1 Timóteo 2:5. A quem Jesus é o mediador?

‘’Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus. ‘’ (1 Timóteo 2:5)

Como você entende essas palavras do apóstolo Paulo? É um fato interessante de que esta base comum a quase todas as religiões que professam ser cristãs, a saber, Jesus como mediador entre Deus e a humanidade é apoiada por várias citações das Escrituras Gregas Cristãs ou o Novo Testamento. Lendo o contexto de 1 Timóteo 2:5 podemos observar coisas interessantes: ‘’Exorto, portanto, em primeiro lugar, a que se façam súplicas, orações, intercessões e se deem agradecimentos com respeito a toda sorte de homens, 2 com respeito a reis e a todos os em altos postos, a fim de que continuemos a levar uma vida calma e sossegada, com plena devoção piedosa e seriedade. 3 Isto é excelente e aceitável à vista de nosso Salvador, Deus, 4 cuja vontade é que toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade. 5 Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, 6 o qual se entregou como resgate correspondente por todos — isto é o que se há de testemunhar nos seus próprios tempos específicos.’’ (1 Timóteo 2:1-6)

Observamos aqui que Jesus Cristo é o mediador entre Deus e aqueles que se beneficia do seu sacrifício resgatador, pois se o apóstolo diz: toda sorte de homens’’, cuja vontade é que toda sorte de homens sejam salvos’’, ‘’ o qual se entregou como resgate correspondente por todos.’’ Aqui deixa claro que Jesus é o mediador entre Deus e a humanidade. Assim, esta citação por si mesma prova de maneira incontestável esse entendimento. É interessante notarmos outros textos bíblicos:

‘’Filhinhos meus, escrevo-vos estas coisas para que não cometais um pecado. Contudo, se alguém cometer um pecado, temos um ajudador junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo.’’(1 João 2:1)

 

‘’Outrossim, não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu, que tenha sido dado entre os homens, pelo qual tenhamos de ser salvos.” (Atos 4:12)

Embora aqui a palavra ‘’mediador’’ não seja mencionada. O papel de Jesus como tal é deixado claro tanto pelos versículos como pelo contexto. Acredito que você leitor concorda com esse conceito cristão, independente de qual religião você pertença.  Mas por que estou chamando atenção para esse assunto? Será que todas as religiões cristãs tem esse mesmo conceito? Infelizmente não. A Organização das Testemunhas de Jeová distorce o sentido deste versículo, justamente para manter sua doutrina particular de 2 classes de cristãos. O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová ensina que Jesus não é o mediador entre Deus e toda a humanidade, eles ensinam que Jesus só é o mediador dos ‘’cristãos ungidos’’, ou seja, a classe dos 144.000, que segundo a crença das Testemunhas é que somente eles irão para o céu governar com Cristo. As publicações da organização deixa isso bem claro.

 

A Sentinela 15 de setembro de 1979 p. 32

De modo que, em estrito sentido bíblico, Jesus é o “mediador” apenas dos cristãos ungidos.

Como a Torre de Vigia chega a essa conclusão? Antes de verificarmos o que sua literatura diz a respeito, eu gostaria de dizer que esse foi um dos assuntos que me fez começar a duvidar da organização Torre de Vigia, além daquele que especifiquei no meu relato que era sobre o site da organização. Em toda minha era como Testemunha de Jeová, eu sempre entendi que 1 Timóteo 2:5 se referia a humanidade obediente, como destaquei no inicio, o contexto do versículo nos mostra que esse é o entendimento correto, pelo menos para mim. Porém, quando eu estava mexendo nas publicações e me deparei com essa Sentinela citada acima. Tomei um susto! Por que era diferente daquilo que eu acreditava, mas como somos incentivados a sermos diligentes estudantes da Bíblia, resolvi então pesquisar o assunto com calma. Essas pesquisas duraram quase 6 meses, até que eu cheguei a conclusão de que a interpretação do Corpo Governante estava errada. Mas, mesmo sabendo do erro, resolvi não contar de imediato para a congregação, por que tinha acabado de ter um caso de um irmão que foi desassociado por discordar do Corpo Governante, e é claro que fiquei com medo disso. Mas aconteceu num certo dia no inicio desse ano de 2015 por eu ter deixado de ir às reuniões, recebi uma visita de um ancião na minha casa. No meio da conversa eu perguntei pra ele:

– O que você entende do texto de 1 Timóteo 2:5? Quem são os homens a quem Jesus é o mediador?

A resposta dele foi:

– Acredito que os homens somos nós. Visto que para se achegar a Jeová, só se dar por intermédio de Jesus. Daí ele mencionou João 14:6.

 

Bravo! Excelente resposta! Era justamente o que eu pensava, eu disse pra ele. Mas alguns dias depois eu conversei com esse mesmo ancião pelo aplicativo WhatsApp, por ele me perguntar novamente o motivo de não ir mais às reuniões, eu disse de uma forma discreta que tinha dúvidas sobre o que a organização dizia sobre 1 Timóteo 2:5, resposta dele? Ele citou a Sentinela 15 de dezembro de 2008, páginas 13 e 14, nos parágrafos 10-14, essa revista esta citada logo abaixo. Ora, na primeira conversa ele expressou seu ponto de vista referente ao texto, agora após ver o que a organização dizia sobre o assunto, ele logo mudou de opinião e passou a dizer que aquilo é que era a verdade. Só deu pra eu notar que as Testemunhas de Jeová não pensam por si mesmas, e sim pensa sempre da maneira que sua liderança diz, esse é apenas um exemplo, em que eu mesmo vi e vivi.

 

A Torre de Vigia procura explicar seu ponto de vista de uma forma que eu, particularmente encaro como absurda! Por que interfere na nossa própria esperança de salvação. Você talvez deva estar se perguntando: Como assim? Vou explicar no decorrer dessa matéria. Mas vamos observar agora como a organização chega à conclusão de que Jesus é o mediador apenas dos 144.000.

A Sentinela 15 de dezembro de 2008 pp. 13-14 pars. 10-14

 

“O mediador dum novo pacto”

11 Leia 1 Timóteo 2:5, 6. Jesus é aquele que é o “um só mediador entre Deus e homens”. É “o mediador dum novo pacto”. (Heb. 9:15; 12:24) No entanto, Moisés também é chamado de mediador — o mediador do pacto da Lei. (Gál. 3:19) Em que sentido, então, o papel de Jesus como Mediador é sem igual?

12 No idioma original, a palavra traduzida “mediador” é um termo jurídico. Refere-se a Jesus como Mediador legal (ou, em certo sentido, um procurador) do novo pacto que possibilitou a criação de uma nova nação, “o Israel de Deus”. (Gál. 6:16) Essa nação se compõe de cristãos ungidos pelo espírito, que formam um “sacerdócio real” celestial. (1 Ped. 2:9; Êxo. 19:6) O pacto da Lei, com Moisés como mediador, não tinha condições de produzir uma nação assim.

13 O que está envolvido no papel de Jesus como Mediador? Bem, Jeová aplica o valor do sangue de Jesus em favor dos que são incluídos no novo pacto. Desse modo, Jeová legalmente os considera justos. (Rom. 3:24; Heb. 9:15) Em seguida, Deus pode incluí-los no novo pacto com a perspectiva de se tornarem reis-sacerdotes celestiais. Como Mediador deles, Jesus os ajuda a manter uma posição limpa perante Deus. — Heb. 2:16.

14 Que dizer dos que não estão no novo pacto, os que têm a esperança de viver para sempre na Terra, não no céu? Embora não sejam participantes do novo pacto, eles são beneficiários dele. Os seus pecados são perdoados e eles são declarados justos como amigos de Deus. (Tia. 2:23; 1 João 2:1, 2) Quer tenhamos esperança celestial, quer terrestre, cada um de nós tem bons motivos para ter apreço pelo papel de Jesus como Mediador do novo pacto.

Nesta citação eles explicam o seu ponto de vista de um modo que mistura certos textos bíblicos de forma isolada. No parágrafo 11 desta revista, é explicado que Jesus é o mediador ‘’do novo pacto’’, e que se compara com Moisés que era o Mediador da lei. Vamos ver os textos bíblicos citados no parágrafo.

‘’ De modo que é por isso que ele é mediador dum novo pacto, a fim de que, por ter havido uma morte para o seu livramento, por meio de resgate, das transgressões sob o pacto anterior, os chamados recebessem a promessa da herança eterna.’’ (Hebreus 9:15)

‘’ Por que, então, a Lei? Ela foi acrescentada para tornar manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se fizera a promessa; e ela foi transmitida por intermédio de anjos, pela mão dum mediador.’’ (Gálatas 3:19)

 

Estes versículos mostra uma semelhança, Moisés era, de fato, o mediador da nação de Israel, por que foi ele que passou as leis de Yahweh ao povo, desse modo para que os conduzisse ao descendente, ou seja, a Cristo. Jesus é o mediador do novo pacto por que foi através dele e de seu sacrifício resgatador que somos declarados justos. Mas o que podemos entender do novo pacto?

