Doutrinas da Torre de Vigia: Desassociação e dissociação

Conforme prometido, iniciarei a partir de agora, os questionamentos nas doutrinas das Testemunhas de Jeová, considerar como elas impõe seus dogmas, qual a base para isso, e vejamos o que a palavra de Deus diz a respeito. Neste artigo vamos considerar uma doutrina imposta a todas as Testemunhas de Jeová. Todas elas estão sujeitas a passar por ela. É a doutrina da desassociação e dissociação. Vamos considerar em primeira linha, o tratamento dado a pessoas que são disciplinadas pela Torre de Vigia, mas antes, gostaria que você se imaginasse nas seguintes situações:

Imagine que a partir de amanhã praticamente todos os seus amigos, mesmo os mais íntimos, alguns dos quais você conhece há décadas cortem relações com você, nem mesmo lhe cumprimentando caso o encontrem na rua. Agora imagine que membros de sua própria família como primos, tios, cunhados, sobrinhos passem a lhe evitar. Até mesmo sua mãe, pai, irmãos ou filhos restringem os diálogos a apenas assuntos familiares estritamente necessários. Como se sentiria? Com certeza, se pudesse, faria o possível para evitar esta situação, não é mesmo? Mas imagine o pior: você foi isolado por eles sem que você tivesse feito absolutamente nada que os prejudicasse. Deprimente não? Pois é essa a situação de uma Testemunha de Jeová desassociada ou dissociada. Ela perde todos os amigos que até então se diziam ser os melhores amigos que poderíamos ter, inclusive familiares. Vamos considerar essa doutrina da Torre de Vigia, e como ela a impõe aos seus membros a maneira desse tratamento dado às pessoas que deixaram de ser Testemunhas de Jeová.

Muitas pessoas que não são testemunhas de Jeová, não sabem o que significa ser desassociado e dissociado. Desassociado pode significar em poucas palavras, pessoa com quem não se deve se associar. Dissociado significa literalmente separado. O que as publicações da Torre de Vigia têm a dizer sobre como tratar essas pessoas? Vamos ver algumas citações antes de refutar os argumentos utilizados em apoio a essa doutrina.

Desassociação (Todos os grifos são meus)

Mantenha-se no amor de Deus pp. 207-209

Como devemos tratar uma pessoa desassociada? A Bíblia diz: “Cesseis de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for fornicador, ou ganancioso, ou idólatra, ou injuriador, ou beberrão, ou extorsor, nem sequer comendo com tal homem.” (1 Coríntios 5:11) Com respeito a qualquer pessoa que “não permanece no ensino do Cristo”, lemos: “Nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis. Pois, quem o cumprimenta é partícipe das suas obras iníquas.” (2 João 9-11) Nós não nos associamos com desassociados, quer para atividades espirituais, quer sociais. A Sentinela de 15 de dezembro de 1981, página 21, disse: “Um simples ‘Oi’ dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar este primeiro passo com alguém desassociado?”

É realmente necessário evitar todo e qualquer contato com a pessoa? Sim, por várias razões. Primeiro, é uma questão de lealdade a Deus e à sua Palavra. Obedecemos a Jeová não apenas quando é conveniente, mas também quando envolve grandes desafios. O amor a Deus nos motiva a obedecer todos os seus mandamentos, reconhecendo que ele é justo e amoroso, e que suas leis visam o bem dos que o servem. (Isaías 48:17; 1 João 5:3) Segundo, cortar o contato com o pecador não arrependido evita que nós e a congregação sejamos corrompidos em sentido espiritual e moral, e preserva a boa reputação da congregação. (1 Coríntios 5:6, 7) Terceiro, nossa firme posição a favor dos princípios bíblicos pode até mesmo beneficiar o desassociado. Por apoiarmos a decisão da comissão judicativa, talvez contribuamos para tocar o coração de um pecador que até então não correspondeu aos esforços dos anciãos para ajudá-lo. Perder a preciosa associação com pessoas amadas talvez o ajude a ‘cair em si’, a ver a seriedade de seu erro e a dar os passos necessários para retornar a Jeová. — Lucas 15:17.

