cronologia por detrás da data de 1914 da Torre de Vigia que deve ser considerada, mas os fortes avisos que Jesus deu acerca daquilo com que deveríamos ter cuidado quando ele retornasse.

“Enquanto estava sentado no Monte das Oliveiras, aproximaram-se dele os discípulos, em particular, dizendo: “Dize-nos: Quando sucederão estas coisas e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas”? ”… E surgirão muitos falsos profetas, e desencaminharão a muitos… Então, se alguém vos disser: ‘Eis aqui está o Cristo!’, ou: ‘Ali!’, não o acrediteis. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios, a fim de desencaminhar, se possível, até mesmo os escolhidos. Eis que eu vos avisei de antemão. Portanto, se vos disserem: ‘Eis que ele está no deserto!’, não saiais; ‘eis que ele está nos aposentos interiores!’, não o acrediteis. “Pois, assim como o relâmpago sai das regiões orientais e brilha sobre as regiões ocidentais, assim será a presença do Filho do homem.” — Mateus 24:3, 11, 23-27.

UMA VINDA VISÍVEL OU INVISÍVEL?

 

Jesus alertou que um dos sinais do Seu regresso em breve seria que falsos profetas iriam proclamar uma data errada para a Sua presença (parousia). Para impedir que os seus verdadeiros seguidores fossem enganados, Jesus relacionou a Sua presença com o relâmpago que brilharia de leste a oeste. Quão gradual e invisível é o relâmpago? Não aparece rápida e imediatamente? Independentemente deste fato, a Torre de Vigia argumenta que a presença de Cristo começou em 1914 e que a Sua presença irá gradualmente fazer-se sentir até certo ponto no futuro, quando Jesus voltar invisivelmente (erkhomai) e executar julgamento contra os governos terrestres na “guerra do Armagedom”. (Veja Raciocínios à Base das Escrituras, 1989, pág. 433-437)

Contudo, Jesus passou a explanar sobre o aparecimento visível da Sua presença e vinda quando Ele disse:

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se baterão então em lamento, e verão o Filho do homem vir nas nuvens do céu, com poder e grande glória.” – Mateus 24:30

 

 

Se “todas” as tribos da terra irão “lamentar” quando “virem” Cristo, como pode ser a Sua Vinda invisível para todos, exceto para os seus verdadeiros seguidores? Certamente, não iriam lamentar se fossem seguidores verdadeiros de Jesus. Contudo, a Torre de Vigia esforça-se em rodear estas declarações claras sobre o retorno visível de Jesus, por declarar que Ele tem um corpo espiritual invisível, de forma a que a única maneira de alguém na terra o “ver” é por ser capaz de discernir os eventos da Sua vinda que ocorrerão à sua volta. (Veja Raciocínios à Base das Escrituras, 1989, pág. 435-436) Encarar este texto de forma simbólica, apenas prova o esforço usado pelos falsos profetas, de forma a convencer as pessoas das suas profecias falhadas. Não é apenas esta passagem clara acerca da visibilidade da vinda de Jesus, mas claramente demonstra que Jesus ressuscitou num corpo humano físico (João 2:18-22 e Lucas 24:39).

SERÁ QUE DATA DA TORRE DE VIGIA SOBRE 607 A.C. CONCORDA COM A BÍBLIA? O TEMPLO EM JERUSALÉM ESTEVE DESOLADO POR 70 ANOS OU 90 ANOS?

 

A Sociedade Torre de Vigia admite que a sua data de 607 a.C. para a queda de Jerusalém não concorda com a cronologia secular que coloca a destruição de Jerusalém em 587/586 a.C. Contudo, eles afirmam que a sua data está mais de acordo com a cronologia Bíblica, do que a data dada pelos historiadores seculares. É isto verdade? Examinemos o que as Escrituras têm a dizer sobre este assunto. A primeira linha de evidência a partir da Bíblia que suporta a data secular de 587 a.C. para a queda de Jerusalém, é o fato de que no quarto ano do reinado do rei Dario, o templo de Jerusalém havia estado em ruínas por setenta anos, não noventa. O relato Bíblico de Zacarias proclama:

