Nascer de novo. O que significa?

O que é nascer de novo? Saberia responder? Às vezes as pessoas podem pensar que se nasceríamos novamente da nossa mãe, assim como Nicodemos perguntou, mas vamos considerar um pouco esse assunto. Esse é mais um assunto em que eu pessoalmente discordo da organização Torre de Vigia. Sabemos que todo cristão se sente grato a Deus por ter nascido de novo. (João 3:3-5) Mas a organização Torre de Vigia ensina que quase 99% de seus membros não precisam nascer de novo. Quais são as provas desse ensino anormal? Vejamos a seguir.

Para o Corpo Governante, o nascer de novo é destinado apenas para os membros dos 144 mil que viverão no céu. Atualmente, das quase 8 milhões de Testemunhas de Jeová apenas umas 13.204 compõem o restante dos 144 mil ainda vivos na terra. Em outras palavras, 0,16% delas nasceram de novo e o resto de 98,84% não precisam nascer de novo. Vamos ver o que as publicações dizem a respeito:

A Sentinela 1 de abril de 1988 p. 18 par. 9

Contudo, um estudo cuidadoso da Palavra de Deus e dos ensinos de Cristo mostra que apenas um número limitado participa no privilégio de nascer de novo, nascer ‘da água e do espírito’, para assim participarem no governo celestial com Cristo. (João 3:3-5; Romanos 8:16, 17; Revelação 14:1-3) A “grande multidão” dos verdadeiros cristãos hoje não necessita nascer de novo, visto que a sua esperança de vida eterna é terrestre, não celestial. (2 Pedro 3:13; Revelação 21:3, 4) Além do mais, o ensino da cristandade se baseia numa premissa falsa — a de que o homem tem uma alma imortal que necessita de salvação. Em nenhuma parte da Bíblia há apoio para tal doutrina, que na verdade se deriva da antiga filosofia grega.

A pergunta é: Onde a Bíblia diz, nos textos citados acima, que apenas os 144 mil nascem de novo, ou que a Grande Multidão que supostamente viverá no paraíso na terra não precisa nascer de novo? Não há nenhum texto na Bíblia que declare isso.

Jesus disse que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo e que se alguém não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. (João 3:3-5) Então, se a Grande Multidão não nasce de novo, ou não nasce da água e do espírito, consequentemente não vê e não entra no reino de Deus. Ou seja, de uma forma ou de outra, a pessoa não se beneficia das bênçãos do Reino.

Todavia, as Testemunhas de Jeová responderão que o nascer de novo é sinônimo de nascer da água e do espírito, conforme João 3:3-5, já que estas duas expressões estão em paralelo. Sendo assim, apenas quem vai para o céu nasce do espírito, pois irão morar lá em espírito, enquanto os da grande multidão não precisam nascer do espírito porque viverão em carne e osso, num corpo perfeito, aqui na terra.

O ensino TJ sobre nascer de novo é contraditório com as Escrituras. A Torre de Vigia ensinam que a Grande Multidão, ou as outras ovelhas, ou as ovelhas de Mateus 24:35, herdam um lugar no domínio terrestre do reino. (A Sentinela 15 de outubro de 1995, página 27) Se herdam um lugar no domínio terrestre do reino, então entram no reino. Se entram no reino, conforme ensina Jesus em João 3:3-5, nascem de novo. E aí fica difícil de entender esse ensinamento deturpado do Corpo Governante.

Vamos então tentar compreender o texto? No grego, nascer de novo pode significar nascer do alto. Ou seja, é um nascimento que vem do alto, acima de nós. Quem está acima de nós é o Espírito Santo. Este Espírito nos faz nascer de novo. Assim, nascer do Espírito é um ato de Deus na vida de quem recebe Jesus Cristo. Por isso, João 1:12, 13 diz que os que receberam Jesus receberam a prerrogativa de se tornarem filhos de Deus, os quais NASCERAM DE DEUS. João não disse NASCERÃO DE DEUS, portanto, o nascer de novo não significa que ao morrerem nascerão para uma vida espiritual nos céus. – Veja 1 João 3:9; 4:7; 5:1, 4, 8.

Por que se diz nascer de novo? Porque se trata de outrora estarmos mortos em nossa pecaminosidade, mas pelo sangue de Cristo derramado por nós, nascemos da morte para a vida, conforme 1 João 3:14.

Lemos também em Romanos 6:4: “Portanto, fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” Morremos e temos uma novidade de vida. Já fomos ressuscitados, em sentido espiritual. Portanto, já “fomos nascidos” de novo! Essa é a questão que as testemunhas de Jeová negam a aceitar.

Às vezes uma TJ poderia dizer: ‘’Você leu em 1 Pedro 1:3 diz que se nasce de novo para uma herança no céu? Então, isso prova que apenas os 144 mil recebem tal herança, pois só eles irão para o céu.’’ Mas onde a Bíblia diz que apenas os 144 mil irão para o céu?

Portanto, o que podemos dizer como conclusão? Se você crer no ensino TJ de que a Grande Multidão não precisa nascer de novo, então você não se considera filho de Deus, por que segundo as Tjs, somente os 144 mil são filhos dele.

Examine! Examine! Examine os ensinos das religiões que se dizem representar Yahweh! Não tem nada de errado nisso, pelo contrário, você estará demonstrando um espírito nobre por escrutinar aquilo que lhe repassam como verdade. (Atos 17:11)

‘’Amados, não deem crédito a todos os que se dizem inspirados; antes, examinem os espíritos, para saber se vem de Deus.’’ (1 João 4:1, Bíblia Pastoral)

Isaías 43:10: ”Vós sois as minhas testemunhas.” Quem e por quê?