E quando o desassociado é um parente? Nesse caso, os laços achegados entre familiares podem ser um verdadeiro teste à lealdade. Como devemos tratar um parente desassociado? Não podemos incluir aqui toda e qualquer situação que possa surgir nesse sentido, mas vamos nos concentrar em duas situações básicas.

Em alguns casos, o parente desassociado talvez faça parte da família imediata e ainda more na mesma casa. A desassociação não põe fim aos laços familiares, por isso as atividades e os tratos normais do dia a dia da família podem continuar. Contudo, pelo seu proceder, o desassociado escolheu romper o vínculo espiritual que tinha com a família. Sendo assim, os membros leais da família não podem mais ter associação espiritual com ele. Por exemplo, caso o desassociado esteja presente quando a família se reunir para estudar a Bíblia, ele não deve participar do estudo. Mas, se o desassociado é um filho menor, os pais ainda são os responsáveis pela sua instrução e disciplina. Por isso eles, como pais amorosos, podem dirigir um estudo bíblico com o filho. — Provérbios 6:20-22; 29:17.

Em outros casos, o parente desassociado talvez não faça parte da família imediata, ou seja, um membro da família imediata que não mora na mesma casa. Embora em raras ocasiões talvez se precise cuidar de um assunto familiar com um parente desassociado, tal contato deve restringir-se ao mínimo possível. Membros leais de uma família cristã não procuram desculpas para ter tratos com um parente desassociado que não more na mesma casa. Em vez disso, a lealdade a Jeová e à sua organização os faz seguir os princípios bíblicos relacionados com a desassociação. Seu proceder leal visa o bem do desassociado e pode ajudá-lo a se beneficiar da disciplina recebida. — Hebreus 12:11.

 

 

                     Viva tendo em mente o dia de Jeová cap. 11 p. 147 par. 14

E quando um irmão comete um pecado grave e não se arrepende e precisa ser expulso da congregação? Isso ocorria no primeiro século; cristãos que se tornavam pecadores não arrependidos tinham de ser desassociados. Se isso acontecia quando os apóstolos de Jesus ainda viviam, não é de admirar que aconteça de vez em quando hoje. Nesses casos, os leais na congregação aceitam a norma bíblica de não se associar com os que foram expulsos. A sua lealdade a Jeová pode ajudar o transgressor a ver a seriedade de seu erro, e talvez movê-lo ao arrependimento. Lemos na Bíblia que certo homem em Corinto foi expulso, mais tarde se arrependeu, mudou de proceder e foi readmitido. (1 Coríntios 5:11-13; 2 Coríntios 2:5-8)

 

 

Nosso Ministério do Reino agosto de 2002 p. 3 par. 2-4

Como tratar um desassociado: A Palavra de Deus ordena que os cristãos não tenham companheirismo com uma pessoa expulsa da congregação: “[Cessai] de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for fornicador, ou ganancioso, ou idólatra, ou injuriador, ou beberrão, ou extorsor, nem sequer comendo com tal homem. . . . Removei o homem iníquo de entre vós.” (1 Cor. 5:11, 13) As palavras de Jesus, registradas em Mateus 18:17, também são relevantes: “Seja [aquele que foi expulso] para ti apenas como homem das nações e como cobrador de impostos.” Os ouvintes de Jesus sabiam muito bem que os judeus daqueles dias não se associavam com gentios e repudiavam os cobradores de impostos. Assim, Jesus estava ensinando seus seguidores a não se associar com alguém que tivesse sido expulso.

3 Isso significa que os cristãos leais não devem ter companheirismo espiritual com ninguém que tenha sido expulso da congregação. Mas há mais envolvido. A Palavra de Deus declara que não devemos ‘sequer comer com tal homem’. (1 Cor. 5:11) Assim, evitamos também o convívio social com quem foi expulso. Isso significa que não vamos com ele a piqueniques, festas, jogos, compras, ao cinema, nem tomamos refeições com ele, quer em casa quer num restaurante.