O que é o ‘’novo pacto’’?

As Testemunhas de Jeová acham que o ‘’novo pacto’’, no qual Jesus é o mediador, é aquele ‘’pacto para um reino’’, conforme Jesus expressou aos seus apóstolos em Lucas 22:28-29.

 

A Sentinela 15 de fevereiro de 1986 p. 14 par. 18

18 Ora, o que disse Jesus naquela noite em que instituiu a Comemoração de sua morte? Depois de passar o pão aos seus discípulos, ele ofereceu a seguir o vinho do mesmo modo, dizendo: “Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.” Mais tarde, ele ampliou o motivo de acolhê-los no novo pacto, dizendo: “Vós sois os que ficastes comigo nas minhas provações; e eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.” — Lucas 22:19, 20, 28-30.

 

Dessa forma a organização explica que só os 144.000 herdeiros do Reino é que estão incluídos nesse pacto, conforme o parágrafo 13 da revista de 2008 citada acima. Porém, a organização aqui mistura contextos diferentes em momentos diferentes do que aconteceu naquela noite. Quando Jesus falou do ‘’pacto para um reino’’, foi depois de ele ter instituído a refeição noturna. (Lucas 22:19-20, 28-29) O ‘’novo pacto’’ é diferente do ‘’pacto para um reino’’. O ‘’pacto para um reino’’ é basicamente a chamada de Cristo a aqueles que se sentarão junto com ele no seu reinado. (Veja Lucas 22:30) Por outro lado o ‘’novo pacto’’ tem a ver com o sacrifício resgatador de Cristo e ele sempre esta relacionado com isso. Jesus deixou bem claro que o ‘’novo pacto’’ esta ligado com o perdão de pecados.

‘’pois isto significa meu sangue do pacto’, que há de ser derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados.’’ (Mateus 26:28)

“Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.’’ (Lucas 22;20)

Os textos são claros! O ‘’novo pacto’’ esta relacionado com o perdão de pecados. E isso inclui todos nós, por que Jesus estendeu o beneficio a todos, e não a um pequeno grupo. 1 João 2:2 é citado na revista, mas esse texto diz que Jesus se sacrificou pelos pecados do mundo inteiro. Portanto, Jesus é o mediador do ‘’novo pacto’’, por que ele estendeu isso a todos, e 1 Timóteo 2:5 diz que Jesus é o mediador entre Deus e os homens, e o versículo 6 acrescenta que Jesus se entregou como resgate correspondente por todos. Quem se beneficia do resgate? João 3:16 responde: ‘’Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.’’ Precisamos exercer fé em Cristo Jesus, por que ele nos estendeu o caminho para a salvação. Como podemos fazer isso? Ele mesmo disse: ‘’Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai senão por mim.’’ (João 14:6) Precisamos seguir o caminho de Cristo e obedecê-lo a fim de que sejamos declarados justos perante Deus. É dessa forma que ele é o mediador de toda a humanidade obediente e não só de 144.000 conforme ensina a Torre de Vigia.

Uma doutrina que obscurece a esperança de salvação

 

Quando o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová diz que só os 144.000 estão incluídos no ‘’novo pacto’’ e que somente eles participam dos emblemas da refeição noturna do senhor, (estou preparando uma matéria sobre a refeição noturna e que será publicada em algumas semanas à frente) dessa forma a liderança da Torre de Vigia enfatiza a doutrina de duas classes de cristãos e fortalece sua autoridade. Pois se Jesus é apenas o mediador deles, então os outros que não fazem parte dos 144.000 são dependentes dessa classe. Isso mostra que de uma forma ou de outra, o Corpo Governante sempre estará exercendo poder na vida dessas pessoas. E por não poderem participar dos emblemas da refeição noturna, eles sem se aperceberem, estão negando o benefício maior que Jesus estendeu a todos, o que inclui nossa própria esperança de salvação.

É extremamente perigoso nós nos submetermos a imposições como esta. A Torre de Vigia na tentativa de amenizar sua doutrina particular, diz que os que não estão incluídos no ‘’novo pacto’’ podem se beneficiar dele, vejamos:

A Sentinela 15 de fevereiro de 1986 p. 15 pars. 20-21

20 Então, quem pode corretamente tomar dos emblemas comemorativos de pão e vinho? Somente os do grupo que Deus inclui no novo pacto feito à base do sacrifício de Jesus. (Salmo 50:5) O objetivo deste pacto é justificar primeiro os 144.000 co-herdeiros de Jesus para a vida humana, para que possam sacrificar este direito à vida e ser levados para o Reino celestial. (Romanos 4:25; 2 Timóteo 2:10, 12) Mas, que dizer das “outras ovelhas”?

21 Os que são da classe das “outras ovelhas” não estão no novo pacto e por isso não tomam dos emblemas. Entretanto, todos eles tiram grande proveito de estar presentes à Comemoração como observadores respeitosos.

Conforme acabamos de considerar, o ‘’novo pacto’’ esta relacionado com o perdão de pecados. (Mateus 26:28) E não com o meio de justificar somente 144.000, afim de que eles sejam levados para o céu. Dessa forma eles afirma que as ”outras ovelhas” (os que tem esperança terrestre) não estão incluídas no ”novo pacto”, mas são observadores respeitosos. Onde diz isso na Bíblia? Pra explicar isso,  a Torre de Vigia tenta a todo custo misturar o ‘’novo pacto’’, com o ‘’pacto para um reino’’, expressado em Lucas. Vejamos como o relato de Lucas mostra que essas expressões usadas por Jesus foi ditas em ocasiões diferentes.

   Tomou também um pão, deu graças, partiu-o e deu-lhe, dizendo: “Isto significa meu corpo que há de ser dado em vosso benefício. Persisti em fazer isso em memória de mim.” Do mesmo modo também o copo, depois de terem tomado a refeição noturna, dizendo: “Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício”.

Mas, eis que a mão do que me trai está comigo à mesa. Porque o Filho do homem vai embora, segundo o que foi especificado; de qualquer modo, ai do homem por quem ele é traído!” Principiaram assim a discutir entre si a questão de qual deles seria realmente aquele que estava prestes a fazer isso.

  No entanto, levantou-se também uma disputa acalorada entre eles sobre qual deles parecia ser o maior. Mas ele lhes disse: “Os reis das nações dominam sobre elas, e os que têm autoridade sobre elas são chamados de Benfeitores. Vós, porém, não deveis ser assim. Mas, que o maior entre vós se torne como o mais jovem, e o que age como principal, como aquele que ministra. Pois, quem é maior, aquele que se recosta à mesa ou aquele que ministra? Não é aquele que se recosta à mesa? Mas eu estou no vosso meio como quem ministra.

 “No entanto, vós sois os que ficastes comigo nas minhas provações; e eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel. (Lucas 22:19-30)

 

Notaram aqui a grande diferença de ocasiões? Jesus primeiro institui a celebração de sua morte, e menciona o ‘’novo pacto’’, que é em beneficio daqueles a quem o sacrifício resgatador beneficiaria. Depois, Jesus identifica seu traidor, após isso irrompeu uma discussão entre os apóstolos sobre qual deles era o maior, e só depois é que Jesus fala do ‘’pacto para um reino’’. Pelo relato linear de Lucas, o que observamos é que o ‘’pacto’’ na celebração é diferente do ‘’pacto para um reino’’, não há o que discutir sobre isso.

Uma interpretação não muito destacada

Assim como eu, o leitor que ainda não tinha conhecimento sobre o que a Torre de Vigia ensina sobre 1 Timóteo 2:5, talvez você esteja um pouco chocado! De fato, a maior parte das Testemunhas de Jeová não se dão conta deste detalhe ensinado nas publicações da organização. Realmente, esse ensino de Jesus ser o mediador apenas dos ungidos não é muito destacado pelo Corpo Governante, eu creio que seja pelo fato de que poderia dar um efeito negativo dentro da organização das Tjs.

Mas este não é o único ensino singular a respeito de um mediador, proposto pela organização. Se Jesus não é o mediador entre Deus e a humanidade, haveria de existir outro mediador ou outra forma de se realizar esta intermediação, que mediação seria essa segundo as publicações das Testemunhas de Jeová?

 

A Sentinela 15 de fevereiro de 1985 p. 26 par. 19

Além disso, precisa-se usar uma só organização orientada por espírito com respeito ao envio desses verdadeiros pregadores das “boas novas”.