‘’ ‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová… ’’ (Isaías 43:10)

Este versículo bíblico é muito usado pelos adeptos da organização Torre de Vigia, em especial para dar uma base ao seu nome distintivo: Testemunhas de Jeová! A vasta maioria delas se orgulha desse nome! E a encaram como o ‘’maior privilégio’’ que existe, ‘’o melhor modo de vida’’, entre muitas coisas positivas.

Quando examinamos as publicações da organização a respeito desse assunto só vemos afirmações magníficas!

 

A Sentinela 15 de julho de 1995 p. 19

Um novo nome

14 Em 1931, um lampejo forte de verdade revelou a esses Estudantes da Bíblia um nome bíblico apropriado. Os do povo de Jeová tinham entendido que não podiam aceitar nenhum dos apelidos que outros lhes deram, tais como russelitas, auroristas do milênio e “anti infernistas”. Mas, começaram também a reconhecer que o nome que haviam adotado — Estudantes Internacionais da Bíblia — não era adequado. Eles eram muito mais do que apenas estudantes da Bíblia. Além disso, havia muitos outros que estudavam a Bíblia, mas que não tinham nada em comum com os Estudantes da Bíblia.

15 Como vieram a ter os Estudantes da Bíblia um novo nome? Durante anos, A Sentinela tinha destacado o nome de Jeová. Portanto, era bem apropriado que os Estudantes da Bíblia adotassem o nome encontrado em Isaías 43:10: “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum’.”

 

Aqui é afirmado enfaticamente que Isaías 43:10 se aplica as Testemunhas de Jeová modernas de hoje. E diz também isso é um lampejo de luz da verdade que apareceu, em outras palavras veio de Jeová. No entanto, Charles Taze Russel dizia que ninguém dentre eles deveriam ser chamado por algum nome especifico, mas apenas Estudantes da Bíblia. Acha que foi falta de respeito do segundo presidente da Sociedade Torre de Vigia, J.F. Rutherford, para com Russel? Nossa primeira impressão sim, mas a questão é que após a morte de Russel, o grupo de dividiu, muitos eram chamados de Russelitas, e os que seguiam Rutherford eram Ruthefordistas. Ai provavelmente Rutherford não queriam que as coisas fossem assim, e acabou adotando um novo nome ao grupo associado à Torre de Vigia.

Veja só como um companheiro achegado de Rutherford, A.H. Macmillan, descreveu o que ele tinha em mente quando adotou o nome Testemunhas de Jeová:

Anuário das Testemunhas de Jeová 1976 p. 151

“Com efeito, creio que foi o Deus Todo-poderoso que nos levou a isso, pois o irmão Rutherford mesmo me dissera que acordara, certa noite, quando se preparava para esse congresso e disse: ‘Por que será que fui sugerir um congresso internacional quando não tenho nenhum discurso ou mensagem especial para eles? Por que trazê-los todos para cá?’ Então, começou a pensar sobre isso, e Isaías 43 lhe veio à mente. Levantou-se às duas da madrugada e escreveu, em taquigrafia, na sua própria escrivaninha, um esboço do discurso que iria proferir sobre o Reino, a esperança do mundo e sobre o novo nome. E tudo que foi proferido por ele naquela ocasião foi preparado naquela noite, ou naquela madrugada, às duas horas. E não [há] dúvida alguma em minha mente — nem naquele tempo nem agora — que o Senhor o guiou nisso, e que é o nome que Jeová deseja que levemos e estamos felicíssimos e contentíssimos de tê-lo.”

 

O que notamos aqui? Segundo A.H Macmillan foi Jeová quem os levou a isso. Ainda também diz que Rutherford numa certa noite dizia que não tinha nada de especial para dar as pessoas. Pensou em Isaías 43, e as duas da madrugada preparou o discurso. Pelo que notamos atentamente, Rutherford criou o nome Testemunhas de Jeová por que não tinha nada pra fazer. E o mais intrigante de tudo é que A.H Macmillan afirma que o Senhor o guiou nisso tudo. Mas será que é isso mesmo? Vejamos!

O texto de Isaías 43 esta falando da nação de Israel, quando Yahweh disse: ‘vós sois as minhas testemunhas’, ele estava se referindo ao povo israelita. Até a organização Torre de Vigia concorda com isso.

 

Testemunhas de Jeová Proclamadores do Reino de Deus cap. 1 p. 18

Jeová tornou clara à nação de Israel a responsabilidade que esta tinha na solução da questão: quem é o verdadeiro Deus? Ele disse: “Vós sois as minhas testemunhas . . . sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum. Eu é que sou Jeová, e além de mim não há salvador. Eu mesmo o comuniquei, e salvei, e fiz que fosse ouvido, quando entre vós não havia nenhum deus estranho. Portanto, vós sois as minhas testemunhas . . . e eu sou Deus.” — Isa. 43:10-12.

Portanto, Israel, o povo de Jeová, constituía uma nação de testemunhas. Podiam afirmar enfaticamente a legitimidade e dignidade da soberania de Jeová. Com base em suas experiências passadas, podiam proclamar com convicção que Jeová é o Grande Libertador de seu povo e o Deus da profecia verdadeira.

 

Notaram? Jeová se referiu a Israel no texto de Isaías 43. Então como a Torre de Vigia aplica essas palavras aos seus membros? E por que eles dizem que foi Deus quem os guiou nisso? Bem no inicio da citação acima, eu grifei a parte em que vinha uma questão: ‘’Quem é o verdadeiro Deus?’’ Esse é o ponto chave para entendermos o texto de Isaías 43. Vamos examinar todo o contexto e ver por que Yahweh estava se referindo a Israel, e por que ele os chamou de Testemunhas:

(Isaías 43:1) . . . E agora, assim disse Jeová, teu Criador, ó Jacó, e teu Formador, ó Israel: “Não tenhas medo, porque eu te resgatei. Eu [te] chamei pelo teu nome. Tu és meu.