4 E quanto a falar com o desassociado? Embora a Bíblia não trate de cada situação possível, 2 João 10 nos ajuda a entender o conceito de Jeová sobre a questão: “Se alguém se chegar a vós e não trouxer este ensino, nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis.” Comentando isso, A Sentinela de 15 de dezembro de 1981, na página 21, diz: “Um simples ‘Oi’ dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar este primeiro passo com alguém desassociado?”

 

 

A Sentinela 15 de janeiro de 2007 p. 20 par. 5

A situação é diferente se o desassociado não é menor de idade e não mora com os pais. O apóstolo Paulo admoestou os cristãos na antiga Corinto: “[Cessai] de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for fornicador, ou ganancioso, ou idólatra, ou injuriador, ou beberrão, ou extorsor, nem sequer comendo com tal homem.” (1 Coríntios 5:11) Embora cuidar de necessários assuntos familiares possa exigir algum contato com o desassociado, os pais cristãos devem se esforçar em evitar associação desnecessária.

 

 

Nosso Ministério do Reino agosto de 2002 p. 4 par. 13

Depois de ouvir um discurso numa assembleia de circuito, um irmão e sua irmã carnal se deram conta de que precisavam mudar o modo como tratavam a mãe, que morava em outro lugar e havia sido desassociada seis anos antes. Logo depois da assembleia, o irmão ligou para a mãe e, depois de reafirmar seu amor por ela, explicou que não falaria mais com ela, a não ser que um assunto familiar importante exigisse esse contato. Pouco depois, a mãe começou a assistir às reuniões e, com o tempo, foi readmitida. Também, o marido dela, um descrente, passou a estudar e com o tempo foi batizado.

 

Dissociação: (Todos os grifos são meus)

 

A Sentinela 15 de agosto de 1982 p. 31 par. 7

Alguém que por palavra e/ou ação encerra claramente sua condição de Testemunha de Jeová, está-se dissociando. Portanto, os anciãos anunciarão brevemente à congregação que tal pessoa se dissociou. Os da congregação aceitarão a decisão dessa pessoa e depois disso a encararão como ex-irmão, com o qual não se associarão mais, em harmonia com o que lemos em 1 Coríntios 5:11 e 2 João 9-11.

 

 

A Sentinela 15 de dezembro de 1981 p. 19 par. 16

16 Os que se tornam ‘não dos nossos’ por deliberadamente rejeitarem a fé e as crenças das Testemunhas de Jeová devem ser encarados e tratados apropriadamente como aqueles que foram desassociados por causa duma transgressão.

 

 

A Sentinela 15 de julho de 1985 pp. 31-32

João diz: “Todo aquele que se adianta e não permanece no ensino do Cristo não tem Deus. Quem permanece neste ensino é quem tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém se chegar a vós e não trouxer este ensino, nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis.” (2 João 9, 10) Essas palavras certamente se aplicariam a alguém que se tornou apóstata por unir-se a uma religião falsa ou por difundir uma doutrina falsa. (2 Timóteo 2:17-19) Mas, que dizer daqueles de quem João disse “saíram do nosso meio”? Ao passo que os cristãos do primeiro século saberiam que não deviam associar-se com um transgressor expulso, ou com um apóstata ativo, agiam de modo similar para com alguém que não foi expulso, mas que voluntariamente renunciou ao caminho cristão?… Tais pessoas que voluntariamente abandonam a congregação cristã tornam-se, desta forma, parte do ‘anticristo’. (1 João 2:18, 19)”.

 

Vimos aqui como as publicações da Torre de Vigia incentiva seus membros a encararem as pessoas que foram Testemunhas de Jeová e deixaram de ser, não importa o motivo. Você acha que é correto tal tratamento? E que dizer dos textos bíblicos utilizados para dar apoio a essa posição adotada pelas Testemunhas de Jeová? Convido você a considera-los e ver por si mesmo se realmente há base para esse tratamento desumanizante!