São afirmações surpreendentes, se compararmos o conceito de Cristo sendo nosso mediador. Observe esta gravura que esta na Sentinela 1 de outubro de 1987 na página 10.

provisoes

O que podemos observar nisso, só mostra aquilo que uma liderança religiosa se interessa, que é poder exercer poder na vida de milhões de pessoas, ao dizer que Jesus é o mediador só de uma classe, e que os outros dependem dessa classe para avançar na estrada da vida.

A Sentinela 1 de agosto de 1982 p. 27 par. 4

Jeová Deus proveu também sua organização visível, seu “escravo fiel e discreto”, composto dos ungidos com o espírito, para ajudar os cristãos em todas as nações a entender e a aplicar corretamente a Bíblia na sua vida. A menos que estejamos em contato com este canal de comunicação usado por Deus, não avançaremos na estrada da vida, não importa quanto leiamos a Bíblia.

 

Uma afirmação um tanto absurda como essa, da a entender que ninguém tem a capacidade de raciocinar de forma correta a não ser por meio de um grupo de pessoas que se acham representantes de Deus, que se auto intitularam porta-vozes de Deus para a humanidade. E ainda se coloca acima da palavra de Deus e que a vida eterna não depende da nossa obediência aos ensinamentos de Cristo contidos na Bíblia, e sim que temos que se associar com uma organização religiosa!

Dentro desse contexto, reflita: Quem deu essa prerrogativa pra eles? Que autoridade a Torre de Vigia tem pra se colocar acima da palavra de Deus? Por acaso a salvação depende dela? Onde entra o papel do Espirito Santo que nos ajuda a discernir as coisas de Deus? (João 16:13)

 

Espero que este artigo ajude as pessoas sinceras que desejam agradar a Deus, por mostrar que a adoração ao Criador não depende de uma organização, e que nossa relação com Jeová não nos dar por meio de um canal autointitulado, o canal de comunicação de Deus é a Bíblia Sagrada mediante Cristo Jesus. Ele é o nosso mediador! Nunca deixe que sua fé no Criador enfraqueça por causa da hipocrisia religiosa, Deus não tem culpa se hoje as religiões desune as pessoas. Lembre-se: ele olha pra você, e não pra religião no qual você pertence!

 

 

Os 144 Mil e a Grande Multidão – Quem São?

O artigo a seguir trata de um assunto doutrinal importante para as pessoas que são ou já foram Testemunhas de Jeová. Vejamos como a organização interpreta certas passagens do Apocalipse da Bíblia, você irá notar diversas contradições do corpo governante em suas teses. É bom lembrar que alguém que nunca foi membro da organização Torre de Vigia, pode não entender bem essa matéria, que até para as Testemunhas de Jeová é um assunto que exige muita atenção e conhecimento das doutrinas do Corpo Governante, talvez você que nunca foi TJ ao ler este artigo pode muito bem não entender nada.

Este artigo não é de minha autoria, ele foi preparado e pesquisado por um ex-ancião e foi publicado no ano de 2000, no site ‘’testemunha’’. Eu fiz alguns ajustes no texto por que no decorrer dos anos, a organização mudou alguns conceitos no que se refere algumas afirmações mostradas no artigo, fiz isso para torna-lo mais atual, porém o sentido permaneceu o mesmo.

‘’Uma só esperança’’

“Há um só corpo, e um só espírito, assim como também fostes chamados em uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo.”  (Efésios 4:4-5 )

O texto acima deixa bem claro que há uma só esperança. A Organização das Testemunhas de Jeová, no entanto, diz que os textos das Escrituras Gregas se aplicam apenas aos ungidos, isto éos mesmos 144 mil de Apocalipse 7:9. Mas onde é a que a Bíblia diz isto? Em lugar nenhum! Segundo o Corpo Governante, Jesus se referia a uma classe terrena, “a grande multidão” (Apo. 7:9), quando mencionou as “outras ovelhas” em João 10:16:

“E tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco, a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanhoum só pastor.”

Quem seriam essas outras ovelhas? Que a própria Bíblia esclareça o assunto. Por ocasião do Concílio de Jerusalém, em 49 E.C., Tiago recordou à congregação a profecia de Amós 9:11,12, de que os judeus seriam ajuntados a pessoas das nações para buscar a Jeová.

“Depois destas coisas voltarei e reconstruirei a barraca de Davi, que está caída; e reconstruirei as suas ruínas e a erguerei de novo, a fim de que os remanescentes dos homens possam buscar seriamente a Jeová, junto com pessoas de todas as nações, pessoas chamadas por meu nome, diz Jeová…” (Atos 16:16-17)

Antes disso, no versículo 9 deste mesmo capítulo, Pedro declarara que Deus já não fazia distinção entre judeus e gentios, visto que cerca de 13 anos antes, Cornélio e outros haviam se tornado os primeiros gentios a entrar na congregação cristã. Lembremo-nos de que Jesus proferiu as palavras em João 10:16 ainda durante seu ministério terreno, antes, portanto, dos acontecimentos narrados no livro de Atos.

Já que, EM PARTE ALGUMA da Bíblia se diz que as ovelhas que já estavam nesse aprisco eram os 144 mil, e que as “outras ovelhas” eram da “grande multidão” de Apocalipse 7:9, a conclusão bíblica a que se pode chegar é que as “outras ovelhas” de João 10:16 eram os cristãos das nações, reunidos aos seus irmãos judeus, sob a liderança do único pastor, o cabeça da congregação cristã. Jesus cumpriu, assim, o que disse que faria em João 10:16. A Torre de Vigia rejeita esse entendimento numa longa exposição em A Sentinela.

A Sentinela 15 de janeiro de 1981 p. 23 par. 6

As igrejas da cristandade afirmam que o “aprisco” de que Jesus fala aqui devia conter apenas cristãos judaicos, ao passo que as “outras ovelhas” são os que se tornam cristãos procedentes dos não-judeus ou gentios; e que tanto os judeus crentes como os gentios crentes tornam-se “um só rebanho” sob “um só pastor” Mas este ensino discorda de outros textos bíblicos sobre o assunto.

Aqui eles começam dizendo que as “igrejas da cristandade” ensinam isso. Com esta expressão, altamente negativa para as Testemunhas, visa-se desacreditar a opinião contrária, além de passar a impressão de que todos que a adotam pertencem a essas igrejas, o que não é verdade. Além disso, é um raciocínio falso o de que, pelo mero fato de as igrejas adotarem certo ensino, este ensino esteja automaticamente errado. A maioria delas ensina que a Bíblia é a Palavra de Deus, que Jesus morreu em sacrifício pela humanidade, e que há uma vida eterna pela frente. Isto não torna tais ensinos errados, não é verdade?

No mesmo parágrafo 6, afirma-se que o entendimento de judeus e gentios juntos no “um só rebanho” de João 10:16 “discorda de outros textos bíblicos sobre o assunto”. Esta é uma afirmação sem fundamento! Que texto bíblico exclui a possibilidade de Jesus ter se referido aos gentios quando mencionou as “outras ovelhas” em João 10:16? Pessoas de ambos os grupos não vieram, de fato, a ser reunidas por meio da aceitação de Cristo? Veja o que disse o parágrafo 7, da mesma revista:

O apóstolo João estava familiarizado com essa parábola, porque ele e seu irmão Tiago, bem como Pedro e André, foram os que promoveram a profecia de Jesus por perguntarem-lhe em particular sobre o “sinal”, e João ouviu a profecia integralmente. (Mar. 13:3, 4) Portanto, quando registrou as palavras de Jesus sobre as “outras ovelhas”, pode muito bem ter recordado a parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos. Ele era o apóstolo idoso a quem se deu a Revelação, que expôs que as 12 tribos do Israel espiritual teriam apenas 144.000 membros.

A Torre de Vigia aqui põe-se a discorrer sobre o que João “pode muito bem ter recordado” quando registrou as palavras de Jesus no capítulo 10, versículo 16 de seu evangelho. O autor desse artigo de A Sentinela presume que João tinha a respeito dos 144 mil do Apocalipse o mesmo conceito que o Corpo Governante tem hoje. Além de ser uma suposição, ele se esquece de que as palavras de João 10:16 não se originaram do próprio João, que apenas as ouviu e escreveu. Foram palavras do próprio Jesus, logo, o que João porventura estivesse pensando naquele momento, nós não sabemos e nem vem ao caso.

Outro argumento empregado pela Torre de Vigia está em A Sentinela 1 de novembro de 1974, páginas 671, 672.