 

Aqui deixa claro que Deus estava falando com Israel.

(Isaías 43:3) . . .Porque eu sou Jeová, teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador. Dei o Egito como resgate por ti, a Etiópia e Sebá, em lugar de ti.

Jeová estava relembrando ao povo que foi ele quem os tirou da escravidão do Egito.

(Isaías 43:5) . . .“Não tenhas medo, porque eu estou contigo. Do nascente trarei a tua descendência e do poente te reunirei.

Deus estava de novo relembrando ao povo a grande proteção da parte dele em sua jornada a terra prometida.

(Isaías 43:8) . . .“Faze sair um povo cego, embora existam os próprios olhos, e os surdos, embora tenham ouvidos.

Aqui Deus chama seu povo de ‘povo cego e surdo’. Ou seja, ele esta indignado com Israel.

(Isaías 43:10, 11) . . .“Vós sois as minhas testemunhas”, é a pronunciação de Jeová, “sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum. 11 Eu é que sou Jeová, e além de mim não há salvador.”

 

Aqui o tão recorrido versículo 10, mostra que Deus chama o povo de Israel de suas testemunhas, e acrescenta ainda que só ele é Deus, antes dele não havia outro e nem depois. Por que ele disse isso? Vamos examinar!

(Isaías 43:14) . . .Assim disse Jeová, o vosso Resgatador, o Santo de Israel: “Por vossa causa vou enviar [alguém] a Babilônia e fazer descer as grades das prisões e os caldeus nos navios com clamores lamuriantes da sua parte.

Aqui Jeová diz que Israel seria levado cativo para Babilônia, por quê? Todos nós sabemos que Israel foi castigado por causa de sua idolatria, entendeu agora por que ele disse nos versículo 10-11 que só ele era Deus e que não havia outro? Por que Israel estava cometendo idolatria, e Deus os estava advertindo quanto a isso.

(Isaías 43:18, 22) . . .“Não vos lembreis das primeiras coisas e não deis consideração às coisas anteriores… “Mas tu não me invocaste, ó Jacó, porque te fatigaste de mim, ó Israel.  

 

Aqui Deus mostra a sua tristeza quanto a tudo aquilo que ele fez por Israel, e o povo não deu a mínima consideração ao que ele tinha feito, podemos assim imaginar o quanto Yahweh estava triste e indignado com o povo!

(Isaías 43:25-28) . . . Eu é que sou Aquele que oblitera as tuas transgressões por minha própria causa, e não me lembrarei dos teus pecados. 26 Faze-me lembrar; entremos juntamente em julgamento; narra o teu próprio relato disso para que tenhas razão. 27 Teu próprio pai, o primeiro, pecou, e teus próprios porta-vozes transgrediram contra mim. 28 Portanto, profanarei os príncipes do lugar santo e vou entregar Jacó como homem devotado à destruição, e Israel, a palavras de injúria.

 

Aqui ele conclui falando das transgressões cometidas pelo seu povo escolhido e que não iria mais tolerar tal atitude entre eles, por permitir sua destruição.

Então amigos, o que vemos aqui mostra que quando Deus chamou o povo de Israel de suas testemunhas, ele não estava os elogiando, e muito menos profetizando um povo no futuro. Os israelitas foram chamados de testemunhas, por que eles testemunharam tudo que Deus fez por eles, a saber, a libertação do Egito, a conquista da terra prometida, os tratos dele com o povo, enfim, tudo isso Israel testemunhou, mas por desobedecer às leis de Deus, ele na sua ira os chamou de ‘’povo cego’’, os advertiu por causa da idolatria de que não ‘’havia outro Deus além dele’’, que ‘’iria permitir que Babilônia os destruísse’’, e que são um povo mal agradecido que não ‘’deram consideração’’ ao que Deus tinha feito.

Portanto, quando Rutherford pegou Isaías 43:10 aplicando a si mesmo, podem ter certeza que ele ignorou o contexto! Por que quem é que vai ter orgulho de ser chamado de testemunha e aplica Isaías 43:10 a si, mas se observar o contexto verá que Deus estava era indignado com suas testemunhas, quem vai dizer que isso é um elogio? É claro que quando levamos o santo nome de Deus conosco, nos orgulhamos. Mas é bom tomar cuidado com certos textos aplicados de forma isolada, como é o caso de Isaías 43:10. Então amigos, aqui eu deixo um pequeno incentivo pra você, principalmente se uma Testemunha de Jeová estiver lendo isso, não pense que isso é um ataque a sua fé, mas uma consideração válida por que se trata de aplicar textos bíblicos. Então, antes de aplicar algum versículo, não ignore o contexto, leia em pormenor o que realmente o texto esta tratando, para que assim você não crie nenhuma heresia boba e tola!

Últimos dias. Quando?

O ensino oficial da Sociedade Torre de Vigia referente ao período dos “últimos dias” é (e há muito tempo tem sido) que este se refere unicamente ao momento em que estamos vivendo, sendo que tal período teve início em 1914. Este ensino específico pode ser encontrado facilmente em inúmeras publicações da Sociedade.

Na Bíblia existem três referências diretas a este assunto. Embora, como é óbvio, estas referências não associem tal período a uma data específica (pois a Bíblia não expressa datas em termos de nosso calendário), será que o que está escrito lá permite-nos concluir que o termo aplica-se apenas ao período da nossa vida?

Examinemos atentamente essas referências, no seu devido contexto.