 

Desassociação e dissociação das Testemunhas de Jeová

 

Conforme vimos nas publicações acima citadas, a dissociação é a forma em que uma testemunha de Jeová batizada pede voluntariamente seu desligamento total da organização Torre de Vigia, ela pode ser pedida verbalmente, mas o mais comum parece ser através de carta. É muito comum os irmãos da congregação difamar o nome da pessoa dissociada, caluniar e injuriar. Um dissociado não precisa passar pela humilhante comissão judicativa. Ao ser você mesmo aquele que determina o seu próprio destino, você preserva sua autonomia, é a figura ativa no processo. Prevalece a sua vontade e a sua maneira de agir. Parece que as pessoas que optaram por essa forma de libertação guardam menos traumas, pois tem o controle na mão e não são submetidas a um processo aviltante e doloroso.

Por outro lado, a desassociação trata-se de um processo judicativo, um tribunal de exceção, religioso, com poderes para punir e prejudicar gravemente a vida do indivíduo a ele submetido. Se uma Testemunha de Jeová cometer um erro grave, talvez até um crime (furto, uso de drogas, tráfico, lesão corporal, etc.), é necessário que responda por seus atos, é muito provável que mereça ser repreendido, censurado e, se manifestou arrependimento, ser ajudado também. Porém, a comissão vai muito além. Ela determinará seu futuro dentro da família, com poderes para torná-lo um pária social, qualquer testemunha sabe do que estou falando, vimos o que as publicações acima confirmam isso. Todavia, alguns pensam que os desassociados somente o são porque cometeram pecados sexuais (geralmente os irmãos pensam que foi adultério ou fornicação). Quem pensa que a desassociação só se limita a isso está totalmente enganado. Há muitos desassociados que o foram por simplesmente discordar de A Sentinela, como se fosse essa revista divina; por questionar ensinos como “a geração de 1914, que não passará”; questionaram, persistiram nas dúvidas sinceras e foram desassociados por isso. Uma comissão judicativa que executa esse tipo de punição, é composta normalmente por 3 anciãos, porém em casos considerados complexos, até 5 anciãos podem ser convocados. Uma comissão é como se fosse um tribunal, com o objetivo de julgar determinado proceder.

Como vimos, as testemunhas de Jeová tratam os ex-membros como se fossem mortos, invisíveis, não dirigem nem um simples ‘’oi’’ a essas pessoas. Muitas a encaram como um ‘’inimigo’’, e até mesmo um ‘’inimigo de Jeová’’. Algumas ignoram até as necessidades dessas pessoas, por exemplo; um patrão testemunha de Jeová não deve empregar um desassociado, não importa o quanto ele esteja precisando. Você acha que essas atitudes são cristãs? Veremos a seguir os textos, que segundo a Torre de Vigia, dão uma suposta base para essa doutrina. E também vamos desmascarar essa doutrina antibíblica usando a palavra de Deus.

TEXTOS QUE DÃO SUPOSTA BASE PARA O TRATAMENTO DADO AO DESASSOCIADO

 

‘’Cesseis de ter convivência…’’

Quero propor a você amigo leitor, uma consideração analisando os textos bíblicos que segundo a Torre de Vigia dão supostamente base para as doutrinas da desassociação e dissociação. O principal deles é que esta descrito acima, o texto de 1 Coríntios 5:11, vamos ver:

‘’ Mas, eu vos escrevo agora para que cesseis de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for fornicador, ou ganancioso, ou idólatra, ou injuriador, ou beberrão, ou extorsor, nem sequer comendo com tal homem. ‘’