“ ‘E virão os que estão longe e realmente construirão no templo de Jeová… Além disso, sucedeu no quarto ano de Dario, o rei, que veio a haver a palavra de Jeová para Zacarias … dizendo: “Chorarei no quinto mês, observando abstinência, assim como fiz, oh! Por tantos anos? … ‘Quando jejuastes e houve lamentação no quinto [mês] e no sétimo [mês], e isto por setenta anos, jejuastes realmente para mim, sim, para mim?’ ” —Zacarias 6:15; 7:1, 3, 5

Quando é que este pranto por Jerusalém e seu templo começou? Foi o templo em Jerusalém destruído setenta anos (em 587 a.C.) ou noventa anos (em 607 a.C.) antes do quarto ano do reinado do rei Dario? Visto que Zacarias 7:1 claramente mostra que foi “setenta anos” antes desta data, que a destruição ocorreu, tudo o que precisamos saber de forma a calcular quando o templo foi destruído é saber a que data corresponde o quarto ano de reinado do rei Dario. É aqui que a Sociedade Torre de Vigia realmente concorda com a data atribuída pelos historiadores seculares, quando declara:

“Dario I, também conhecido como Dario, o Grande, ascendeu ao trono em 521 AEC, a obra da reconstrução do templo em Jerusalém estava proscrita. Quando descobriu o documento com o decreto de Ciro, nos arquivos em Ecbátana, Dario fez mais do que apenas eliminar a proscrição em 520 AEC. Ele forneceu também fundos do tesouro real para a reconstrução do templo.” – Preste Atenção à Profecia de Daniel! 1999, pág. 52, parágrafo 14.

Então se o primeiro ano de reinado de Dario foi em 521 a.C., que data assinala o “quarto ano de reinado de Dario, o rei” em Zacarias 7:1? Não será a data de 517 a.C.? Setenta anos antes a partir de 517 a.C. aponta para 587 a.C. como sendo a queda de Jerusalém, não a data de 607 a.C. atribuída pela Torre de Vigia.

70 ANOS OU 90 ANOS DE SERVIDÃO PARA BABILÓNIA?

 

A próxima linha de evidência da Escritura Bíblica para a data de 587 a.C. é o fato de que as “nações” iriam “servir” o Rei de Babilônia por apenas setenta anos, não noventa anos. Falando da terra de Israel e suas nações vizinhas, Jeremias afirma:

“E toda esta terra terá de tornar-se um lugar devastado, um assombro, e estas nações terão de servir ao rei de Babilônia por setenta anos.”’ “‘E terá de acontecer que, quando tiverem cumprido setenta anos, ajustarei contas com o rei de Babilônia e com aquela nação’, é a pronunciação de Jeová, ‘pelo seu erro, sim, com a terra dos caldeus, e vou fazer dela baldios desolados por tempo indefinido.” —Jeremias 25:11-12

De acordo com esta passagem, que evento iria marcar o pleno cumprimento dos setenta anos de servidão, que as nações em redor de Israel, deveriam dar ao “rei de Babilônia”? Jeremias 25:12 diz “quando tiverem cumprido setenta anos” Jeová irá ‘ajustar contas com’ quem? O REI de Babilônia! De acordo com o versículo doze, existiria alguma possibilidade de o julgamento de Jeová contra o “rei de Babilônia” ocorrer antes do cumprimento pleno dos setenta anos de servidão? Não! Diz: “quando tiverem cumprido setenta anos.”

Contudo, quer a Torre de Vigia quer os historiadores seculares concordam que Babilônia foi destruída pelos Medos e Persas quando o “rei de Babilônia” morreu em 539 a.C. Até mesmo Daniel descreve a noite em que o julgamento de Jeová se cumpriu contra o “rei de Babilônia.” Diz: “Naquela mesma noite foi morto Belsazar, o rei caldeu, e o próprio Dario, o medo, recebeu o reino ao ter cerca de sessenta e dois anos de idade. – Daniel 5:30-31

Porque é isto importante? De acordo com a cronologia da Torre de Vigia, se os setenta anos de servidão começaram em 607 a.C., deveriam ter terminado em 537 a.C. Isto são dois anos APÓS Belsazar, o rei Caldeu de Babilônia, ter morrido! Como poderia Jeová “ajustar contas” com um rei MORTO em 537 a.C., mas que havia morrido 2 antes em 539 a.C.?