REFERÊNCIAS BÍBLICAS AOS “ÚLTIMOS DIAS” E COMENTÁRIOS

Referência 1 – Atos 2:14-21

14 Mas, Pedro pôs-se de pé com os onze, levantou a sua voz e fez-lhes a seguinte pronunciação: Homens da Judéia e todos vós, habitantes de Jerusalém, seja isso conhecido por vós e daí ouvidos às minhas declarações. 15 Estes, de fato, não estão embriagados, como supondes, pois é a terceira hora do dia. 16 Ao contrário, isto é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: 17 “E nos últimos dias”, diz Deus, “derramarei do meu espírito sobre toda sorte de carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, e os vossos jovens terão visões e os vossos anciãos terão sonhos; 18 e até mesmo sobre os meus escravos e sobre as minhas escravas derramarei naqueles dias do meu espírito, e eles profetizarão. 19 E darei portentos em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, e fogo, e fumaça brumosa; 20 o sol será transformado em escuridão e a lua em sangue, antes de chegar o grande e ilustre dia de Jeová. 21 E todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo.”

 

Comentário

Aqui, o apóstolo Pedro aplica as palavras do profeta Joel a eventos que estavam ocorrendo bem naquele momento (a saber, os acontecimentos relacionados com o derramamento do espírito santo sobre os discípulos, durante as comemorações do primeiro Pentecostes após a ascensão de Cristo), e é interessante que ele usa a expressão “últimos dias”.

Embora todos os principais verbos usados por ele (“derramarei”, “profetizarão” “terão”, “darei” etc) estejam no tempo futuro, isso é decorrente do fato de que estava sendo feita uma citação direta e na íntegra da profecia registrada em Joel 2: 28 – 32. O que importa é que a aplicação que Pedro deu, sugere fortemente que o apóstolo entendia que esses últimos dias estavam em curso naquela época. Ele não estava tratando de eventos que só ocorreriam em tempos posteriores.

Referência 2 – 2 Timóteo 3:1-9

1 Sabe, porém, isto, que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. 2 Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, 3 sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, 4 traidores, teimosos, enfunados [de orgulho], mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, 5 tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder; e destes afasta-te. 6 Pois, dentre estes surgem aqueles homens que se introduzem ardilosamente nas famílias e levam cativas mulheres fracas, sobrecarregadas de pecados, levadas por vários desejos, 7 sempre aprendendo, contudo, nunca podendo chegar a um conhecimento exato da verdade. 8 Ora, do modo como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes prosseguem resistindo à verdade, homens completamente corruptos na mente, reprovados quanto à fé. 9 Não obstante, não farão mais progresso, pois a insensatez deles ficará bem clara a todos, assim como ficou a daqueles [dois homens].

Comentário

Esta passagem afirma que a vida seria difícil nos “últimos dias” por causa do comportamento que as pessoas teriam. Ela é, sem dúvida, a mais usada pela Sociedade para tentar provar que esses últimos dias começaram apenas depois de 1914. Dá-se a entender que os “tempos críticos, difíceis de manejar” caracterizam apenas o período histórico atual e que os homens com as características alistadas nestes versículos estariam em grande evidência somente a partir daquele ano do século 20, e não antes.

Mas, se é assim, por que então o apóstolo Paulo mandou Timóteo ‘afastar-se’ de pessoas assim (como diz o final do versículo 5)? Seria possível Timóteo ‘afastar-se’ de certos tipos de homens que só viveriam dezenove séculos depois do tempo dele?

Então é lógico supor que homens desse tipo existiam no tempo em que estas palavras foram escritas. Só assim é que a exortação de Paulo a Timóteo (quanto a ficar longe deles) teria sentido. Se Paulo descreveu as pessoas de forma tão detalhada e deu a entender que isso servia para pessoas daquela época, isso é sinal de que ele também acreditava e sabia que os últimos dias já estavam em progresso.

É verdade que os verbos principais da parte inicial da referência (“haverá” e “serão”) estão igualmente no tempo futuro.

Devido a isso, pode-se ter a impressão de que Paulo estava falando de pessoas que viveriam num tempo posterior em relação aos dias dele e que homens com esse nível de pecaminosidade não existiam naquela época. Todavia, o contexto revela que, assim como o apóstolo Pedro, ele também estava fazendo uma aplicação de profecia àquele momento mesmo. Vemos que nos versículos 6 a 9, falando ainda desses mesmos homens, (note a expressão conectiva “pois, dentre estes surgem”, no versículo 6) o apóstolo descreveu erros que eles praticavam, entre os quais a sedução de mulheres (versículo 6) e a contínua resistência deles à verdade de Deus (versículo 8). Falou ainda que eles ‘sempre aprendiam, mas não chegavam “ao conhecimento exato da verdade”’ (versículo 7), eram “completamente corruptos na mente, reprovados quanto à fé” (versículo 8) e que ‘não fariam mais progresso’ (versículo 9). Em todas estas acusações do apóstolo contra esses homens, ele usou verbos no tempo presente (“se introduzem”, “levam”, “prosseguem resistindo” etc). Tais acusações eram dirigidas claramente a homens daquela época, dos quais Timóteo deveria manter-se longe.

Vale lembrar que Paulo usou uma descrição muito similar na carta que ele enviou aos romanos. O que ele disse em Romanos 1 : 28 – 32 é bastante parecido com essa passagem de 2 Timóteo 3 : 1 – 5. E, é claro, o exame atento do contexto daquela passagem em Romanos (principalmente os versículos anteriores ao 28), dá também forte evidência de que Paulo estava fazendo referência a pessoas daquela época (observe que ele usou lá alguns verbos no presente e no passado, quando falou daquelas pessoas).