Jesus Cristo disse: “Eu sou o pastor excelente, e conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, assim como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai; e entrego a minha alma em benefício das ovelhas. E tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor.” — João 10:14-16

Estas palavras revelam que Jesus encara como suas “ovelhas”; apenas aqueles que conhecem a sua voz, quer dizer, que reconhecem sua autoridade sobre eles qual seu pastor. Isto torna claro que o aprisco de “ovelhas” que Jesus contrasta com as “outras ovelhas” não pode ter sido a nação de Israel, porque apenas um pequeno restante daquela nação reconheceu a Jesus Cristo como seu pastor. Então, quem são as “ovelhas” do aprisco que formariam “um só rebanho” com as “outras ovelhas”? Seriam os discípulos judaicos, ao passo que as “outras ovelhas” seriam os gentios, que no devido tempo foram aceitos como cristãos ungidos? Embora comentaristas da cristandade muitas vezes apresentem tal explicação, ela não se harmoniza com outros textos.

Lá no tempo do ministério terrestre de Jesus, todos os que o aceitavam como seu pastor eram candidatos a ser membros do reino celestial. Jesus disse aos seus discípulos: “Não temas, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos o reino.” (Luc. 12:32) Em outras ocasiões, Jesus Cristo referiu-se a este “pequeno rebanho” de discípulos como sendo seus “irmãos”. (Mat. 12:49; Mar. 3:34; Luc. 8:21; João 20:17) No devido tempo, quando os gentios foram aceitos por Deus, ungidos com seu espírito santo e’ chamados para a vida celestial, eles também se tornaram “co-herdeiros de Cristo”, seus “irmãos”. (Gál. 3:27-29; Rom. 8:17) Logicamente, pois, as “outras ovelhas” seriam pessoas que não são seus “irmãos”, mas que passam a ter associação íntima com ele.

As palavras de Jesus a respeito de ele entrar na glória do Reino confirmam isso. Lemos:

“Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentara no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda.

“O rei dirá então aos à sua direita: ‘Vinde, vós os que tendes a bênção de meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois fiquei com fome, e vós me destes algo para comer; fiquei com sede, e vós me destes algo para beber. Eu era estranho, e vós me recebestes hospitaleiramente; estava nu, e vós me vestistes. Fiquei doente, e vós cuidastes de mim. Eu estava na prisão, e vós me visitastes.’ Então, os justos lhe responderão com as palavras: ‘Senhor, quando te vimos com fome, e te alimentamos, ou com sede, e te demos algo para beber? Quando te vimos como estranho, e te recebemos hospitaleiramente, ou nu, e te vestimos? Quando te vimos doente, ou na prisão, e te fomos visitar?’ E o rei lhes dirá, em resposta: ‘Deveras, eu vos digo: Ao ponto que o fizestes a um dos mínimos destes meus irmãos, a mim o fizestes.’” — Mat. 25:31-40.

Revela-se assim que as “ovelhas” mencionadas aqui são diferentes dos irmãos de Cristo. Contudo, iguais aos irmãos de Cristo, reconhecem-no como seu “Senhor” ou pastor.

Primeiro ela cita vários textos em que Jesus chama seus discípulos de “irmãos”. Até aí, tudo bem. Depois, recorda a parábola das ovelhas e cabritos em Mateus 25:31-40, onde no final, Jesus diz às ovelhas que lhe deram assistência simbólica:

“Ao ponto que o fizestes a um dos mínimos destes meus irmãos a mim o fizestes”.

Então, vem à conclusão: “revela-se assim que as ‘ovelhas’ mencionadas aqui são diferentes dos irmãos de Cristo.” Pela dedução da organização, não é possível que alguém seja “irmão de Cristo” e “ovelha” ao mesmo tempo, e em João 10:16 Jesus estaria se referindo aos 144 mil e às “outras ovelhas” com esperança terrestre.

O cristão verdadeiro tanto serve aos seus irmãos como é servido por eles. Isto também se ajusta às palavras de Jesus a Pedro, em João 21:17:

“Apascenta as minhas ovelhinhas”.

Pedro era também uma das ovelhas de Jesus, presentes no aprisco de João 10:16, e assim mesmo foi admoestado a apascentar outras ovelhas deste aprisco. Do mesmo modo, Pedro tanto poderia ser um dos “irmãos” de Cristo, quanto uma das “ovelhas”, na parábola das ovelhas e dos cabritos. O apóstolo Paulo, em notável paralelo com João 10:16, dirigiu-se a cristãos gentios de Éfeso, descrevendo o processo de unificação dos dois grupos, em Efésios 2:11-18.

11 Portanto, persisti em lembrar-vos de que anteriormente éreis pessoas das nações quanto à carne; fostes chamados “incircuncisão” por aquilo que é chamado “circuncisão”, feita na carne, por mãos — 12 que naquele tempo específico estáveis sem Cristo, apartados do estado de Israel e estranhos aos pactos da promessa, e não tínheis esperança e estáveis sem Deus no mundo. 13 Mas agora, em união com Cristo Jesus, vós, os que outrora estáveis longe, chegastes a estar perto pelo sangue do Cristo. 14 Pois ele é a nossa paz, aquele que das duas partes fez uma só e que destruiu o muro no meio, que os separava. 15 Por meio de sua carne, ele aboliu a inimizade, a Lei de mandamentos, consistindo em decretos, para que dos dois povos, em união consigo mesmo, criasse um novo homem e fizesse paz; 16 e para que reconciliasse plenamente ambos os povos com Deus, em um só corpo, por intermédio da estaca de tortura, porque ele matara a inimizade por meio de si mesmo. 17 E ele veio e declarou as boas novas da paz a vós, os que estáveis longe, e paz aos que estavam perto, 18 porque, por intermédio dele, nós, ambos os povos, temos a aproximação ao Pai, por um só espírito.

Eis aqui o processo pelo qual Jesus reuniu num mesmo rebanho as “ovelhas” judias e as “ovelhas” das nações. Se o destino final destes dois grupos fosse, como afirma a liderança das TJs, respectivamente o céu e a terra, com funções e posições diferentes em relação a Deus e a Cristo, estes dois grupos de ovelhas jamais se tornariam ‘’um só rebanho’’. Estariam antes, definitiva e eternamente separados. De fato, poder-se-ia dizer que acontecerá o inverso, pois, a ser verdadeiro o ensino da Torre de Vigia, os dois rebanhos estariam, até agora, juntos na terra, os membros das “outras ovelhas ” com os remanescentes dos 144.000. Com o tempo, no entanto, de acordo com o Corpo Governante, estes ungidos restantes morreriam e ressuscitariam aos céus, enquanto que as “outras ovelhas” permaneceriam aqui na terra. Em outras palavras, no final de tudo, os dois grupos ficariam em diferentes apriscos, um no céu e outro na terra. Não é isso, porém, o que está escrito na Palavra de Deus e sim o que está registrado em João 10:16.

Os 144 Mil

Evidentemente, em várias de suas publicações, a Torre de Vigia afirma que várias passagens das Escrituras Gregas se aplicam exclusivamente aos 144.000 mencionados em Apocalipse. Ela diz, por exemplo, que apenas os 144 mil reinarão com Cristo no céu. Já que é preciso fundamento bíblico para isso, podemos considerar os dois únicos textos da Bíblia em que se mencionam os 144 mil.

1) Apo. 7:4 – “E ouvi o número dos selados: cento e quarenta e quatro mil, selados de toda tribo dos filhos de Israel” (E passa a alistar, até o versículo 8, 12 mil selados por cada tribo dos filhos de Israel) 

2) Apo. 14:1, 3 – “E eu vi, e eis o Cordeiro em pé no monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que têm o nome dele e o nome de seu Pai escrito nas suas testas… e ninguém podia aprender esse cântico exceto os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados das terra.” 

Um Entendimento Literal

Como se pode constatar, nenhum dos dois únicos textos bíblicos que se referem aos 144.000 diz que eles reinarão com Cristo. Os textos afirmam que eles são de toda tribo dos filhos de Israel e que foram comprados da Terra. Mostra, porém, a Bíblia que estes 144 mil seriam os únicos comprados? Em Apocalipse 5:9,10, João se refere a um grupo com características diferentes das do grupo dos 144 mil:

“Foste morto e com o teu sangue compraste pessoas para Deus dentre toda tribo, e língua e povo e nação, e fizeste deles um reino e sacerdotes para o nosso Deus, e reinarão sobre a terra.”