Primeiramente é bom lembrar que embora a palavra ‘’desassociação’’ não exista na Bíblia, a ideia de uma disciplina existe. E ela esta clara no contexto ao dizer que se deve ‘’remover o homem iniquo dentre vós.’’ (vs 13) Existe sim a disciplina de afastar alguém do convívio pleno por estar praticando deliberadamente pecados como os descritos no texto. Mas será, porém que o apóstolo Paulo estava falando de uma doutrina estabelecida por uma liderança mediante um tribunal eclesiástico às portas fechadas, semelhante ao que acontece na organização das Testemunhas de Jeová? Não há nada na Bíblia que apoie tal conceito. Paulo estava falando de pecadores empedernidos, de pessoas que fazem do pecado, dos pecados descritos pelo apostolo um procedimento contumaz na sua vida. Se observarmos o contexto, notamos um caso de imoralidade flagrante naquela congregação em Corinto. Na sua segunda carta Paulo volta a atenção para esse caso no capitulo 2, pedindo para que o homem fosse perdoado e que a congregação reafirmasse seu amor por ele. (2 Cor. 2:5-8) Seria isso uma espécie de readmissão oficial, de crio organizacional, por meio do mesmo tribunal eclesiástico? Note o que Paulo disse: ‘’ Esta censura da parte da maioria é suficiente para tal homem’’ (2 Cor. 2:6, grifo é meu) Se a censura era da parte da maioria, então havia uma minoria que não censurou aquele homem da maneira infligida. Isso já nos mostra que não havia uma obrigação organizacional por meio do apostolo Paulo. O que havia em termos de disciplina, era em base pessoal. Tanto é que Paulo não ameaça expulsar aqueles que não censuraram aquele pecador, a maioria como mostra o relato bíblico fez isso. É interessante nós ponderarmos novamente no texto de 1 Coríntios 5:11 aquela expressão ‘’cesseis de ter convivência’’, significa literalmente: ‘’não vos mistureis com’’. E se nós formos ao texto de 2 Tessalonicenses 3:14 que diz: ‘’Mas, se alguém não for obediente à nossa palavra por intermédio desta carta, tomai nota de tal, parai de associar-vos com ele, para que fique envergonhado.’’ (grifo é meu) Essa expressão ‘’parai de associar-vos com ele’’, é a mesma palavra grega usada em 1 Coríntios 5:11, que significa literalmente ‘’não vos mistureis com’’.

Essa palavra foi traduzida de modo diferente por quê? O pretexto para a diferença da tradução pode ser entendida se lermos o versículo seguinte: ‘’ Contudo, não o considereis como inimigo, mas continuai a admoestá-lo como irmão.’’ (2 Tes. 3:15) Então não significa que ninguém poderia sequer cumprimentar aquela pessoa, pois como admoestar alguém sem falar com a pessoa? É claro que os defensores da doutrina da Torre de Vigia argumentam que aqueles pecados alistados em 1 Coríntios eram mais graves do que o apostolo estava falando em 2 Tessalonicenses, mas se você reparar o texto de 2 Tessalonicenses 3:14 que diz no início: ‘’ Mas, se alguém não for obediente à nossa palavra’’, fala-se aqui de pessoas desobedientes a palavra, será que isso não era importante? Era um pecado menor? Jesus disse que seriam salvos aqueles que fizessem a vontade de Deus. (Mat. 7:21) Portanto a obediência é algo muito importante para um cristão. Quando Paulo falou em 1 Coríntios sobre pessoas fornicadoras, idolatras, gananciosos e assim por diante, é evidente que ele estava falando de pessoas que eram desobedientes a palavra. E como estamos vendo aqui pela palavra grega usada por Paulo, o tratamento dado em ambos os casos é o mesmo, ‘’não vos associeis’’ no sentido de não se misturar com essas pessoas, não significa que você não deva dar um ‘’olá’’, um ‘’bom dia’’ e assim por diante, isso é ir além das coisas escritas. (1 Cor. 4:6)

“Nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis…’’

Este é um versículo muito usado pela liderança das Testemunhas de Jeová, é o texto de 2 João 9-11:

‘’Todo aquele que se adianta e não permanece no ensino de Cristo não tem Deus. Quem permanece neste ensino é quem tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém se chegar a vós e não trouxer este ensino, nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis. Pois quem o cumprimenta é partícipe das suas obras iniquas.’’