Visto que a Bíblia é clara ao mostrar que foi a morte do “rei de Babilônia” em 539 a.C. que marcou o “cumprimento” dos “setenta anos” de servidão, que data marca o começo? É 609 a.C. e não 607 a.C. Então o que existe de significante acerca deste ano, 609 a.C.? Assim, embora Nínive, a primeira capital da Assíria, tivesse caído em 612 a.C., foi apenas em 609 a.C. quando a Assíria tentou reconquistar Harran e foi novamente derrotada por Babilónia, que a sua influência foi plenamente sentida pelas nações. Nós podemos, assim, apontar razoavelmente para 609 a.C. como a data em que os setenta anos de servidão a Babilónia pelas nações começaram a ser contados. Como se podem ver, estas datas estabelecidas por historiadores seculares, encaixam perfeitamente com o relato Bíblico da cronologia.

Não obstante estes fatos, a Sociedade Torre de Vigia discorda destas datas e acrescenta vinte anos adicionais ao período Neobabilônico. Deste modo, colocam a queda de Nínive para trás, até ao ano 632 a.C. e a última derrota da Assíria no ano 629 a.C. (Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 1, pág. 258) Estas datas atribuídas pela Torre de Vigia (sem qualquer apoio histórico) claramente discorda com o relato Bíblico porque eles requerem que as nações tenham servido Babilônia por noventa anos até 539 a.C. em vez de setenta anos!

Como tenta a Sociedade Torre de Vigia justificar a sua data falsa para a queda de Jerusalém? Ela cita Jeremias 29:10 a partir da Bíblia das Testemunhas de Jeová, a Tradução do Novo Mundo e afirma que a servidão apenas se refere ao tempo em que os judeus estiveram exilados “em Babilônia.” A Torre de Vigia declara:

“A “boa palavra” de Jeová está relacionada com o período predito de 70 anos, porque Deus disse: “Assim disse Jeová: ‘De acordo com o cumprimento de setenta anos em Babilônia, voltarei minha atenção para vós, e vou confirmar para convosco a minha boa palavra por trazer-vos de volta a este lugar.’” (Jeremias 29:10) … Assim, contando para trás 70 anos a partir de quando os judeus voltaram à sua pátria em 537 A.E.C., chegamos a 607 A.E.C. como data em que Nabucodonosor, no seu 18.° ano de reinado, destruiu Jerusalém…” – Livro Venha o Teu reino, 1981, pág. 189

Contudo, note a discrepância entre como a Tradução do Novo Mundo verte Jeremias 29:10, comparada com a maioria das traduções modernas:

Tradução do Novo Mundo: “…De acordo com o cumprimento de setenta anos em Babilônia, voltarei minha atenção para vós…”

Bíblia de Jerusalém: “Quando se completarem, para a Babilônia, setenta anos eu vos visitarei e realizarei a minha promessa…”

Nova Versão Internacional: “Quando se completarem os setenta anos da Babilônia eu cumprirei a minha promessa…”

Nova Tradução na Linguagem de Hoje: “Quando os setenta anos da Babilônia passarem, eu mostrarei que me interesso por vocês…”

 

Enquanto algumas poucas traduções tais como a João Ferreira de Almeida, podem ser usadas para apoiar a tradução de “em Babilônia” em vez de “para Babilônia”, a vasta maioria das traduções apoia a tradução de “setenta anos… para Babilônia.” Até mesmo a Bíblia Interlinear Hebreu-Inglês de Jay P. Green, publicada por Hendrickson, concorda com a tradução de “para Babilônia.” Deste modo, a pretensão da Torre de Vigia de que a servidão não começou, senão após os judeus serem exilados para Babilônia na queda de Jerusalém, baseada em Jeremias 29:10 é injustificável. Para, além disso, note quem realmente iria servir Babilônia por setenta anos. Eram os judeus exilados ou as nações em redor de Israel?