Este texto não pode estar se referindo aos 144 mil de Apo. 7:4 e 14:1,3, pois estes últimos pertencem a “toda tribo” dos filhos de Israel, enquanto que o grupo mencionado no capítulo 5 é composto de pessoas dentre “toda tribo, língua, povo e nação”. Com maior probabilidade, estas palavras se referem à “grande multidão” mencionada em Apocalipse 7:9:

“Depois destas coisas eu vi, e, eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar de todas as nações, e tribos, e povos e línguas…

Agora, compare Apocalipse 5:9,10 com Apocalipse 7:9. Ambos mencionam as mesmas características, isto é, de todas as tribos, povos, línguas e nações, sendo que Apocalipse 5: 9,10 acrescenta que os desse grupo ‘’reinarão sobre a terra’’. Em seguida, compare estas duas passagens com Apocalipse14:1-4: diz-se dos 144 mil que têm o nome de Deus e do Cordeiro em suas testas, que cantam um novo cântico que ninguém mais aprendia, que foram comprados da terra, que não se poluíram com mulheres, que seguem o Cordeiro para onde ele vai e são primícias para Deus, mas em parte alguma diz-se que estes 144 mil reinarão sobre a terra! Apocalipse 20:6 tampouco faz menção aos 144 mil.

É claro, o Corpo Governante sustenta o contrário, dizendo que Apocalipse 5:9,10 refere-se ao grupo de Apocalipse 7:4 e 14:1,3; e que a “grande multidão” de Apocalipse 7:9 não tem nada a ver com isso. Mas, o que devemos seguir? A Bíblia ou o Corpo Governante? É óbvio, também, que a Torre de Vigia exclui totalmente a possibilidade de que os 144 mil sejam israelitas carnais.

Livro: Clímax de Revelação cap. 19 p. 117 par. 11

Não pode isso referir-se ao Israel literal, carnal? Não, porque Revelação 7:4-8 diverge da costumeira listagem tribal. (Números 1:17, 47) É óbvio que a listagem aqui não se destina a identificar os judeus carnais pelas suas tribos, mas a mostrar a estrutura organizacional similar do Israel espiritual. Essa estrutura é harmoniosa. Haverá exatamente 144.000 membros desta nova nação — 12.000 de cada uma das 12 tribos. Nenhuma tribo neste Israel de Deus é exclusivamente régia ou sacerdotal. Todos os membros da nação governarão como reis, e todos servirão como sacerdotes.

Aqui ela argumenta que a lista de tribos em Apocalipse 7:4-8 não pode ser literal porque “diverge da costumeira listagem tribal”, citando o capítulo 1 de Números. Quem determinou, porém, que esta listagem de Números, capítulo 1, é a “costumeira”? Em Números 13:4-16 há uma listagem que difere daquela do capítulo 1; em Josué, capítulos 13 ao 19, aparece outra diferente daquelas duas. Já Deuteronômio 33:6-24 apresenta uma listagem diferente de todas as outras. Conclusão:  Não existe uma “costumeira listagem”. E ainda que existisse, é inteiramente arbitrário o argumento de que isso determinaria o entendimento dos 144.000 como não sendo literais.

Outra Explicação: A Figurativa

Há um problema com a interpretação dada pelo Corpo Governante às palavras de Revelação. Todos reconhecem que grande parte do livro tem sentido figurativo. A questão é determinar quando as coisas descritas são figurativas ou literais. Na interpretação do Corpo Governante (obrigatória para todas as Testemunhas de Jeová) para Apo. 7:4 e 14: 1,3, o número 144.000 tem de ser literal. Já as parcelas de 12.000 têm de ser figurativas, visto que ela rejeita totalmente a possibilidade de que as tribos sejam literais.

Se o total é literal, as parcelas tribais também deveriam ser. Se se considerar que as parcelas são figurativas, o mesmo deveria ser aplicado ao total. A interpretação da organização Torre de Vigia, portanto, não tem coerência. 

Ao ensinar a existência de duas classes, o Corpo Governante explica que os 144 mil não são do Israel literal, e sim do Israel espiritual, simbólico, e que estes “israelitas” são, de fato, pessoas de todas as nações. Neste caso, o que os distingue da “grande multidão” de Apo. 7:9, que também é formada de pessoas de todas as naçõesNada.

Vale a pena repetir aqui que, em Apocalipse 5:9, 10, onde se menciona o grupo que reinará com Cristo, não se faz referência alguma aos 144.000, como crê as Tjs. Para ser coerente e argumentar em favor da participação dos 144 mil no reino, a Torre de Vigia teria de estender a participação no reinado também à grande multidão. Mais uma vez, ela se mostra incoerente e se fixa na existência de duas classes.

Se o número de 144 mil for simbólico (o que a Torre de Vigia nega) poderíamos dizer, por exemplo, que ele representa o total de todos os que estarão no céu com Cristo. Defendendo, neste caso, a literalidade, o Corpo Governante argumenta que em Apocalipse 7:4 dá-se um número fixo, 144 mil, ao passo que no versículo 9 lemos que “Depois destas coisas” vê-se a “grande multidão” que ninguém podia contar. Por outro lado, ao explicar os vinte e quatro anciãos com coroas de ouro (Rev. 4:4), no livro Revelação – Seu Grandioso Clímax Está Próximo, página 77, parágrafos 8 a 11, o Corpo Governante diz que eles são representativos de todos os ungidos ressuscitados, isto é, 24 não são realmente 24, mas um número maior! Aqui a organização optou pelo simbolismo, em mais uma prova de incoerência de interpretação. Pergunta-se: se 24 podem representar um número maior de ungidos, por que os 144 mil não podem representar o total dos que vão para o céu com Cristo?

Outro indício em favor do simbolismo desses números está em Apocalipse 14:3, onde se diz que os 144.000 estão cantando um novo cântico diante dos anciãos, os mesmos que segundo a Torre de Vigia “simbolizam o grupo inteiro dos 144 mil na sua posição celestial.” (Clímax de Revelação, página 201, parágrafo 11). O entendimento literal deste versículo implicaria em 144 mil pessoas cantando diante de outras 24. Total: 144.024 pessoas. Este cenário incoerente (do ponto de vista literal) é retratado nas páginas 202 e 203 de Clímax de Revelação. A explicação (interpretação) da Sociedade é que os 144 mil e os 24 anciãos são o mesmo grupo “visto de dois ângulos diferentes”. Logicamente vem a pergunta: por que o mesmo não pode se aplicar à “grande multidão”? Vale ressaltar que na gravura das páginas 202 e 203, os dois grupos aparecem usando coroas, embora o texto de Revelação informe que apenas os 24 anciãos têm coroas.

Página 203 do livro Clímax de Revelação:

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Página 202 do livro Clímax de Revelação:

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Por outro lado, Apocalipse 14:3 diz que, mesmo estando presentes os 24 anciãos, ninguém, exceto os 144 mil, podia aprender o “novo cântico”. Torna-se realmente, nesta base, muito difícil para a organização sustentar, de modo coerente, que os 144.000 sejam obrigatoriamente um número literal em meio a tantos contextos figurativos.

Ainda falando dos números mencionados em Apocalipse, podemos citar os 7 espíritos (1:4), as 7 estrelas (1:16), os 10 dias (2:10), os 24 tronos e as 7 lâmpadas (4:4,5), as 4 criaturas viventes (4:6,7), os 7 chifres e os 7 olhos do Cordeiro (5:6), a quarta parte da terra (6:8), os 4 anjos e os 4 cantos da terra (7:1), a terça parte das árvores, das criaturas e dos rios (8:7-12). Todos estes são apresentados pela Torre de Vigia como sendo figurativos. Por que também não podem sê-lo os 144.000? 

“Diante do Trono” 

O ensino oficial da Torre de Vigia a respeito dos 144 mil é, conforme vimos, de que apenas eles irão para o céu enquanto que os da “grande multidão” ficarão na terra. Será que há na Bíblia fundamento para tal crença? Será que a Bíblia ensina a existência de duas classes distintas de cristãos? Para deixar que a própria Bíblia fale, é necessário examinar os textos que o Corpo Governante aplica ao que ele entende como sendo um grupo NO CÉU e outro NA TERRA.

A “grande multidão” é mencionada em Apocalipse 7:9:

“Depois destas coisas eu vi… uma grande multidão”.

Em Apocalipse 19:1, lemos

“Depois destas coisas ouvi o que era como a voz alta duma grande multidão NO CÉU”.

A Torre de Vigia aplica, arbitrariamente, as palavras de Apocalipse 5:9 aos 144.000 dizendo que são comprados “dentre toda tribo, e língua e povo e nação”. O mesmo, porém, se diz da “grande multidão” em Apocalipse 7:9, de “todas as nações, e tribos e povos, e línguas”. O texto de Apocalipse 14:3, segundo o Corpo Governante, se aplica APENAS aos 144 mil, que “estão cantando como que um novo cântico diante do trono”. Por esta expressão “diante do trono” a Sociedade entende que os 144 mil estão no céu. Veja, no entanto, o que se declara a respeito da “grande multidão” em Apo. 7:9: 

“Eis uma grande multidão em pé diante do trono e diante do Cordeiro”.