A Torre de Vigia usa este texto para usar como base para não cumprimentar pessoas desassociadas e dissociadas, na revista A Sentinela de 15 de julho de 1985, na página 31, debaixo do tópico ‘’pergunta dos leitores’’, lá é explicado que tanto os desassociados como os dissociados, merecem tal tratamento descrito pelo apóstolo João. Infelizmente amigos, a organização tem um defeito muito grande de pegar versículos bíblicos e aplica-los fora do contexto. Se nós observarmos o contexto de 2 João veremos de quem o apostolo estava falando. O vs 7 diz assim: ‘’Pois, muitos enganadores saíram pelo mundo afora, pessoas que não confessam Jesus Cristo vindo na carne. Este é o enganador e o anticristo.’’ No vs 9 observamos também que estava falando de pessoas que ‘’se adianta e não permanece no ensino do Cristo’’, é digno de nota que o texto esta falando de anticristos, que são pessoas que negam ao Pai e ao Filho, não há o que se aplicar esse texto a pessoas desassociadas e dissociadas que creem em Jeová e em Jesus, essas pessoas que simplesmente por discordar de uma organização religiosa como a Torre de Vigia, não há o que aplicar este texto.

‘’Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos…’’

 

Outro texto bastante utilizado é o de 1 João 2:19, este texto diz:

‘’Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas, saíram para que se mostrasse que nem todos são dos nossos.’’

Novamente a organização ignora o contexto, veja o que diz o vs 18: ‘’Criancinhas, é a última hora, e, assim como ouvistes que vem o anticristo, já está havendo agora muitos anticristos; sendo deste fato obtemos o conhecimento de que é a última hora.’’ O apóstolo João esta falando da mesma coisa que ele disse na sua segunda carta, ele esta falando de ‘’anticristos’’, quem é considerado anticristo? 1 João 2:22 responde: ‘’Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, aquele que nega o Pai e o Filho.’’ Há base sólida para aplicar este vs a pessoas que saíram da Torre de Vigia? A organização descaradamente diz na Sentinela, citada anteriormente, de 15 de julho de 1985, página 32, paragrafo 8: ‘’Tais pessoas que voluntariamente abandonam a congregação cristã tornam-se, desta forma, parte do ‘anticristo’. (1 João 2:18, 19)” Será que se alguém sai da Torre de Vigia, se torna o anticristo? Biblicamente falando não, por que o anticristo é aquele que nega o Pai e o Filho, e é bom levar em conta que muitos que saíram desta organização continuam crendo em Jeová e em Jesus, será que isto os torna anticristos? De forma alguma, a Bíblia não apoia tal ideia. Portanto, sair da Torre de Vigia, não significa ser um anticristo!

‘’Falsos instrutores’’

A organização das testemunhas de Jeová chama os dissidentes de ‘’falsos intrutores’’, pessoas que segundo eles, desprezaram a vereda da justiça. E o texto usado para basear esse tipo de argumento é 2 Pedro 2:10-22:

‘’Embora lhes prometam liberdade, eles mesmos existem como escravos da corrupção. Pois todo aquele que é vencido por outro é escravizado por este. Certamente, se eles, depois de terem escapado dos aviltamentos do mundo pelo conhecimento exato do Senhor e Salvador Jesus Cristo, ficam novamente envolvidos nestas mesmas coisas e são vencidos, as condições derradeiras tornaram-se piores para eles do que as primeiras. Porque teria sido melhor para eles que não tivessem conhecido de modo exato a vereda da justiça, do que, depois de a terem conhecido de modo exato, se desviarem do mandamento santo que lhes foi entregue. Com eles aconteceu o que diz o provérbio verdadeiro: “O cão voltou ao seu próprio vômito e a porca lavada a revolver-se no lamaçal.”

Aqui literalmente eles condenam os ex-membros aplicando este texto a tais, especialmente o vs 22 que eu mesmo vi o quanto eles adoram aplicar este texto: ‘’O cão voltou ao seu próprio vômito e a porca lavada a revolver-se no lamaçal.” Eles costumam dizer que aqueles que saem da organização, ‘’cospem no prato que comeram’’. Quão errado é aplicar esse tipo de raciocínio! Será que Pedro estava falando de pessoas que discordam de uma organização religiosa? Novamente vamos ver o contexto, o apostolo Pedro estava falando de pessoas que vivem no erro, pessoas hipócritas, pessoas que promovem seitas destrutivas. Não há o que aplicar o texto a pessoas que saem da organização por motivo de consciência. A não ser que a pessoa sai, e se mete em todos os erros descritos em 2 Pedro 2:2-16. A organização das testemunhas de Jeová aplica texto em apoio a sua doutrina, desconsiderando o contexto, isso é um erro gravíssimo!