Referência 3 – 2 Pedro 3:3-9

3 Pois sabeis primeiramente isto, que nos últimos dias virão ridicularizadores com os seus escárnios, procedendo segundo os seus próprios desejos 4 e dizendo: “Onde está essa prometida presença dele? Ora, desde o dia em que os nossos antepassados adormeceram [na morte], todas as coisas estão continuando exatamente como desde o princípio da criação.” 5 Pois, segundo o desejo deles, escapa-lhes este fato, de que desde a antiguidade havia céus, e uma terra sobressaindo compactamente à água e no meio da água, pela palavra de Deus; 6 e, por esses [meios], o mundo daquele tempo sofreu destruição, ao ser inundado pela água. 7 Mas, pela mesma palavra, os céus e a terra que agora existem estão sendo guardados para o fogo e estão sendo reservados para o dia do julgamento e da destruição dos homens ímpios. 8 No entanto, não vos escape este único fato, amados, que um só dia é para Jeová como mil anos, e mil anos, como um só dia. 9 Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, conforme alguns consideram a vagarosidade, mas ele é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.

Comentário

Esta é outra referência do apóstolo Pedro aos “últimos dias”. Ele disse essas palavras enquanto estava comentando (e reprovando) a atitude dos “ridicularizadores” daquela época que duvidavam da volta de Cristo e faziam perguntas zombeteiras aos Cristãos, do tipo exemplificado no versículo 4. O versículo 5 torna claro que tais ridicularizadores não queriam prestar atenção ao fato de que o dilúvio havia ocorrido no passado e nem se mirar nesse exemplo de aviso. Eles eram como ‘cegos que não queriam ver’. Pedro referiu-se a isso, usando uma frase com verbo no tempo presente (“segundo o desejo deles, escapa-lhes este fato”).

Mais uma vez, embora o verbo inicial (“virão”) esteja no futuro, Pedro está dando uma aplicação da profecia aos seus dias. Os Cristãos daquela época deveriam esperar que sua fé fosse ridicularizada por tais homens e isso já estava acontecendo. Na realidade, tudo o que o apóstolo falou foi com o objetivo de animar os discípulos, incentivando-os a não se deixarem abater por tal conversa. E ele falava com muita propriedade, pois, como esses ridicularizadores eram seus contemporâneos, o apóstolo estava em condições de observar em primeira mão essa atitude escarnecedora deles e podia analisar os motivos por que a manifestavam.

ALGUMAS QUESTÕES PERTINENTES.

  1. Quando começou o período que as Escrituras chamam de “últimos dias?”

Ao longo dos séculos da Era Cristã, muitos comentaristas e estudiosos bíblicos têm tentado aplicar esse termo a períodos em torno de sua própria época. Segundo as fontes disponíveis, existiram poucos momentos na história da Europa em que não aparecessem pessoas ou grupos argumentando e “provando” que os últimos dias eram naquele momento em que estavam vivendo, como se fosse o próprio ‘aqui e agora’. O fato simples, porém, é que a própria Bíblia não especifica nenhum período histórico e muito menos ainda uma data como ‘início oficial dos últimos dias’.

Por outro lado, ela também não dá margem à ideia de que esses últimos dias abrangem todo o período da história humana. Seria absurdo e completamente sem sentido entendermos a expressão desta maneira. Uma vez que os escritores da Bíblia sempre traçaram uma conexão nítida entre os últimos dias e o Reino de Cristo, conforme ensinado por ele próprio, é bastante razoável concluir que esse período não poderia ter começado antes da ocasião em que Jesus esteve na Terra e transmitiu o conhecimento sobre esse Reino, do qual ele mesmo é a figura central.

Como a primeira referência que as Escrituras fazem a esta expressão é, conforme vimos, no contexto do que ocorreu durante aquele Pentecostes, então é válido situarmos o início desse período por volta daquela ocasião. Conforme lemos, o apóstolo Pedro apresentou aqueles eventos como um cumprimento do que o profeta havia dito e a expressão “últimos dias” foi incluída no mesmo contexto.

  1. Mas, se os últimos dias começaram por volta do Pentecostes (que segundo a Sociedade, ocorreu em 33 E.C.) e continuam até hoje, não é esse um período longo demais? Que lógica há em chamarmos um período tão estendido assim de “últimos dias”?

Se considerarmos tal expressão do ponto de vista humano, então o período parece extremamente longo, pois já abrange quase dois mil anos. Mas o contexto dá forte indicação que nos leva a crer que o termo “últimos dias” deve ser encarado do ponto de vista de Deus e não do nosso.

Notemos que em 2 Pedro 3:8, que está transcrito na Referência 3, o apóstolo achou por bem lembrar o “único fato” de que “um só dia é para Jeová como mil anos, e mil anos, como um só dia”. O Salmo 90 : 4 diz a mesma coisa e muito provavelmente Pedro estava pensando no que diz esta passagem. Mas, por que razão Pedro disse isso? Que relação havia entre este “único fato” e o assunto que estava em pauta (os ridicularizadores e sua atitude)? Por que será que ele incluiu essas palavras no contexto do que ele estava discutindo?

Não é difícil perceber a razão. Conforme ele explica, o motivo básico da zombaria dos “ridicularizadores” era a aparente demora do retorno de Cristo. Segundo o raciocínio desses, ‘as gerações se sucediam e as coisas continuavam exatamente como desde o princípio da criação’. Por não verem as coisas sob o ponto de vista divino, essas pessoas zombavam da esperança cristã. Até mesmo alguns Cristãos sinceros poderiam começar a achar que Jeová é muito “vagaroso com respeito à sua promessa”.

Por isso, o apóstolo fez questão de lembrar aos destinatários de sua carta que os últimos dias poderiam durar muito mais do que eles talvez imaginassem. Contudo, por maior que parecesse ser o intervalo (segundo a maneira humana de contar o tempo), isso não mudaria o fato de que a “promessa” seria cumprida. Mesmo que se passassem “mil anos”, para Deus esse prazo seria curtíssimo. Seguindo a linha de raciocínio expressa por ele, pode-se dizer que o período de quase vinte séculos desde que essas palavras foram escritas equivale a menos de “dois dias” para Deus.