“Diante do Cordeiro” estão também os 24 anciãos (que segundo a Torre de Vigia, representam os 144 mil) de Apocalipse 5:8: “…prostraram-se DIANTE do Cordeiro“. 

Apocalipse 6:11 diz:

“E a cada um deles foi dada uma comprida veste branca…”.

 

Este versículo a organização aplica aos 144.000, os “ungidos” (Clímax de Revelação, pág. 102, par. 11). Todavia, o mesmo se diz da “grande multidão”, em Apocalipse 7:9: “uma grande multidão… trajados de compridas vestes brancas”. O Corpo Governante aplica Apocalipse 19:1 a pessoas que estão no céu, quando dizem: A salvação, e a glória e o poder pertencem ao nosso Deus”. De modo semelhante ocorre com a “grande multidão” em Apocalipse 7:10: “Devemos a salvação ao nosso Deus”. 

Apocalipse 7:14 ainda nos informa que os da grande multidão, “…lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”, enquanto em Apo. 22:14, que segundo a Torre de Vigia se refere aos ungidos (Clímax de Revelação, pág. 317, par. 8) diz: “Felizes aqueles que lavam as suas vestes compridas…”.

Por fim, num dos aspectos mais significativos destes paralelos que assemelham os 144 mil à “grande multidão”, encontramos o seguinte em Apocalipse 11:1:

“E foi-me dada uma cana igual a uma vara, ao dizer-me ele: ‘Levanta-te e mede o santuário do templo de Deus e o altar e os que nele adoram”.

A organização explica que essa passagem se aplica aos ungidos, os 144.000. E, tal como em outras passagens, o “templo de Deus” representa o céu. Aí, encontramos em Apocalipse 7:15, sobre a “grande multidão”:

“É por isso que estão diante do trono, e prestam-lhe serviço sagrado, dia e noite, no seu templo“.

Tanto em Apocalipse 11:1 como em Apo. 7:15, a palavra grega para templo é NAÓS, o que deixa bem claro que a “grande multidão” e os 144.000 são descritos pela Bíblia como estando no mesmo lugar, o céu. Ao invés de simples e humildemente aceitar o que diz a respeito do assunto a soberana Palavra de Deus, o Corpo Governante esforça-se para provar que o NAÓS de Apocalipse 11:1 e o NAÓS de Apocalipse 7:15 não são a mesma coisa!

Enfim, essa discussão em torno de palavras gregas, todavia, se mostra desnecessária diante do fato simples de que a Bíblia usa a mesma palavra, NAÓS, para descrever o lugar em que se encontram tanto os 144.000 como a “grande multidão“. Estão no mesmo lugar, O CÉU! Qualquer coisa que vá além disso, será interpretação humana (1 Coríntios 4:6).

O “Pequeno Rebanho” 

 

Há ainda o texto de Lucas 12:32, que a Torre de Vigia acredita referir-se também a um número fixo de 144.000 pessoas. O que ele diz?

“Não temas, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos o Reino”. 

 

Na ótica da organização, o “pequeno rebanho” contrasta-se com a “grande multidão”. Seria preciso, no entanto, haver apoio bíblico para este entendimento, e tal apoio não existe. Esta passagem e as que falam dos 144 mil não estão no mesmo contexto. Em parte alguma da Bíblia se faz ligação entre Lucas 12:32 e Apocalipse 7:4 e 14:1. Tampouco é difícil entender o que Jesus quis dizer com estas palavras, “pequeno rebanho”. A quem Jesus tinha diante dele quando as proferiu? Lucas 12:22 nos informa que, naquele momento, Jesus se dirigia aos seus discípulos, os discípulos que ele tinha na ocasião, e estes eram poucos, um grupo pequeno. Nada mais apropriado, então, que, ao encorajá-los com a promessa do reino, ele os chamasse de “pequeno rebanho”. Caso se pretenda dar a estas palavras um alcance maior do que o daquele momento, e aplicá-los aos cristãos de todas as épocas, podemos lembrar-nos do que o próprio Jesus ensinou em Mateus 7:13, 14. Em relação aos muitos que rejeitariam segui-lo, preferindo a “larga e espaçosa estrada da destruição”, o número de seus seguidores, que acham o “caminho estreito e apertado da vida”, seriam sempre poucos. A própria “grande multidão” torna-se pequena em comparação à população total da terra que perde a oportunidade de entrar no rebanho de Cristo.

 

Conclusão 

 

Quase todos os textos que se aplicam aos 144 mil também se aplicam à “grande multidão”. Contudo, menciona-se dos 144 mil que são selados (Apo. 7:4), que eles estão de pé no monte Sião (Apo. 14:1), e que só eles podem aprender o novo cântico (Apo. 14:4). É verdade que não se diz isto da “grande multidão”. Por outro lado, não é dos 144 mil que se diz que “hão de reinar sobre a terra”, em Apocalipse 5:9, 10. NÃO HÁ MENÇÃO AOS 144 mil no capítulo 5, embora a Torre de Vigia insista em dizer que estes dois versículos se aplicam a eles. A Organização deixa de levar em conta que os mencionados em Apocalipse 5:9,10 são “comprados dentre toda tribo, língua, povo e nação”. Revelação só afirma a mesma coisa a respeito da “grande multidão” (Apo. 7:9). É destes, de toda tribo, povo, língua e nação, que se faz um “reino e sacerdotes” (Apo. 5:10). Em momento algum, no capítulo 5 de Apocalipse, se relaciona isto aos 144 mil. No capítulo 20, versículo 6, diz-se dos que têm parte na primeira ressurreição que “serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos”. A Torre de Vigia também aplica isto aos 144 mil, mas novamente os 144 mil não são mencionados neste capítulo. Igualmente não se fala dos 144 mil como sentados em tronos e como usando coroas de ouro, isto só é dito dos 24 anciãos (Apo. 4:4). O Corpo Governante ensina que os 24 anciãos representam os 144 mil, mas emApocalipse 14:4 fala-se deles como grupos separados, um diante do outro.

 

Se tomarmos o texto de Apocalipse só pelo que ele diz, os 144 mil não reinarão com Cristo. Mas, se pensarmos bem, devemos levar em conta também o que ele não diz! Como assim? Apocalipse NÃO diz que os 144 mil NÃO reinarão com Cristo, como também NÃO diz que a “grande multidão” está na terra. Apocalipse diz que os 144 mil estão no Monte Sião, mas NÃO diz que os da “grande multidão” não estão. Apocalipse não diz que os da “grande multidão” não são selados. Em muitos casos, Apocalipse afirma coisas mas não nega outras! 

 

Se aceitarmos os 144 mil como número literal, temos de aceitar também como literais as parcelas tribais de 12.000, e as próprias tribos de Israel em Apo. 7:4-8 como sendo literais e carnais. E assim mesmo, eles não seriam os ÚNICOS a ir para o céu, pois Apocalipse, como já vimos, retrata a “grande multidão” como estando lá. Esta é, pelo menos, uma interpretação coerente.

Se, por outro lado, considerarmos os 144 mil como mais um número figurativo dentre tantos outros números figurativos de Apocalipse, poderemos muito bem entendê-los como representativos de TODOS OS QUE VÃO PARA O CÉU, do mesmo modo que os 24 anciãos podem representar a totalidade dos 144 mil. Poderíamos entender os 144 mil como simbólicos, um número ideal, a soma completa de todos os que se tornam israelitas espirituais, independentemente de quantos eles venham a ser. A “grande multidão”, neste caso, poderia simplesmente representar TAMBÉM os israelitas espirituais, vistos do ponto de vista da realidade, o cumprimento do ideal simbólico representado pelos 144 mil. Esta é, também, uma interpretação coerente com os simbolismos do Apocalipse.

 

Não temos aqui a pretensão de Rutherford e do Corpo Governante atual, de sermos porta-vozes de Deus, ou “seu canal exclusivo”. Tampouco achamos que somos “dirigidos pelo espírito santo”, como se auto-proclama a Sociedade Torre de Vigia, mesmo tendo já cometido inúmeros e graves erros no campo das profecias, das doutrinas e das normas de saúde.

 

O que aqui se veicula é uma opinião humana (tal como as da Torre de Vigia), formada com base na leitura de vários textos bíblicos. Que os que a virem, possam julgar por si próprios quanto à sua procedência ou não. No entanto, um ponto está bem claro em nossas mentes: a Bíblia mostra que os 144 mil e a “grande multidão” estão juntos NO CÉU. 

 

Suscita-se uma pergunta: por que se apega a organização, de modo tão ferrenho, à sua interpretação oficial, já que se mostra em desacordo com a Palavra?