‘’Que ninguém vos seduza…’’

 

Outro versículo muito usado é o de 2 Tessalonicenses 2:1-3:

‘’No entanto, irmãos, com respeito à presença de nosso Senhor Jesus Cristo e de sermos ajuntados a ele, solicitemos-vos  que não sejais depressa demovidos de vossa razão, nem fiqueis provocados, quer por uma expressão inspirada, quer por intermédio duma mensagem verbal, quer por uma carta, como se fosse da nossa parte, no sentido de que o dia de Jeová está aqui. Que ninguém vos seduza, de maneira alguma, porque não virá a menos que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem que é contra a lei, o filho da destruição.’’

É interessante notarmos o que diz a revista A Sentinela 1 de dezembro de 1982 pagina 13, paragrafo 4;

‘’Hoje em dia, um restante desse “escravo fiel” ainda está vivo na terra. Seus deveres incluem receber e passar adiante a todos os servos terrestres de Jeová o alimento espiritual no tempo apropriado. Ocupam uma posição similar à de Paulo e seus colaboradores, quando esse apóstolo falou sobre as maravilhosas verdades que Deus revela ao seu povo: “É a nós que Deus as tem revelado por intermédio de seu espírito.”

 

Aqui o Corpo Governante diz que eles, o escravo fiel e discreto ocupam uma posição similar a de Paulo. Não há texto melhor para ser aplicado à própria Sociedade Torre de Vigia! O vs 2 diz que não devemos ficar provocados ‘’por uma mensagem verbal, ou duma carta’’ como se fossem da parte dos apóstolos. A organização no decorrer da sua história pregou diversas vezes o fim do mundo e falhou em todas. (1914, 1925, 1975) Quem então estava divulgando mensagem (discursos) por meio de cartas (revistas, livros) no sentido de que o dia de Jeová esta aqui? Quem conhece a história da Torre de Vigia, sabem da resposta! Então este texto não há o que aplicar a pessoas que saem da organização das testemunhas de Jeová por discordarem de seus ensinos!

Orações pelos desassociados, pode ou não?

O que dizer de orar por essas pessoas? Ora, a Organização também desaconselha isso! Por exemplo, na revista A Sentinela 1 de dezembro de 2001 na página 30, lá diz que não se deve orar por pessoas desassociadas, e usam como base disso o texto de Jeremias 7:16 que diz assim:

‘’E no que se refere a ti, não ores por este povo, nem eleves por eles um clamor suplicante ou uma oração, nem instes comigo, porque não te escutarei.’’

A organização aplica este versículo a todos os desassociados e dissociados. Porém, novamente a Torre de Vigia aplica o versículo ignorando seu contexto, se lermos desde o inicio do capitulo 7 de Jeremias, veremos que Yahweh esta falando de Jerusalém e de seu templo, mostrando que ninguém deveria orar pelos Israelitas desobedientes, que ignoraram o aviso dado pelos profetas, como no caso de Jeremias. O artigo também cita textos interessantes como esse:

“Se alguém avistar seu irmão cometendo um pecado que não incorre em morte, pedirá, e ele lhe dará vida, sim, aos que pecarem sem incorrer em morte. Há um pecado que incorre em morte. A respeito deste pecado não lhe digo que faça solicitação.” (1 João 5:16)