Ademais, se insistíssemos em encarar os últimos dias do ponto de vista humano, ou seja, como um período relativamente curto, com o único propósito de aplicá-los apenas ao nosso próprio tempo, nem por isso o problema estaria resolvido, pois o intervalo de tempo que já passou desde 1914 até aqui não é de jeito nenhum desprezível. Pelo contrário, esse intervalo já é maior do que o período de vida da maioria dos humanos, incluindo até mesmo aqueles que têm “potência especial” (Salmo 90 : 10). Seguramente, quase todas as pessoas que estavam vivas nas duas primeiras décadas do século vinte já faleceram e nenhuma delas viu o fim desses últimos dias.

Considerando todos estes aspectos, é tanto bíblico como lógico chamar o inteiro período da Era Cristã de “últimos dias”, mesmo que o intervalo de tempo em questão seja muitas vezes maior do que o nosso período médio de vida. Já que, em última análise, Deus é o autor da profecia, parece muito lógico considerarmos o assunto na perspectiva Dele. Na questão que segue serão apresentados outros argumentos que confirmam esse entendimento.

  1. Será que essa expressão bíblica tem exatamente o mesmo significado em todas as referências?

Diante do que foi exposto, os defensores da ideia de que os últimos dias do mundo abrangem apenas o século 20, poderiam argumentar que a Bíblia não pode estar falando do mesmo período em todos esses casos. Ou então, poderiam sugerir que uma ou mais destas passagens têm um “cumprimento duplo”, com um grande período de interrupção entre os dois “cumprimentos”.

O que dizer disso? Poderia os “últimos dias” de Atos 2:17 serem referentes apenas ao sistema de coisas judaico (ou então ao período apostólico)? São os “últimos dias” de 2 Timóteo 3:1 e de 2 Pedro 3:3 válidos única e exclusivamente para o período posterior a 1914? Ou será que a profecia, em um ou mais casos, têm dois cumprimentos (um no primeiro século e outro depois de 1914) com um “espaço em branco” de mais de 1.800 anos no meio?

Se a Bíblia desse indicações claras que nos permitissem fazer essas distinções, tais argumentos teriam validade. Há, entretanto, vários raciocínios simples que pesam contra estas interpretações, forçando-nos a concluir que nenhuma delas procede. Em primeiro lugar, o fato é que a mesma expressão bíblica (“últimos dias”) é usada nos três casos. E as Escrituras por si mesmas não dão nem sequer uma razão para acreditarmos que Pedro e Paulo estavam tratando de períodos históricos distintos. Só é possível chegarmos a essa conclusão se forçarmos uma interpretação particular, à parte da Bíblia.

Além disso, vimos que o contexto bíblico completo de cada uma das referências trata de eventos e situações que ocorriam na própria época em que o termo foi aplicado. Nenhum dos dois apóstolos estava falando de episódios que só deveriam ocorrer naquele momento ou que só começariam a acontecer em períodos bem posteriores à sua época (mil e novecentos anos depois, por exemplo!). E muito menos ainda, há qualquer indicação de que o cenário típico dos “últimos dias” existiria no primeiro século, depois haveria uma espécie de “corte”, para só surgir novamente no início do século 20.

Por fim, uma simples observação da história do período apostólico e pós-apostólico permite-nos confirmar definitivamente que não é possível “segmentar” dessa maneira a abrangência do termo “últimos dias”, aplicando-o apenas a períodos fracionários da Era Cristã. O derramamento do espírito santo de Deus sobre humanos, mencionado no livro de Atos, não se restringiu apenas à ocasião do Pentecostes ou apenas ao primeiro século ou ainda somente ao período posterior a 1914. Pelo contrário, tanto no primeiro século como em todos os séculos da Era Cristã existiram verdadeiros seguidores de Jesus Cristo, a quem Deus certamente concedeu o seu espírito. Não há nenhuma razão para pensarmos de maneira diferente. Se não fosse assim, ou seja, se tivesse havido mesmo essa “interrupção no fornecimento” por mais de 1.800 anos, ficaria totalmente inválida a promessa que Cristo fez antes de ir embora, de que estaria com os seus seguidores “todos os dias até a terminação do sistema de coisas”, apoiando-os “para sempre” com o ‘espírito ajudador’ (Mateus 28: 20, João 14 : 15, 16). E isso implicaria dizer também que em todos esses séculos intermediários não existiu nenhum verdadeiro Cristão.

Da mesma forma, os homens com as características mencionadas na segunda carta a Timóteo não existiram apenas no tempo dele. Durante toda a história do cristianismo, cada uma dessas características teve seus representantes. Os homens “amantes do dinheiro”, “pretensiosos”, “amantes de prazeres”, “desobedientes aos pais”, “blasfemadores”, “hipócritas”, “desleais” etc, existiram em todos os momentos, como até mesmo a história religiosa dos séculos passados atesta, com exemplos bem notórios. Simplesmente não há como forçar o argumento de que esses tipos de homens existiram apenas no primeiro século e depois “desapareceram” completamente da face da Terra, para só reaparecerem depois de 1914. É verdade que houve um aumento no número de pessoas dessa índole nos séculos mais recentes, mas isso é decorrência direta do fato de que a população mundial também aumentou enormemente.

E, se sempre existiram Cristãos verdadeiros, o mesmo vale para os “ridicularizadores com os seus escárnios”, citados por Pedro. Após a ascensão de Cristo ao céu, não demorou muito para que aparecessem pessoas duvidando de que ele voltaria um dia. E essas pessoas, pela sua atitude e pelas suas palavras, sempre zombaram da paciência dos Cristãos em esperar pelo cumprimento dessa promessa. É claro que esses ridicularizadores não surgiram somente no início do século 20. Pelo contrário, vimos que eles existiam no tempo de Pedro e podemos encontrá-los em toda a história do cristianismo. Essa história registrou os nomes de alguns e até o que eles disseram.