O que aqui foi considerado, naturalmente, levantará questões quanto à continuidade da vida na terra, quem ficará sobre ela, os “novos céus e a nova terra” de 2 Pedro 3:13, o reinado de mil anos de Cristo e outras. No momento, só podemos dizer que NADA DO QUE FOI DITO aqui elimina essas expectativas. Muitos dos arranjos futuros de Deus, afinal de contas, sairão dos novos rolos.

 

Do que Jeová estabeleceu em Sua Palavra, tudo se cumprirá, e nisso confiamos plenamente.

Será que a Bíblia proíbe a comemoração de aniversários?

Em dois artigos que foram publicados anteriormente neste site tratava-se dos aniversários natalícios, lá enfatizavam os argumentos dos grupos religiosos que proibiam essa celebração aos seus membros. Mas estou corrigindo um detalhe aqui, é que na realidade só existe um grupo religioso que eu conheço que proíbe a celebração dos aniversários natalícios, esse grupo é as Testemunhas de Jeová. Nos dois artigos em que publiquei me referindo a este assunto, abordei alguns argumentos utilizados pelas Testemunhas de Jeová na tentativa de proibir os aniversários. Neste artigo, eu gostaria de considerar mais uma vez este tema só que de uma forma mais profunda, para que assim você possa chegar a uma conclusão definitiva, referente a esse assunto. Porém, é bom examinarmos cuidadosamente os argumentos utilizados pela organização Torre de Vigia, comparar suas publicações e também textos bíblicos ligados à questão. Como muitas pessoas devem saber as Testemunhas de Jeová não comemoram aniversários, também seria sensato da nossa parte não ficar julgando alguém, se por decisão pessoal ela decidir não fazer tal celebração, devemos respeitar a decisão das pessoas de não comemorar seu aniversário. Mas, o que dizer da imposição de uma liderança religiosa que interpreta a Bíblia, dizendo que determinada celebração é proibida por Deus? Impondo aos seus membros que isso ou aquilo é ou não é condenado por Jeová?

A Torre de Vigia (Organização das Testemunhas de Jeová) usa em especial 3 argumentos na tentativa de dizer que a celebração de aniversário natalício é proibida para os cristãos e que Jeová não vê com bons olhos um cristão que decida comemorar. Os 3 argumentos é: (1) que a Bíblia relata desfavoravelmente os aniversários, (2) o ato de comemorar aniversários é de origem pagã e (3) aniversários dão honra indevida a uma pessoa imperfeita. Vamos considerar cada ponto de forma aprofundada e vejamos como essa doutrina imposta pela Torre de Vigia é uma doutrina enganosa e legalista.

RELATOS DESFAVORÁVEIS

Como você talvez deva saber, a Bíblia só relata duas celebrações de aniversários, uma foi do Faraó e a outra foi do Rei Herodes. (Gên. 40: 20-23; Mar. 6:21-29) Nestes dois relatos ocorreram assassinatos, no primeiro foi assassinado o padeiro do Faraó, e no segundo foi executado João Batista. Levando em conta esses dois crimes ocorridos, a Torre de Vigia interpreta como se Jeová estivesse dando sua opinião sobre aquela celebração, que Jeová vê de forma negativa a celebração de aniversários, e que em vista disso é proibido para um cristão, conforme diz as publicações da organização a respeito disso, observe:

 

A Sentinela 15 de janeiro de 1981 p. 31

Como devemos encarar essas duas celebrações de aniversários natalícios? É apenas coincidência que são mencionadas e que ambas eram de pessoas que não tinham a aprovação de Deus? Ou será que Jeová fez deliberadamente com que estes pormenores fossem registrados na sua Palavra, a qual, segundo ele diz, é “proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas”? (2 Tim. 3:16) No mínimo, pode-se dizer que estas duas narrativas colocam biblicamente as celebrações de aniversários natalícios numa péssima luz, como prática dos apartados de Deus.

Raciocínios à base das Escrituras p. 37 par. 3

Tudo o que está na Bíblia tem uma razão de estar ali. (2 Tim. 3:16, 17) As Testemunhas de Jeová notam que a Palavra de Deus relata desfavoravelmente as celebrações de aniversários natalícios, de modo que as evitam.

 

 

Nestas publicações vemos primeiramente que há duas afirmações falsas! A primeira é que A Sentinela diz que a Bíblia coloca os aniversários numa ‘’péssima luz’’, mas aonde esta a condenação para com a festa? Simplesmente não existe condenação! O fato de algo estar registrado na Bíblia não significa necessariamente que Deus esta dando sua opinião sobre aquilo. Se levarmos em conta essa linha de raciocínio, então as festas sociais seriam proibidas, por quê? Na Bíblia em 2 Samuel 13:23-31 lemos ali que Absalão, filho do rei Davi, convocou uma festa social com tosquiadores em Baal-Hazor, e nessa festa Absalão matou seu irmão Amnom, causando muita tristeza e sofrimento à família do rei Davi, mas nem por isso as festas sociais são proibidas para um cristão. Será que Jeová estava dando sua opinião sobre as festas sociais semelhantes a essa? Para entendermos por que Absalão convocou essa festa e por que aconteceu o assassinato de seu irmão Amnom, temos que analisar o contexto. Nos versículos anteriores (vs 10-22) ali vemos que Amnom violenta sua meia-irmã, Tamar, e Absalão o assassinou por vingança. Jeová não estava de fato dando sua opinião com respeito a aquela festa. Mas será que isso é diferente no caso dos aniversários natalícios? De forma alguma!

Se você pegar o contexto desses relatos, verá que Jeová não estava dando sua opinião com respeito a aquela celebração. Por exemplo, no relato de Gênesis 40:9-19, vemos que José interpreta os sonhos do copeiro e do padeiro do Faraó, na interpretação José disse que em 3 dias o padeiro iria morrer, e no terceiro dia por ocasião era o aniversário do Faraó. No caso do aniversário do rei Herodes, se notarmos o contexto, em Marcos 6:17-19, lá nos mostra que João Batista dizia para o Rei Herodes que ‘’não era correto ele ter a esposa do seu irmão’’, no caso ele estava se referindo a Herodias, e ela como diz o vs 19, nutria um forte ódio por João Batista e com certeza ela queria uma oportunidade para mata-lo. Como aconteceu na festa de aniversário de Herodes, em que ele acabou fazendo um juramento para a filha de Herodias, dizendo que o que ela pedisse ele daria, sem saber o que pedir, a garota foi perguntar à sua mãe, Herodias, e foi aí que ela teve a oportunidade para matar João Batista, em pedir que cortasse a cabeça dele. Note que nada, absolutamente nada se diz contra a festa de aniversário que estava sendo realizada. (Marcos 6:21-28) Por isso para que possamos entender por que determinada ocasião esta sendo registrado na Bíblia, o que devemos fazer é observar o contexto. Não se deve precipitadamente concluir que só por que um relato esta na Bíblia é por que há uma razão de estar ali, como se Deus estivesse dando sua opinião. Uma analise contextual nos ajuda a diferenciar isso, e tirar a conclusão correta.

A segunda afirmação falsa esta na citação do livro Raciocínios que menciona que as Testemunhas de Jeová ‘’notam que a Bíblia faz relatos desfavoráveis aos aniversários’’. Mas quem disse que as Testemunhas de Jeová em geral notaram isso? Será que as Testemunhas de Jeová estudaram, analisaram, observaram as origens dos aniversários e todas elas tiraram a mesma conclusão de achar que Jeová não se agrada de ver alguém celebrando seu próprio aniversário? É claro que não! As Testemunhas de Jeová simplesmente obedecem ao que a sua liderança eclesiástica, o Corpo Governante diz sobre o assunto. Eles impõem as Testemunhas àquilo que eles acham ser correto a respeito dessa celebração, e as Testemunhas acreditam que o que vem do seu corpo governante, é a voz ou a opinião de Jeová Deus. Elas não pesquisam cabalmente esse assunto de modo independente, por que se o fizer, é mais provável que conclua que a Bíblia não proíbe tais festas. Portanto, não é as Testemunhas de Jeová que notam que a Bíblia relata desfavoravelmente as festas de aniversários, e sim por que sua liderança lhes diz que se devem encarar as festas da mesma forma que eles, ou seja, eles usurpam a consciência dos outros, e não quer deixar que seus adeptos pensem por si mesmos, caso ousem pensar podem até ser desassociados por isso. Então a tática de ‘’relatos desfavoráveis’’ cai por terra, quando nos empenhamos em estudar o assunto com mais atenção.

 

A ORIGEM PAGÃ

É muito utilizado esse argumento da origem pagã para condenar as festas de aniversário. Na verdade as festas de aniversário tem sim, origem pagã. Mas será que por ser uma celebração pagã, os cristãos não devem comemorar? Isso é o que a Torre de Vigia ensina para cerca de oito milhões de Testemunhas de Jeová na face da terra. Eles ensinam que os adoradores verdadeiros não deve ter nenhuma ligação com o paganismo. Mas vamos ver alguns exemplos que já joga fora todo esse argumento utilizado pelo Corpo Governante.