O pecado que incorre em morte é aquele pecado que não tem perdão, que é o pecado contra o Espírito Santo de Yahweh. (Mateus 12:31, 32) A Torre de Vigia não incentiva seus membros a fazerem orações pelos desassociados, não importa se esse desassociado tenha cometido pecado contra o Espirito ou não, a não ser que este mostre que quer voltar para a Organização. O artigo dessa Sentinela diz que só quem esta arrependido é que se deve recorrer em oração a favor dele, e só em particular. Mas para a Torre de Vigia, como se deve saber se um determinado pecador esta arrependido ou não? Para as Testemunhas de Jeová, um pecador só é considerado arrependido se voltar a ser Testemunha de Jeová, ele pode até abandonar seu erro cometido, mas se não voltar para a Torre de Vigia, ele não será perdoado por Deus. O que isso significa? Será que Jeová só perdoa se você estiver fazendo parte de um grupo religioso? Você pode até deixar o erro, mas se não voltar a ser TJ, não terá a aprovação divina. Isso meus amigos é antibíblico! Nada na Bíblia indica que pra ser perdoado é preciso e é necessário esta associado a uma organização religiosa. O que a Bíblia realmente diz sobre perdão é que se um pecador mudar de atitude ele pode ser perdoado por Deus, exemplo disso foi o do Rei Davi. (Por favor, leiam esses textos bíblicos: 2 Sam. 11:12-17; 2 Sam. 12:5-14; Sal. 51:1-4, 7-12) Davi mudou de atitude, ou seja, estava genuinamente arrependido do que tinha feito, e Jeová o perdoou assim que ele mostrou esse arrependimento.

No caso da Torre de Vigia, mesmo que um pecador se arrependa e queira voltar, é necessário ficar no mínimo 6 meses assistindo reuniões e sendo ignorado por seus ”amigos”. Eu pergunto a você que é Testemunha de Jeová e que esteja lendo este artigo: Onde diz na Bíblia que Jeová só perdoa e que só aceita alguém como genuinamente arrependido depois de 6 meses da primeira demonstração desse arrependimento? Onde diz na Bíblia que Jeremias 7:16 se aplica a quem comete pecados por fraqueza espiritual e em consequência da imperfeição humana? Onde a Bíblia da à ideia que para ser perdoado é preciso estar dentro da organização Torre de Vigia? Resposta simples a essas perguntas: Em lugar nenhum!  

Sem contar que com respeito às orações, Jesus disse: ‘Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem.’ (Mateus 5:44) ”Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” (Mateus 7:12) Você encara um desassociado como inimigo? Em caso afirmativo, por que não orar por eles? Se você não encara os desassociados como inimigos, por que não orar por eles? O que Jesus disse nos textos citados acima é claro quanto à atitude de um cristão leal. Só há uma exceção pelo qual não devemos recorrer em oração, conforme o apostolo João disse em 1 João 5:16, que é o pecado que ”incorre em morte”, em outras palavras o pecado contra o Espirito Santo de Deus, pelo qual não há perdão. (Lucas 12:10)

 

São tipos de textos que se colocam em conflito com o tratamento dado a pessoas desassociadas e dissociadas. Quem ousar dizer que não se devem tratar as pessoas assim é provável que essa pessoa seja também expulsa, por que o Corpo Governante não admite quem discorda deles. Isso é a mais pura autoglorificação!

CONCLUSÃO

Assim, amigos leitores, o que é a força da doutrinação de uma liderança religiosa! Textos bíblicos como acabamos de considerar são manipulados, contextos ignorados, eles fazem isso para se encaixar a uma doutrina particular. O maior erro, porém, não esta no engano doutrinal, mas na imposição a que os membros são submetidos, e não se pode questionar. Aqueles que não seguirem estritamente a regra organizacional, correm o risco de serem excomungados. O que a Bíblia realmente diz sobre essa questão é que devemos ‘’apresentar os nossos corpos como sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, um serviço sagrado com a nossa faculdade de raciocínio.’’ Não a que é imposta por outros. (Romanos 12:1)

Um conselho que dou a você meu amigo leitor: Não deixe sua consciência ser manejada por ninguém, o canal de comunicação de Deus não é o Corpo Governante da Torre de Vigia, o canal é a Bíblia Sagrada, mediante Jesus Cristo, e não aqueles que dizem ter prerrogativa especial de interpreta-la.

 

Ame ao próximo como a si mesmo! (Mateus 22:39)