Com estas evidências em mente, a resposta óbvia a essa questão é então afirmativa. Nos três casos em que a Bíblia usa o termo “últimos dias”, ela refere-se, sem dúvida, ao mesmo período, sem qualquer distinção ou interrupção. O termo deve ser entendido em todos os casos como significando últimos dias do sistema mundial. E o período abrange a Era Cristã na sua inteireza, isto é, do primeiro século até o momento presente.

  1. Como encara a Sociedade Torre de Vigia esse entendimento de que os “últimos dias” começaram lá no primeiro século?

Nas publicações da organização é feita apenas uma menção muito breve dessa crença. A Sentinela de 1.º de Setembro de 1985, página 24, parágrafo 13, diz:

 

Vigilância ou Indolência?

  1. É fácil para as igrejas reconhecidas da cristandade e outras pessoas criticarem as Testemunhas de Jeová porque, às vezes, suas publicações declararam que certas coisas poderiam ocorrer em determinadas datas. Mas, não está essa linha de ação em harmonia com a injunção de Cristo de ‘manterem-se vigilantes’? (Marcos 13:37) Por outro lado, será que, por ensinarem que o Reino significa “o reinado de Deus no nosso coração”, as igrejas da cristandade têm incentivado a vigilância cristã? Em vez disso, não incentivaram a indolência espiritual por considerarem a expectativa do “fim” “sem sentido” ou “um mito insignificante”? Será que os apóstatas que afirmam que os “últimos dias” tiveram início em Pentecostes e abrangem a inteira Era Cristã promoveram a vigilância cristã? Ao contrário, não induziram à sonolência espiritual?

 

Primeiro afirma-se que sugerir datas está “em harmonia com a injunção de Cristo”, no sentido de que os seus seguidores deveriam ’manterem-se vigilantes’. Em seguida, a Sociedade diz que essa hipótese de que os últimos dias abrangem a inteira Era Cristã é uma afirmação dos “apóstatas”. Segundo esse parágrafo da Sentinela, qualquer um que disser isso está induzindo à “sonolência espiritual”.

Assim, em vez de fazer uma análise bíblica sobre o assunto, levando em consideração o significado e o contexto de todas as declarações claras das Escrituras, a Sociedade prefere fazer um ataque contra as pessoas que chegaram a essa conclusão, rotulando-as de “apóstatas”, ‘espiritualmente sonolentas’ e dizendo que elas ‘não estão promovendo a vigilância cristã’.

  1. Qual é o motivo dessa posição da Sociedade Torre de Vigia?

Se, como será demonstrado, a questão de saber exatamente em que momento começou o período que a Bíblia chama de “últimos dias” é irrelevante para a fé cristã, então como se explica essa atitude da Sociedade? Visto que o exame da Bíblia, da história religiosa e o próprio raciocínio lógico conduzem diretamente à conclusão de que esses últimos dias são, de fato, um intervalo de tempo bem extenso, então por que todas estas evidências são simplesmente desconsideradas? Será que essa ideia é tão antibíblica assim, a ponto de os que creem nela merecerem a classificação de “apóstatas”?

Não é difícil descobrir a resposta às perguntas acima. Qualquer pessoa que conheça bem os ensinos da Sociedade, sabe que o ano de 1914 ainda é uma data muito importante na estrutura doutrinal. Que tal data tem perdido gradualmente sua importância no decorrer dos anos também é um fato. Para citar alguns exemplos, ela já não é mais o início oficial da ‘geração do fim’ (esse ensino foi abandonado na Sentinela de 01/11/95, página 19). Além disso, as “coisas” mencionadas por Jesus em Lucas 21:28 não mais se aplicam aos eventos de 1914 (isso deixou de ser ensinado pela Sociedade em 1994 – A Sentinela 15/02/94, página 21).

Até mesmo o estudo da cronologia em geral, já não parece ter a mesma relevância para a Sociedade, como tinha no passado (Leia a Sentinela de 15/09/98, página 10 e seguintes e note como, surpreendentemente, a importância dos “cálculos de tempo” é grandemente minimizada [como as publicações anteriores da Sociedade deram muita ênfase à cronologia, nesse artigo eles evitam cuidadosamente o uso da palavra “cronologia” e, em vez disso usam “cálculos de tempo”, o que, para todos os efeitos, é a mesma coisa]).

Todos esses ensinos sobre cronologia foram questionados desde a década de 70, por certos dissidentes da organização (alguns deles eram Testemunhas de Jeová proeminentes naquela época). Como os questionamentos afetavam a importância do ano de 1914, a Sociedade considerou isso uma apostasia e os combateu severamente. Os ensinos foram mantidos e a Sociedade proibiu todas as Testemunhas de Jeová de examinarem ou discutirem as evidências que os contradiziam. Somente na última década do século 20 é que a Sociedade finalmente abandonou alguns desses ensinos, porque simplesmente não foi mais possível mantê-los.

No entanto, entre os ensinos ainda associados à data de 1914, inclui-se a ideia de que foi nesse ano que começaram oficialmente os “últimos dias” do mundo (como um exemplo entre muitos, veja A Sentinela de 01/04/93, página 16). Se a Sociedade resolvesse considerar e reconhecer abertamente o contexto bíblico e histórico abordado acima, que contradiz esse ensino, ela seria forçada a mudá-lo. Porém, se ela fizesse isso, o resultado seria uma diminuição muito mais expressiva da importância do ano de 1914.