“E toda esta terra terá de tornar-se um lugar devastado, um assombro, e estas nações terão de servir ao rei de Babilónia por setenta anos.” – Jeremias 25:11

Note, são as “nações” em redor de Israel que iriam servir durante setenta anos, NÃO o próprio Israel! Novamente, isto aponta a queda da Assíria às mãos de Babilônia como o começo dos setenta anos de servidão pelas nações; não os noventa anos de servidão, conforme pretendido pela Torre de Vigia. Então, como conhecer o início da data dos setenta anos de servidão, começando com a queda da Assíria por Babilônia em 609 a.C. estabelece 587 a.C. para a queda de Jerusalém? Jeremias explica que a destruição e o exílio de Jerusalém ocorreram no 18º ano de reinado de Nabucodonosor. Declara:

“E no quinto mês, no décimo dia do mês, isto é, [no] décimo nono ano do Rei Nabucodorosor, rei de Babilônia, Nebuzaradã, chefe da guarda pessoal, que estava de pé perante o rei de Babilônia, entrou em Jerusalém. E ele passou a queimar a casa de Jeová e a casa do rei, bem como todas as casas de Jerusalém; e a toda casa grande ele queimou com fogo… No décimo oitavo ano de Nabucodorosor havia de Jerusalém oitocentas e trinta e duas almas.” – Jeremias 52:12-13, 29

 

 

Visto que a Torre de Vigia concorda com os historiadores seculares que afirmam que Nabucodonosor começou a reinar após a morte de seu pai Nabopolassar, após a Batalha de Carquemis, que ocorreu quatro anos após a queda da Assíria, podemos facilmente calcular o 18º ano do reinado de Nabucodonosor. Ao se estabelecer 609 a.C. como a data em que a Assíria caiu e Babilônia começou a reinar sobre as nações, podemos facilmente calcular 587 a.C. como sendo a data em que ocorreu a queda de Jerusalém no 18º ano de reinado de Nabucodonosor. Posto de forma simples, coloque a queda da Assíria em 609 a.C., adicione quatro anos para a Batalha de Carquemis, ocorrendo esta em 605 a.C., quando Nabucodonosor começou a reinar após a morte de seu pai. Agora, adicione 18 anos a partir de 605 a.C. e chegamos a 587 a.C. para a queda de Jerusalém.

Assim, nós podemos ver que do ponto de vista Bíblico, a conquista de Babilônia sobre a Assíria em 609 a.C. e esta sendo servida pelas nações em sujeição por setenta anos até 539 a.C., juntamente com as declarações de Zacarias de que Jerusalém estava em ruínas no quarto ano de Dario o medo em 517 a.C., estabelece solidamente a evidência Bíblica para a queda de Jerusalém em 587 a.C., não em 607 a.C.

O efeito dominó

Businessman Touching Domino Pieces Arranged in a Line --- Image by © Royalty-Free/Corbis

Em vista da farsa dessas datas proclamada pela Torre de Vigia, quando provadas que são falsas, vem um efeito dominó devastador nas doutrinas particulares das Testemunhas de Jeová, por quê? Se a data de 607 a.C esta errada, então 1914 não tem valor algum! Pois é o ano de 607 a.C que sustenta 1914, então concluímos:

1- O fim dos ‘’tempos dos gentios’’ não terminou em 1914;

2- Jesus não se tornou rei naquele ano;

3- 1914 não marca a expulsão de Satanás do céu;

4- Os últimos dias não se iniciaram em 1914;

5- O inicio da presença de Cristo não ocorreu nessa época;

6- Deus não escolheu a organização Torre de Vigia como seu canal na suposta inspeção entre 1914 a 1919;

7- Os ungidos das TJs, e mais tarde o Corpo Governante não foram designados o ‘’escravo fiel e discreto’’;

8- Não se deu inicio à colheita, separando o joio do trigo em 1919;

9- A organização Torre de Vigia nunca foi usada por Deus;

10- A geração de Mateus 24:34 não aplica à nossa época;

São diversos ensinos, mas só consegui me lembrar desses dez, todos eles estão interligados com a data de 1914. Mas infelizmente a dura verdade é que a Torre de Vigia encara a rejeição da cronologia que aponta para 1914 como um pecado que tem consequências fatais. Afirma-se que o estabelecimento do reino de Deus no fim dos “tempos dos gentios” é “o mais importante evento de nossos tempos”, diante do qual “todos os demais eventos perdem a importância.” Aqueles que rejeitam o cálculo incorrem na ira de Deus. Entre estes, estão “os clérigos da cristandade” e seus membros que, por não endossarem essa data, são acusados de terem rejeitado o reino de Deus e por isso “serão destruídos na iminente “grande tribulação.”