Existem muitas praticas de origem pagã em que os adoradores verdadeiros utilizaram, e Jeová não os repreendeu por isso, por exemplo, o embalsamamento é uma prática egípcia de preservação do corpo. Em Gênesis 49:33- 50:1-3, mostra que José ordena o embalsamamento de seu pai, Jacó. E em Gênesis 50:26 mostra que o próprio José também foi embalsamado. Jesus Cristo sofreu um processo de mumificação, ordenado por Nicodemos, um líder judeu daquela época, a mirra e aloés. Envolveram Jesus com faixas, junto com aromas. Esse é um processo tipicamente pagão. (João 19:39-40) Se o argumento da origem pagã fosse válido, nenhuma Testemunha de Jeová podia simbolizar sua dedicação a Deus. Por que o batismo tem origem pagã, origem em Babilônia e no Egito antigo.

A Sentinela 1 de abril de 1993 p. 4

A prática do batismo, porém, antecede à fé cristã. Era usada em Babilônia e no antigo Egito, onde se achava que as águas frias do Nilo aumentavam a força e concediam imortalidade. Também os gregos acreditavam que o batismo pudesse causar a regeneração ou pudesse conseguir a imortalidade para o iniciado. A seita judaica em Qumran praticava o batismo de iniciação na sua comunidade. Exigia-se que os gentios convertidos ao judaísmo fossem circuncidados e sete dias depois batizados por imersão perante testemunhas.

Então vimos aqui que a prática do batismo tem sua origem em práticas religiosas babilônicas, mas nem por isso os cristãos são proibidos de se batizar. O próprio Jesus Cristo não era ignorante quanto à origem do batismo, ele mesmo ordenou que seus discípulos fossem batizados. (Mat. 28:19-20) O que valia aqui era a motivação. Como também no caso do embalsamamento, José evidentemente levou em conta que seu pai Jacó fosse enterrado com sua família. O que contava era a motivação. (Gên. 49:29-32)

Há também, muitos exemplos menores que as Testemunhas de Jeová podem ou não podem fazer. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová podem usar aliança de casamento. Mas a aliança de casamento tem origem pagã, surgiu entre os gregos e os romanos e provavelmente a aliança tem origem hindu de usar um anel para simbolizar o casamento. Por outro lado, as Testemunhas de Jeová não podem brindar levantar uma taça e fazer um brinde.

Livro: Mantenha-se no amor de Deus cap. 13 p. 154 par. 20

20 É verdade que muitas pessoas talvez não vejam o brinde como um gesto religioso ou supersticioso. Ainda assim, o costume de erguer as taças pode ser encarado como um pedido ao “céu” — a uma força sobre-humana —, solicitando uma bênção de um modo que não se harmoniza com a Bíblia. 

Veja só que contradição a Torre de Vigia se coloca! É permitido usar aliança que tem origem pagã, mas não podem brindar que também é de origem pagã. A Torre de Vigia se coloca na defensiva em dizer que certos costumes não são de natureza religiosa hoje em dia, como eles se referem ao uso de alianças de casamento.

A Sentinela 1 de setembro de 1992 p. 30

Alguns costumes que outrora eram de natureza religiosa já não o são em muitos lugares. A aliança, por exemplo, outrora tinha significado religioso, mas hoje em dia já não tem na maioria dos lugares. Por isso, muitos cristãos verdadeiros aceitam o costume local de usar aliança como evidência de estarem casados. Em tais assuntos, o que geralmente conta é se atualmente o costume em questão está vinculado com a religião falsa.

Ora, aqui eles tentam se justificar no uso das alianças, dizendo que ela não tem muito significado religioso, e que em vista disso os cristãos devem sim usar a aliança como evidência de estarem casados. Porém, levando em conta esse contexto, pergunte-se:

O que parece ter mais significado religioso: trocar alianças de casamento? Ou festejar um aniversário? Qual dessas duas normalmente acontece em um edifício religioso?

Com certeza, se você é capaz de raciocinar de forma lógica, concluiu que as alianças neste caso estariam mais favoráveis em ter envolvimento religioso do que comemorar aniversários, não é mesmo?  Notaram só a incoerência do pensamento utilizado pela Torre de Vigia? No dia que eu entreguei minha carta de dissociação aos anciãos da congregação no qual eu frequentava, eu mencionei esses detalhes a respeito das festas de aniversários, vocês acham que eles conseguiram defender de forma digna o argumento do Corpo Governante? Não, por que não há o que refutar levando em consideração os fatos até aqui apresentados. Caso tentem se defender, seria por fugir do tema ou ignorar as evidências concretas sobre o assunto.

HONRA INDEVIDA A UMA PESSOA IMPERFEITA

E com respeito a dar honra indevida a uma pessoa imperfeita? Ora, onde diz a Bíblia que é errado honrar alguém? Em lugar nenhum! Jeová exige devoção exclusiva e não nos proíbe de dar honra a alguém que amamos ou gostamos. As Testemunhas de Jeová vez por outra homenageia seus irmãos de fé, por exemplo, quando alguém se batiza ou se torna um pioneiro ou qualquer outro cargo na congregação, os irmãos dão homenagem a aquela pessoa. Eu mesmo já vi casos de irmãos fazerem festa para alguém que estava desassociado e foi readmitido. Então qual o problema em dar honra a alguém numa ocasião especial? Por acaso isso é pecado? O máximo que se pode fazer numa festa de aniversário é homenagear aquela pessoa que esta fazendo aniversário. Portanto, quando as Testemunhas de Jeová utilizam o argumento de que os aniversários dão honra indevida a uma pessoa imperfeita, elas caem em flagrante contradição quando elas mesmas homenageiam seus membros quando estes recebem certos ‘’privilégios de serviço’’, ou quando alguém é readmitido, ou também quando alguém se batiza na organização. Esse argumento não é válido, por que Deus não proíbe em lugar nenhum da Bíblia a comemoração de aniversários natalícios.

TIRE SUA PRÓPRIA CONCLUSÃO

Essa proibição imposta pela Torre de Vigia a todas as Testemunhas de Jeová, as coloca numa situação nada agradável, principalmente para os jovens! Muitos jovens ficam sem saber o que dizer quando algum colega de escola esta fazendo aniversário, e toda a classe canta os parabéns para o aniversariante. Imagine o constrangimento! Eu mesmo já passei por isso, e digo seguramente, não é boa a sensação. Por isso que os jovens Testemunhas de Jeová são difamados, vitimas de zombaria por conta dessa proibição. São chamadas de bitoladas, estraga prazeres, anti sociais, etc. Comemorar um aniversário pode até mesmo ser considerado pecado grave pelas Testemunhas de Jeová. Eu conheço um caso que fez com que uma irmã fosse desassociada por isso, essa irmã era uma mãe solteira e tinha uma filha, quando ela estava fazendo 6 anos, a irmã resolveu fazer uma festinha para ela. Resultado? Desassociação! Será que foi justo? É um pecado grave? Onde a Bíblia fala isso?

Eu particularmente encaro a celebração de aniversários natalícios como uma questão de consciência. Quem não deseja comemorar, deve ser respeitado. Mas aquele que deseja, deve também ser respeitado. A Bíblia não ordena que as pessoas comemorem a data de nascimento, mas também não proíbe. Isso mostra que não devemos cair no legalismo religioso. Se você acha que não deve comemorar aniversários, decisão sua e deve ser respeitada! Mas tome cuidado se você acha que não tem nada de mais em comemorar, mas não o faz por que os outros lhe disseram que Deus proíbe, você vai se deixar levar pela opinião dos outros? Todos nós temos direito a opinião, é um direito que não pode ser tirado de você. Então você que é Testemunha de Jeová, reflita um pouco: devo deixar que o Corpo Governante manipule minha consciência? É um pecado grave aos olhos de Deus comemorar aniversários ou isso opinião dos outros que se acham representantes de Deus? Será que a voz do Corpo Governante é a voz de Jeová? Devo usar minha consciência para distinguir o certo do errado, ou devo deixar que a consciência dos outros decidisse isso por mim?

 

Medite nesses textos bíblicos:

‘’O alimento sólido, porém, é para as pessoas maduras, para aqueles que pelo uso têm as suas faculdades perceptivas treinadas para distinguir tanto o certo como o errado.’’ (Hebreus 5:14)

 

‘’Consequentemente, eu vos suplico, irmãos, pelas compaixões de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, um serviço sagrado com a vossa faculdade de raciocínio.’’ (Romanos 12:1)