Ao longo do tempo, alguns dissidentes têm divulgado uma série de argumentos contrários à ênfase nessa data. Tanto o aspecto da cronologia que conduz a 1914 quanto o das “evidências físicas” (isto é, os “sinais do fim”, que, segundo a Sociedade, só se evidenciaram a partir de 1914) têm sido objetos de sério questionamento por parte desses. E, conforme a Sociedade dá a entender acima, eles também afirmam que os últimos dias começaram por volta do Pentecostes. Como isso também entra em conflito direto com 1914, a Sociedade diz que essa é uma ‘ideia apóstata’. O problema é que, para manter de qualquer maneira a importância restante que 1914 tem e ao mesmo tempo evitar dar razão a esses dissidentes, a Sociedade é obrigada a recorrer a esse tipo de acusação evasiva e, pior ainda, passar por cima de todas as evidências bíblicas consideradas aqui.

  1. Que diferença faz se os últimos dias começaram no primeiro século ou no século 20?

Para a fé cristã, absolutamente nenhuma. A Bíblia, em nenhum lugar deixa implícito que os Cristãos dependeriam de uma data ou de um período histórico com início definido, para reforçar a sua fé no retorno de Cristo ou para ajudá-los a “manter a vigilância cristã”.

Pelo contrário, em certos textos é até retirada toda a ênfase no fator tempo. Como apenas um exemplo, em Atos 1:7, lemos que o próprio Jesus, respondendo a uma pergunta dos apóstolos, disse-lhes que ‘não cabia a eles obter conhecimento dos tempos e das épocas de Deus’. Apesar desta declaração de Jesus, a mesma Sentinela mencionada acima diz (no parágrafo 15, página 25):

Não há nada de fundamentalmente antibíblico em usar a cronologia no empenho de descobrir ‘o tempo designado’ para o cumprimento dos propósitos de Deus.”

 

Será verdade isso? Quem é que tem razão: Jesus ou a Sociedade Torre de Vigia?

E quanto à “vigilância cristã”? Não é importante crermos que os últimos dias começaram em 1914 para ajudar-nos a mantê-la? Embora a Sentinela citada acima, diga que sugerir datas está “em harmonia com a injunção de Cristo”, o fato é que, biblicamente falando, tal ideia não tem a menor base. Jesus Cristo não disse isso. Uma simples consideração das palavras dele sobre este tema deixa claro que a vigilância cristã deve ser mantida pela razão exatamente oposta. Apenas para citar as três referências diretas que ele fez sobre o assunto:

Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. (Mateus 24:42)

Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis nem o dia nem a hora. (Mateus 25:13)

Portanto, mantende-vos vigilantes, pois não sabeis quando vem o senhor da casa, quer tarde no dia, quer à meia-noite, quer ao canto do galo, quer cedo de manhã; a fim de que, ao chegar ele repentinamente, não vos ache dormindo. (Marcos 13:35-36)

 

Assim, considerando-se apenas o que a Bíblia diz, dificilmente poderíamos concluir que a vigilância cristã depende de cronologia ou de indícios físicos que tenham início após certo “ano marcado”. Não, o que Cristo disse simplesmente, é que tal vigilância deve ser baseada no fato de que realmente não sabemos quando é que ele vem. Juntando isso com o que ele disse aos apóstolos (em Atos 1:7), nós nem mesmo temos autorização para tentar calcular quando será isso.

O problema não é uma pessoa ou um grupo ser obrigado a, por fim, abandonar ou esquecer datas ou períodos que foram sugeridos, devido ao fato de o tempo provar que tais não tinham realmente a importância que lhes era atribuída (e isso tem acontecido vez após vez no campo da religião). Antes, o que está errado é o próprio ato de tentar tirar conclusões cronológicas com base em interpretações particulares das Escrituras. Isso nada mais é que uma tentativa de “obter conhecimento” prévio dos “tempos e épocas” em que Deus há de agir.

Quando alguém arrisca sugerir (ou até afirma convictamente e impõe a outros) que as promessas de Deus poderão ser cumpridas em certas datas ou ao fim de períodos históricos selecionados, isso, em si mesmo, já é uma desconsideração frontal do que Jesus disse. Mais sério ainda é mover processos judicativos com o fim de expulsar de qualquer maneira da congregação cristã os que já não concordam com esses ensinos sobre datas e depois classificá-los como “apóstatas” da pior espécie.

A simples leitura na íntegra das três referências bíblicas que tratam dos “últimos dias” não dá o menor indício de que haja alguma data ou momento específico envolvido, que poderia ser chamada de seu “início oficial”. Tudo o que se apresenta, são informações sobre certas situações ou ocorrências que caracterizariam os últimos dias, enquanto período histórico. Tais podem ser ou de origem divina (a concessão do espírito santo a humanos) ou de origem humana (a vida difícil para os Cristãos e para o mundo em geral, devido ao comportamento de muitas pessoas).

Incontestavelmente, pois, a própria Bíblia não diz e nem sugere o momento em que os últimos dias começaram oficialmente. E isso certamente não está sendo feito aqui nessa análise. Enfatizando a ideia, o que a Bíblia faz é simplesmente especificar certas condições típicas do período inteiro desses últimos dias, sendo que a primeira referência a eles é feita em conexão com o que ocorreu no Pentecostes (cuja data, aliás, por não ser fornecida na Bíblia, podemos apenas inferi-la aproximadamente). Essa conclusão de que tais condições se aplicam a todo o período do cristianismo é baseada no exame imparcial do que dizem estas referências e também no exame da história do período inteiro.

O Novo Testamento enfatiza que são os ensinos e o exemplo de Cristo que constituem a verdadeira base da fé cristã. Ao longo dos quase vinte séculos que já se passaram desde o retorno dele ao céu, foi esse exemplo e esses ensinos que motivaram os seus seguidores, enquanto persistiam as condições que haveriam de ocorrer nos “últimos dias”.