Membros das Testemunhas de Jeová que questionem ou rejeitem abertamente o cálculo, correm o risco de serem tratados de maneira muito severa. Se não se ”arrependerem” e não mudarem de ideia, serão desassociados e classificados como “apóstatas” iníquos, que “vão, ao morrerem para a Geena”, sem qualquer esperança de uma ressurreição futura. O puro orgulho e falta de amor que os dirigentes da Torre de Vigia têm para com a verdade não faz qualquer diferença se estas pessoas continuam a acreditar em Deus, na Bíblia e em Jesus Cristo. Quando um dos leitores de A Sentinela escreveu e perguntou, “Por que desassociaram (excomungaram) as Testemunhas de Jeová por apostasia a alguns que ainda professam crer em Deus, na Bíblia e em Jesus Cristo?”, os orgulhosos responderam, entre outras coisas:

A associação aprovada com as Testemunhas de Jeová requer a aceitação de toda a série dos verdadeiros ensinos da Bíblia, inclusive as crenças bíblicas singulares das Testemunhas de Jeová. O que incluem tais crenças? […] Que 1914 marcou o fim dos Tempos dos Gentios e o estabelecimento do Reino de Deus nos céus, bem como o tempo da predita presença de Cristo.  – A Sentinela 1 de abril de 1986, página 31.

 

Portanto, nenhuma pessoa que rejeita o cálculo segundo o qual os “tempos dos gentios” terminaram em 1914 é aprovada pela Sociedade como uma das Testemunhas de Jeová. Aliás, mesmo aquele que abandona secretamente a cronologia da Sociedade e possa ainda ser oficialmente considerado como uma das Testemunhas de Jeová, na realidade já rejeitou a mensagem essencial da Torre de Vigia e, segundo o próprio critério da organização, não faz mais realmente parte do movimento.

Conclusão

Acabamos de considerar neste artigo o alicerce principal das doutrinas das Testemunhas de Jeová, e que infelizmente as TJs acreditam piamente na sua liderança eclesiástica, sem nem ao menos pesquisar o assunto. O problema maior da organização é dogmatizar a queda de Jerusalém para 607 a.C, mas em vista de tudo que consideramos até aqui, essa data é uma falácia, só é ensinada pela Torre de Vigia, e isso justamente por que ela carrega uma enorme pilha de doutrinas, se a Torre de Vigia abandonar a data de 607 a.C, o efeito que isso terá na organização será como um furacão que passa entre eles e carrega tudo! Será que é isso que eles querem? É claro que não! Eles preferem sustentar uma farsa, afim de que não perca seus seguidores. Certa vez eu vi um apologista das Tjs na internet dizer assim: ‘’Eu prefiro 607 a.C como a data da destruição de Jerusalém, por que pelos menos os ‘’sete tempos’’ terminam em 1914  e nesse ano aconteceu a primeira guerra mundial, se Jerusalém tivesse sido destruída em 587 a.C os ‘’sete tempos’’ terminaria em 1934, mas nesse ano não aconteceu nada, então prefiro 607’’. Quão patético é esse argumento! Só por que em 1914 aconteceu a 1° guerra? Será que isso interferem nas evidências concretas a favor de 587 a.C? Isso não justifica acreditar numa data falsa! Em vista disso, eu pergunto a essas pessoas: onde fica o amor pela verdade? Se você ler o livro ”Os Tempos dos Gentios Reconsiderados”, do sueco Carl Olof Johnson, verá que ele enviou para a liderança da Torre de Vigia, a matéria contra a data de 607, mas a Torre de Vigia mostrou que não lhe interessa mudar a data, em desassociar Carl por apostasia. Eu fico me perguntando: quem é que esta apostatando nessa história toda? Que cada um de nós use discernimento nesses assuntos que envolvem milhões de pessoas presas num calabouço psicológico, achando que esta servindo a Deus com ”espírito e verdade”. Vamos pesquisar! Espero que este artigo ajude as pessoas sinceras que tenham suas dúvidas quanto à matéria em questão!